14 de julho de 2017
28 de junho de 2017
A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS
Admmauro Gommes
Escritor, palestrante e professor
de Teoria Literária
da FAMASUL/Palmares (PE)
admmaurogommes@hotmail.com
Recentemente, a pedagogia tem recomendado a contação
de histórias para crianças como algo que incentiva a imaginação e desperta a
criatividade. Defende, portanto, que ao estimular as funções cognitivas, a
aprendizagem acontece com mais naturalidade, quando esse recurso é
empregado.
Diremos pois, que nem só as crianças se encantam
ao ouvir uma bela narrativa e se envolvem com as peripécias do herói. Os
adultos também. Basta encontrar alguém que leve jeito em discorrer sobre um
fato curioso que a atenção é presa pela habilidade do narrador. A forma
descontraída de narrar nos convence, ainda mais quando estamos diante de um
habilidoso e envolvente conversador.
Com tantos meios atuais de que dispõem as práticas
educacionais, o velho método de contar uma boa história continua
fascinando a todos. Mas é bom que se diga que ler um texto é uma coisa. Ouvir o
autor declinar o mesmo episódio, ali na bucha, é outra coisa. São modos
diferentes de narrar. A escrita tem seus pontos positivos: parte de uma
cuidadosa seleção vocabular, além de revisão gramatical e da busca pelo
aprimoramento de um estilo literário. Portanto, diante da voz do escritor,
vendo seus gestos, olho no olho, é como se nós estivéssemos dentro da
cena, vivenciando o enredo ao lado das personagens. A recepção, pela oralidade,
nos fascina de tal modo que tudo que se encontra a nossa volta, alheia ao
relato, passa despercebido. O próprio autor quando expõe o que antes escrevera,
impõe um caráter dramático aos episódios. Isso é impressionante.
Constatei essas evidências depois que li a obra
“Somente a verdade” de José Paulo Cavalcanti Filho, e tive a oportunidade de
conversar com o autor. Foi um momento empolgante ter o narrado em primeira mão,
por uma ocular testemunha. Assim, cenários e demais caracterizações passam a
ser familiares pela proximidade com quem relata.
Quanto ao livro, seu texto é muito bom. Vem da
lavra de quem escreveu mais de mil e quinhentas crônicas. Um veterano contador
de ‘causos.’ Enquanto acendia um charuto e jogava a espiral de fumaça para o
ar, José Paulo inclinava a cabeça para trás, vendo a nuvem que se formava sob
sua cabeça. Naquele enlevo, a memória era acionada, como se abrissem arquivos
e mais arquivos entrelaçados pela lembrança. Pronto. No desfazer da
fumaça, vinha uma história atrás da outra.
Tudo nos mínimos detalhes. Era a visão de quem lá
esteve, destacando a ambientação com extraordinário domínio. Por isso, contava
com propriedade o que presenciou. Bem mais que verossímil, afirmava que os
fatos eram verdadeiros. E eram mesmo. Usava uma gama de recursos
linguísticos e extralinguísticos para que se tornasse o mais real possível, do
jeitinho como a coisa se deu. Narrativas assim, ficam na mente do ouvinte e não
se dissolvem por muito tempo pois as imagens bem elaboradas permanecem impregnadas
na memória. Nem mesmo a fumaça se esvai.
27 de junho de 2017
COMENTANDO O REALISMO
LITERATURA BRASILEIRA II
Considerando o racionalismo realista como reação
ao sentimentalismo romântico, explique a propositura seguinte, baseada no
pensamento de Eça de Queirós:
“O
Romantismo era a apoteose do sentimento; o Realismo é a anatomia do caráter.”
6 de junho de 2017
SER DIFERENTE NÃO É NORMAL
Admmauro Gommes
Poeta, cronista e professor de Teoria Literária
admmaurogommes@hotmail.com
Existe
uma confusão muito grande quando se trata de classificar e entender o que está
além da curva e das rotas normais da tradição. Na maioria das vezes, rotulam-se
novos comportamentos com discriminação. Este modo torto de ver o mundo
representa um olhar distorcido e arcaico e deve ser rejeitado em qualquer
instância, modo e lugar.
Não é por ser diferente que
alguém é inferior, tampouco superior a nada, apenas pela diferença. O teólogo
Bartolomeu Antônio, de Xexéu, lembrou-me esta semana uma frase de Clarice
Lispector, da obra “Um sopro de vida,” que diz: “O que me mata é o cotidiano.
Eu queria só exceções” É que a exceção é peça extraordinária e atraente. A
rotina mata qualquer um de tédio. A regra é comum, geral; o segredo está nas
exceções. É por este motivo que os artistas inventam seus mundos, não raras
vezes carregados de esquisitices, mas nem por isso são bons ou maus. Apenas
inusitados, indicando a marca de determinados estratos sociais ou individuais.
Ser diferente não é tão normal, como dizem, e pode ser alvo de exclusão ou
privilégio. Depende muito do momento histórico em que se vive, como nos tantos
casos de pequenos grupos religiosos, artísticos ou políticos. Acontece que os
mesmos perseguidos podem ser transformados em heróis, tempos depois.
Destarte, tudo que foge do comum,
do padrão, deve ser observado com expectativa pois está próximo do atrativo (ou
da repulsa, que é o avesso da atração). Afasto aqui qualquer julgamento moral e
direciono a discussão para o plano estilístico e/ou estético. O que se reveste
de espanto muda o rumo das coisas e provoca alterações inevitáveis em uma
sociedade que sofre constantes mutações.
O outro, por não ser uma cópia
nossa, causa estranheza. Esta situação se percebe quando alguém anda em
descompasso com a maioria. É o caso de Vênus, um planeta que não gira no
sentido horário, igualmente aos demais. Isso tem me inquietado muito! Como é
que um planeta se “revolta” contra seus pares? Mas é algo excepcional e a
ciência ainda não explicou. Nem ela nem Freud. Aliás, o que o Pai da
Psicanálise explicou minuciosamente foi a condição de o estranho ter sido parte
deslocada de nós mesmos, bem familiar em outro tempo, na infância, talvez.
(Artigo “O Estranho” - 1919) Seria assombrar-se com a própria sombra ou o fato
de Narciso achar feio o que não é espelho?
Normal é fato comum. Os
diferentes nos são estranhos e por não entendê-los, quase sempre os rejeitamos.
Isso é que não é (e não pode ser), normal. Anormal é não reconhecer com
igualdade que os outros têm o direito de ser diferentes.
24 de maio de 2017
ANÁLISE DO SERMÃO DE VIEIRA
SERMÃO DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Literatura
Brasileira I
Válido
como conteúdo da ANP (aula não presencial)
Metodologia:
Destacar pelo menos cinco pontos característicos do
Barroco e, em seguida, elaborar um comentário de cada item selecionado.
Prazo: Um dia antes da Avaliação
da II unidade
Sugestão: Escreva os textos sempre
abaixo do nome já digitado em COMENTÁRIOS (como Responder)
Exemplo:

Exemplo:

8 de maio de 2017
MÃE É MAIS
Mulher é
prata e ouro
é pérola,
ave e flor
e tem
cantos matinais
no
entanto, Mãe é mais.
É mais e se sacrifica
pelo bebê
que é seu
sofre
muito e padece
passa a
vida e não esquece
um filho
que não nasceu.
Nunca troca de amor
no olhar
tem novo brilho
basta
lembrar um instante
de
qualquer um de seus filhos.
Sua casa é um paraíso
também
espinho e cruz
mas
sempre abençoada
uma
bem-aventurada
igual a
Mãe de Jesus.
Ama tanto que não sente
de si
mesma, os seus ais.
Mulher é
feita de encanto
no
entanto, Mãe é mais.
Leia outro poema do mesmo autor sobre as Mães em:
5 de maio de 2017
A POESIA ENTRE O TRADICIONAL E O CONTEMPORÂNEO
Por Débora Elisa Jacinto (1º período de Letras/2017.1 - FAMASUL)
COMENTA textos de Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira
e Tony Antunes
No poema tradicional ou popular, um dos
aspectos marcantes é a linguagem simples, de fácil entendimento para o leitor e
que pode ou não conter rima, embora geralmente ela se faz presente. Nele, o eu
lírico é sentimental e sofredor. Um dos temas mais recorrentes nesses poemas é
o amor ligado à saudade ou o amor impossível. Na letra da música "Que nem
jiló" de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, temos um excelente exemplo de
como o poema/poesia popular encontra fácil abertura e rápida aceitação nas
camadas mais populares da sociedade.
Isso
se dá pelo fato de sua linguagem não precisar se valer de palavras rebuscadas e
formais, mas sim ter em sua composição a simplicidade como principal trunfo e,
posteriormente, seu sucesso. O público ao ouvi-la certamente se identificará
com a história retratada na música, por se tratar de uma situação comum: a dor
da saudade. A vertente do poema popular cativa por suas palavras genuínas mas
também porque reflete contextos em que as pessoas se veem reconhecidas nos seus
versos.
Já
o poema contemporâneo é escrito de forma mais despretensiosa e livre, e isso se
exemplifica pela sua não obrigatoriedade em seguir as técnicas de composição
poética, os assuntos abordados já não se prendem a certas temáticas românticas
e idealistas mas sim encontram agora uma abundância de conteúdos a serem
explorados. Na música "Inexaurível eu" de Tony Antunes, poeta da
Famasul, temos um exemplo desse tipo de poema, lendo não sabemos o significado
de seus versos; admiramos suas palavras mas o que cada uma delas quer dizer só
o seu compositor sabe.
Podemos
dizer que o poema contemporâneo cria com o autor uma relação mais aberta,
composta por inesgotável fonte de ideias.
1 de maio de 2017
ADMMAURO GOMMES PARTICIPA DE ANTOLOGIA NACIONAL
O poeta ADMMAURO
GOMMES teve um de seus textos selecionado para participar da Antologia de Poesia
Brasileira Contemporânea ALÉM DA TERRA ALÉM DO CÉU, promovida pela Editora Chiado.
Para o antólogo
Gonçalo Martins, “Será o Evento poético do ano no Brasil, onde apresentaremos
ao público uma obra que perdurará como um dos mais arrojados objetos de poesia
publicados no nosso país.”
Eis o poema selecionado,
constante no volume II da referida obra:
MERGULHO (Admmauro Gommes)
Muito além
de onde quebram as ondas desse mar
mergulhei meu coração.
Em terras estranhas
em paisagens nuas
vesti-me de sol.
Porque a esperança é bandeira de luz
porque a ausência preenche-me de sal
canto
pois as madrugadas
são pétalas de pedras
boiando em minh’alma.
Se há ilusão em dura vida
duradouro seja o sorriso
da permanente espera.
21 de abril de 2017
AULAS DE LITERATURA POPULAR
A INFLUÊNCIA DO MOTE
Considere os fragmentos que seguem e
produza uma redação com caráter argumentativo justificando a importância do mote na construção do texto poético.
a) Na opinião do poeta alagoano José
Inácio Vieira de Melo, para que o cantador de viola comece a produzir sua arte,
“basta uma provocação, um ‘mote’ para surgir de forma instantânea o tema para
uma canção.”
b) “Na vida cotidiana desses poetas
existe o hábito de "dar motes" o tempo inteiro, durante a conversa.
Qualquer assunto é motivo para um mote. Você está conversando no balcão de um
bar, pede um cafezinho, vem frio, você reclama. O poeta ao lado ri e dá o mote:
"Quem bebe café aqui / pode pegar resfriado", ou algo assim. É quase
um cacoete, uma mania benigna.” - Bráulio Tavares
11 de abril de 2017
ZORAIA, PORTUGAL E POESIA
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Flores do jardim de Zoraia
|
Admmauro Gommes
Poeta e professor de
literatura
admmaurogommes@hotmail.com
Conversando com Zoraia, uma
‘portuguesa’ natural de Xexéu, mas que reside na Ilha da Madeira, descobri
outras zoraias que ela esconde. Iniciamos o bate-papo porque me disse que
estava sem tempo para terminar de escrever um livro. Desculpou-se afirmando:
“Nos dias de pouco movimento dedico-me às flores de meu jardim.” Durante a
conversa, soube que desenvolveu outro talento para fazer gravuras em azulejos e
tinha sido convidada para expor suas espécies raras. Suas orquídeas vanda e tutti
negra, petúnia, catylas, proteias, sapatinhos da Índia, cactos, urze... Uns
amores de plantas! Ou melhor, até amores-perfeitos. Então repliquei que isso
também é poesia e sua produção valia mais que um livro publicado, pois se
reeditava diariamente.
O modo como ela faz e com o carinho que
faz é o que conta, porque todo artifício que manuseia o belo, dialoga com o
poético. Isso, por si, demonstra o grau de poeticidade que aflora de uma
cultivadora de flores ou de uma esteticista que vê no toque facial traços de
rara beleza. É que a poesia está em tudo. Em cada pedaço de vida, em cada
olhar, em cada esperança ou desesperança. E porque é arte, é parte integrante
do cotidiano. Embora dito isto, faço breve distinção entre poetas que escrevem
e poetas que cultivam a poesia no seu íntimo mas não conseguem externar o
sentimento através das palavras. Esses escolhem pétalas para escrever auroras.
Aqueles, palavras, pois necessitam desses instrumentos linguísticos e do
domínio estético.
Mesmo fazendo estas considerações,
reafirmamos que a poesia está em qualquer lugar: nos chinelos, como disse
Manuel Bandeira; ou no esgoto, para usar a expressão de Manoel de Barros. Mas
também pode estar no jardim. O olhar de quem observa é que dá a carga poética a
qualquer objeto, como o carinho com que Zoraia cuida das orquídeas.
Observando as flores que ela me enviou
pelo Whatsapp, entendo que são verdadeiros mimos e que ninguém precisa inventar
poesia; ela já existe nos seres como imanência. Lembrando Mário Quintana, não
se deve correr atrás das borboletas; basta cuidar do jardim que elas vêm ao
nosso encontro.
Por ser essência, a poesia nos procura,
nos circunda e nos absorve, pois somos reveladores dessa cosmicidade
intransponível, indizível, indecifrável, e necessária para que a vida tenha
sentido. A poesia está ligada à mágica da existência e ao deslumbramento
que nos inquieta diante das coisas incompreensíveis. A sensibilidade é que faz
o poeta, este cultivador de flores ou de essências.
8 de abril de 2017
PORQUE A CARNE É FRACA
Este texto foi publicado também no Jornal do Commercio
Admmauro
Gommes
admmaurogommes@hotmail.com
O nome que a Polícia Federal
atribuiu à fiscalização que suspendeu licença de exportação a mais de duas
dezenas de frigoríficos, chamando de Carne Fraca, parece bem sugestivo e
ilustra muito o estado de coisas que há anos vem acontecendo no seio de nossa
pátria. Podemos dizer que todas as fases da Operação Lava Jato estão representadas
na fraqueza da carne. É uma terrível ilustração, gangrena que atinge até o osso
em crime de lesa-pátria.
É como se tudo pudesse ser compreendido
tomando-se por base o texto bíblico que afirma ser a carne (a natureza humana)
fraca, diante do que aguça os olhos e instiga a corrupção. E agora, em quem
confiar? Se desconhecemos a procedência até do que ingerimos? Já bastam os
agrotóxicos e transgênicos que nos agonizam. Como atenuante, as autoridades
estão dizendo que não há nada demais, ‘apenas encontramos um sistema de propina’.
Só isso. Dos males, o maior!
Esperei por grande barulho: partidos
políticos no horário gratuito denunciando, a sociedade organizada sendo
convocada para as ruas, panelaço, o escambal ... Mas não houve nem um mugido, foi
um silêncio diante da podridão e continuamos a mastigar o mesmo veneno. Literalmente,
um papelão.
Lá fora, a coisa foi diferente. De
imediato, os compradores estrangeiros da carne brasileira tomaram uma
providência: não importar mais esse produto enquanto todos os responsáveis não
pedissem desculpas formais e prometessem não mais se entregar aos desprazeres
da carne. Um Deus nos acuda! Enquanto isso, aqui no Brasil, quem viu alguma
rede de supermercados rejeitar publicamente as empresas investigadas? Ou um
político levantar bandeira em nome da saúde pública?
Se a população brasileira fizesse como
os importadores internacionais, não querendo mais consumir carne podre, com
papel embutido, aí a vaca ia pro brejo. Precisava que o povo mostrasse que tem
nervos e tutano e sangue nos olhos. Mas, não. Tem gente que nem percebeu a
gravidade desse problema que nos intoxicou e nos contaminará ainda por muito
tempo. Também, pudera: muitos ‘intelectuais’ estavam entretidos mandando ‘correntinhas’
pelo WhatsApp.
Mas ainda há tempo (será?) Quando
quisermos, poderemos até embargar os governos desgovernados que conduzem a
manada nacional. Poderíamos, apenas, com um voto consciente reescrever a nossa
história, distante das páginas sujas que nos envergonham. Mas quem está
preocupado com isso? Infelizmente, nas próximas eleições votaremos novamente
pela paixão e pela aparência porque a nossa carne também é fraca.
28 de março de 2017
A CULTURA DO INSTANTÂNEO
Admmauro Gommes
Poeta, cronista e professor de Teoria Literária
admmaurogommes@hotmail.com
Viver em sintonia com os dias atuais implica adotar a cultura do instantâneo. Assim, objetos e pessoas passam a ser descartáveis, em nome de um consumismo desenfreado e momentâneo. Uma operação plástica, por exemplo, nem sempre acontece para corrigir lesão ou defeito mas para colocar o corpo em evidência, conforme um padrão anunciado, na semana passada.
A última palavra da moda caracteriza-se pela rejeição absoluta do modelo anterior. Os valores morais e éticos também são substituídos com uma velocidade muito grande. O que ontem parecia consenso, hoje, se transmuta com rapidez exatamente em direção oposta. E a intenção é nítida: confundir a mente da geração que se forma em torno das incertezas. Tudo é relativo e nada tem importância diante dos interesses pessoais.
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