30 de abril de 2014

REVISTA URUBU N.4




Em destaque:

Admmauro Gommes, Albanielly Soares, Alexandre Flores, Caio Vitor, Douglas Rocha, Farlla Caroline, Gabriela Raianne, Genyff Farias, Jailton Ferreira,  João Constantino, Juareiz Correya, Karoline Serpa, Manuela Lira, Marcondes Calazans, Murilo Gun, Osani Severina, Osman Holanda, Reginaldo José de Oliveira, Riccardo Guerra, Roberto de Queiroz, Rogério Generoso, Romilda Andrade, Sylvia Beltrão, Vinícius de Moraes e Vital Corrêa de Araújo.



24 de abril de 2014

BRINCAR COM AS PALAVRAS

Cida Vilas Boas

Caro Professor Admmauro Gommes.

Sem querer disfarçar a minha falta por deixar de lado seu especial convite para participar de seu inquérito "O que é ser poeta?", o faço hoje, como não poderia deixar de fazê-lo, dispensando-o de qualquer compromisso em postar em seu blog minha humilde opinião.
Cida Vilas Boas
Na realidade, na ocasião, estava confusa sobre ser ou não, uma poetiza. Mas o carinho que você tem demonstrado pelos meus rabiscos, me faz retornar a esta prática que achei perdida para sempre.

Vamos ao que eu penso sobre o tema.

Ser poeta é ser um encantador de corações, colocar a alma a brincar com as palavras mesmo que elas sejam fingidas. Para ele, a visão do belo, do trágico e do irreal, é uma realidade tão solene e tão cheia de candura que tudo é perdoado, é aceito, é precursor. Ele é aquele que traz momentos de enlevo e descontração para o leitor que zela pela harmonia ondulante da vida, momento que descontrai, que paralisa a dor, trazendo para o seu interior sintonias com a felicidade, coisa muito real para aquele que se atreve a poetizar.
A poesia é como se fosse "reflexos" do sol nascente nas gotas orvalhadas e esparramadas nas noites serenas dos sonhos. Reflexos que fazem brilhar os olhos, os mesmos olhos cansados de derramar lágrimas emotivas, mas agora, por se ver retratado neles e, de alguma forma é, de fato, o seu próprio retrato.
O poeta também é aquele que necessita de estar reverenciando a tudo que o rodeia, mesmo que seja uma reverência dolorida, angustiada e de secreta dor. Enfim, o poeta é um ser amante que ajuda a seguir em frente aqueles que seguem com ele, mesmo sabendo que, lá adiante, os caminhos possam seguir rumos diferentes e, por isso, não andem mais ao  seu lado. 
Escrevamos poesias!

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Cida:

Seu texto me faz lembrar da fugaCIDAde da vida e de um poema que escrevi para José Rodrigues:

RECANTO DAS ÁGUIAS

Uma águia voando
no infinito azul
desce pairando
na Mata Sul.

Seu ninho? – os montes.
Caminhos? - os ares.
Um novo horizonte
desenha Palmares.

Descanso da lida
fuga e nostalgia
Rodrigues convida:

- Bebe filosofia!
- Um brinde à vida!
- À paz, harmonia.


Portanto, bebamos e comamos poesia (enquanto é tempo!) 

Um abração (ou Abracida), que é antídoto para a tristeza e previne contra o envelhecimento (da alma!...)

Admmauro Gommes
Palmares (PE), 22 de abril de 2014



23 de abril de 2014

O BARROCO COMO ARTE DA CONTRARREFORMA

LITERATURA BRASILEIRA I

Rubiana Ferreira (Letras/FAMASUL-2014.1)

O Barroco, denominação atribuída ao primeiro movimento literário brasileiro, abrange em seu contexto, diversas características que o compõem, dentre elas, destaca-se no trecho de “Sermões de Padre Vieira”, que está escrito em estilo conceptista, enfatizando o jogo de ideias, em prosa; há o dualismo, forma que expressa o contraste, entre o materialismo e o espiritualismo; o céu / inferno; enfim, entre duas faces, como em : “Veja o céu que ainda tem na terra...” e “Saiba o Inferno que ainda há na terra...” Há também a arte da Contrarreforma, pois, cita textos bíblicos, em : “Ide, e pregai a toda a criatura”.
Dentro do estilo Barroco, o Pe. Antônio Vieira é um dos maiores destaques, pois, representa a Igreja Católica em seu meio de tensões, com a Arte da Contrarreforma, movimento que surgiu através das denúncias de Martinho Lutero, que acusava a Igreja de abuso aos fiéis. Com isso, iniciou-se o movimento da Contrarreforma, como resposta aos protestantes, para resgatar os fiéis e renovar a fé cristã que estava abalada. Vieira foi um marco na história, pois encabeçou uma luta pela Igreja Católica, a fim de mantê-la em predominância.




12 de abril de 2014

EU NÃO TROCO MEU OXENTE

EU NÃO TROCO MEU OXENTE
PELO OK DE NINGUÉMAriano Suassuna








(...)
Esses verbetes do inglês
Que usam no dia a dia
Não me trazem simpatia
Estragam meu português
Vou ser sincero a vocês
Sou muito mais meu quinem
Adonde, prumode, eim?
Acho mais inteligente
Eu não troco meu oxente
Pelo ok de ninguém

Eu não falo REDBUL
Prefiro touro vermelho
MIRROR pra mim é espelho
BLUE BIRD pássaro azul
Bonito e não BEAUTIFU
Falo dez em vez de TEN
BABY pra mim é neném
E HOT pra mim é quente
Eu não troco meu oxente
Pelo ok de ninguém

Não gosto de pancadão
Nem de RAP improvisado
HIP HOP  pé quebrado
Sem métrica e sem oração
Sou muito mais Gonzagão
No forró do xenhenhém
Gosto de aboio e também
De um baião de repente
Eu não troco meu oxente
Pelo ok de ninguém


EU NÃO TROCO ARIANO
POR ESCRITOR DE NINGUÉM 
Admmauro Gommes








Tem muita gente bossal
Que ganhou até Nobel
Fez um brilhante papel
Na letra universal
De Espanha, Portugal
Da Itália, ou do além
E da Irlanda também
Inglês ou americano
Eu não troco Ariano
Por escritor de ninguém.






4 de abril de 2014

O AMOR ETERNIZA QUEM SE AMA

 Rhalyne Moura/Amaraji

 Rhalyne Moura
Ela é uma das tantas Marias que existem nesse mundo, mas não é apenas mais uma Maria, tem o dom de fazer pessoas felizes e existir já é motivo suficiente para tal. A vida lhe reservou dois casamentos e dezesseis filhos dos quais três não sobreviveram, os outros foram com sacrifícios e renúncias, bem criados. O semblante sempre sorridente esconde a vida dura enfrentada para chegar aos oitenta e oito anos tendo a cara de uma criança que acaba de ganhar o brinquedo tão almejado. Ser iluminado, alegria constante. Com um amor que não cabe em si, altruísta por excelência, abriu mão dos seus sonhos para lutar por seus filhos e fazer deles pessoas justas, seres humanos sensatos e mesmo que essa assunção se desse em prejuízo de suas metas, ela arriscou sem medo, esqueceu de si e viveu por e para eles, alcançou sucesso pleno, o que, para ela foi consideravelmente satisfatório e está para contar a quem quiser ouvir o quanto Deus foi e tem sido bom com ela.
Na missão nada fácil de sobreviver nessa vida tão arriscada, diria que ela tem se saído muito bem. Tem as maiores e melhores histórias para contar e é capaz de fazer com que qualquer pessoa queira permanecer na sua companhia maravilhadamente contentados com o que ali se escuta enquanto ela fica deitada no sofá menor, recostado na parede logo abaixo da janela da sala. A mania de só gostar de coisas simples faz com que todo mundo tenha grande dificuldade para presenteá-la. Teimosia e perfeccionismo são traços marcantes da criança idosa que adora fazer arte sem precisar se esconder, não abre mão de cozinhar no fogão de lenha e ainda faz questão de lavar roupas na lavanderia da área de serviço, além de tudo, faz o melhor doce de mamão com coco e a melhor cocada do mundo.
É carinho que não se explica, amor que não se mede e que se intensifica em cada olhar, é o silêncio de quem medita antes de articular, é menina, mulher, mãe, avó, bisavó, trisavó... é de aço e de flores, é um amor divino através do cuidado humano. É ela a maior prova que no sexo frágil há uma virilidade jamais vista. Deixa para trás os maiores guerreiros da história com a sua vida de superação e torna-se uma guerreira realizada. Com ela eu aprendi que o maior conhecimento do mundo não está presente nos livros, nem nas enciclopédias inteiras, mas no amor de quem se ama. Aprendi também que a morte jamais apaga o que alguém foi, que eternidade é além-tudo, ela me ensinou isso e continua a mostrar os caminhos e as verdades, a melhor herança que alguém pode deixar ela vem construindo há muito tempo e quando se for, não precisará de testamento porque tudo de melhor que ela tem já foi dado. Foi com ela que eu entendi que a força vem do coração e não dos músculos. Ela é para mim a imagem de Deus eternizada no mundo. O anjo que me guarda e ilumina.
         Depois de contar a história dela, apresento-lhes Maria José Soares, ou simplesmente Dona Neném. A mulher mais guerreira que eu já conheci: minha bisavó.



AMOR-AMOR  
 (Admmauro Gommes In: Luta dentro de  mim

Onde termina o amoR
começa RessentimentoS
no final deste iniciam
as partes da agonia
Soluços
Sofrimento
Solidão.

Ao termo da solidãO
pode começar Ódio
Orgulho
Orientação...

no fim do último som
da revoltA, da desculpA
é que vem cobrindo a dor
de novo
a palavra Amor.


A TECNOLOGIA MAIS PODEROSA
(Marcondes Calazans)

As categorias listadas nos versículos de I Coríntios no capítulo 13 são linhas diferentes das que costumamos ver nos cotidianos da realidade atual em que se encontra a humanidade. “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine”.(I Cor. V. 1)
Vemos na passagem a supremacia do amor. Na perspectiva de Paulo, o problema principal quanto aos dons espirituais da igreja em Corinto era a falta de amor. Assim, Paulo passa a elaborar sobre a natureza e a importância do amor, como nos dias de hoje, especialmente nos lugares onde trabalhamos.
Paulo não estava interessado em fornecer uma relação exaustiva, ele está pensando naquele que “exerce misericórdia” e o que preside.
“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz com indecência, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crer, tudo espera, tudo suporta” (I Cor. 13: 4 – 8).
Paciente... benigno... espera... suporta. As descrições de Paulo não reduzem o amor a sentimentos baratos ou atos mecânicos. Cada termo descreve tanto emoções quanto atitudes. Pensar no amor cristão como simples sentimento ou simples atividade é contradizer as definições do apóstolo.
O amor jamais acaba...(I Cor. 13, v. 8).
Podemos considerar essa declaração como um resumo dos versículos anteriores, especialmente à luz da frase “tudo suporta” (v. 7). Ao mesmo tempo, essa declaração permite a Paulo criar um contraste entre o amor, que permanece (v. 13), e os dons espirituais, que cessarão.
Jyoti Amge é uma indiana que detém o título de mulher mais baixa do mundo viva, certificada pelo Guinness World Records. Jyoti embora de pequena estatura, 62, 8 centímnetro de altura sempre esteve preocupada com o tamanho do amor das pessoas com as outras. Sempre fez entender que a grandeza de um ser humano deve ser o tamanho de sua generosidade para com o outro. Disse:
“...O Amor é a TECNOLOGIA MAIS PODEROSA neste planeta - é mais poderosa do que terremotos, tsunamis, envenenamento por radiação, guerra nuclear, as estruturas de controle, o governo, a corrupção política, etc... Você escolhe... O AMOR ainda é muito mais poderoso! E ao nos alinharmos no nosso Amor Ele cria Lindas potencialidades em expansão...” (AMGE, Jyoti, 16 de dezembro de 2011).

O que mais dizer! Amar simplesmente. Amar o outro sem que haja necessariamente a obrigação de abraçar, beijar ou outra “coisa’ qualquer. Amar independe de se estar perto ou longe. Quando você simplesmente ama com atitudes de oração e meditação para quem você apenas acha que não gosta de você, tenha certeza, ela irá mudar, pois quem estará atuando através das suas orações é simplesmente o Espírito Santo de Deus. Creia. Por isso ame incondicionalmente.




A CONCEITUAÇÃO DO AMOR
(Roberto de Queiroz)

Qual é afinal a autêntica conceituação do amor? Minha concepção vê-se obrigada a divagar entre os mais variados juízos. Uma vez que sobrepujado o Grande Livro, como avaliar esses hiatos? Qual deles está inerente à autêntica dialética do amor?

Já cheguei a crer que o amor fosse corrosível, como assevera o autor de Sermões; que fosse mortal, como insinua Vinicius de Moraes; que fosse fogo que arde sem se ver, como certifica Camões; e ainda hoje (na qualidade de menino que sou, no auge dos meus vinte e poucos anos) continuo a divagar sobre esses conceitos transitáveis e dessemelhantes.

É bem verdade que esses grandes e respeitáveis lentes fazem alusão ao Amor Eros, cuja essência tão incógnita é a união entre casais; todavia, amor é amor: o Filo, o Eros – ambos são arraigados ao Ágape; o contrário não é amor, é outra coisa.

Não seria difícil argumentar que, por esse critério, é genuína a conceituação de amor do poeta Rainer Maria Rilke: para ele, “o amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe”.

Rilke, possivelmente, está-se referindo ao Amor Eros. Mas que fariam os frenéticos, se tivessem que seguir (ao pé da letra) esse conceito?

(QUEIROZ, Roberto de. Folha de Pernambuco, 26/02/2010, Cidadania, p. 3)


4 de março de 2014

ENTRE “O SABOR DA PALAVRA NÉSTOGAS” E “O POETA LANÇA O ENIGMA”

    Marcondes Calazans
                          
Quanta intrepidez no texto de Romilda Andrade (O poeta lança o enigma). Como é deleitoso ler um texto que, por sua estrutura literária nos joga de mente e corpo ao inacabado que é tentar compreender o que Vital escreve. Com certeza, leu a obra “ID”, um dos  últimos livros de VCA que  trata exatamente dessa questão. Sua poesia não parte de uma ideia, é o próprio pensamento sem a necessária importância de traduzi-lo cientificamente.

Professores Márcia Maria, Marcondes Calazans e Romilda Andrade
No livro “A Estranha Poesia de Vital Corrêa de Araújo” ficou claro, quando não encontramos compreensões uníssonas sobre sua poesia.

Quanto aos termos "Humpty" "Dumpty"  do autor britânico  Lewes  Carrol, que nos propõe a  condição de escolher o significado para o que lemos vemos ou ouvimos, mesmo se o que lemos seja algo enigmático e absoluto, entende-se que Humpty Dumpty é um personagem de uma rima enigmática infantil de Mamãe Gansa, na Inglaterra, muito conhecido no mundo anglófono. Ele é retratado como um ovo antropomórfico, com rosto, braços e pernas. As pessoas são livres para interpretá-los da forma que convém a si mesmas.

No mundo anglófono, onde se fala a língua  inglesa,  as pessoas escolhem os significados que devem ser dados a Humpty Dumpty, ou seja, as coisas existem e damos o nosso entendimento, apareça de que forma for.

Por fim, o texto da impávida Márcia Maria da Silva, que nos aponta o tema “O sabor da palavra néstogas”, cuja expressão nos liberta de regras e da rigidez acadêmica recorrente, bate com o que Romilda Andrade defende. É como se os textos se cruzassem significando algo espontâneo, nós simplesmente inventamos o que precisamos entender, tudo passa pelo pensamento, sem necessariamente precisar da ideia.

Duas mulheres, duas formas de escrever de maneira diferente a mesma coisa, deixaram-me interrogativo! Será que  os poemas  de VCA é algo comum, comum a todos que escrevem poesia? Acho que estamos desvendando o enigma...

Que mulheres danadas!


28 de fevereiro de 2014

O POETA LANÇA O ENIGMA

Romilda Andrade/FAMASUL (Jaqueira-PE)

Romilda Andrade
Recentemente, li em uma revista a seguinte epígrafe de um escritor Britânico (Lewis Carrol): “Quando eu uso uma palavra, "Humpty", "Dumpty" (disse em um tom tanto formal), isto significa que eu escolho o que ela significa."
Sem nenhuma intencionalidade, me ocorreu naquele momento a resposta que eu tanto esperava a respeito da poética vitalina. Evidentemente, esta resposta não foi o caminho para entendê-lo, mesmo porque me recuso a isto, uma vez que o próprio poeta afirma que “se o leitor me entende, me derrota". Na realidade, Vital é sábio ao proferir essas palavras. No fundo, ele sabe que seus poemas são enigmáticos, o que ao torna ainda mais encantadores, e a busca para decifrá-los, segundo Diógenes, "é o complexo para pessoas inteligentes", aquilo que é contrário a poesias traduzíveis, cuja finalidade não passa de uma alienação para seus leitores.
Mas, voltemos à epígrafe. Descobri então que a beleza de ler Vital não se resumi às definições ou a significação das palavras. É, na realidade, uma tentativa de transformar a razão em sentidos, sob diferentes pontos de vistas; é o momento único e subjetivo entre o "objeto"(poesia) e a pessoa (apreciador), e entende-se por absoluto algo completo (poesia absoluta). Portanto, não há o que questionar.
Para findar este pensamento, gostaria de citar algo que me chamou a atenção! NÉSTOGAS! Deixemos de lado as definições que aqui pouco importam, mas nos preocupemos com as sensações! O que Néstogas te causam? Para uma apreciadora da literatura, chegou a ter um "sabor doce". Eis, porém, que chegamos involuntariamente à finalidade da poesia absoluta: Você é quem decide o que a palavra te diz, certo de que ela é totalmente desprovida de qualquer definição própria. Ratifico aqui as palavras do escritor britânico, o qual tomei como ponto de partida para esta reflexão, "Isto significa que eu escolho o que a palavra significa".
Fica claro, portanto, a magia desta poesia: o poeta não é mais sozinho, ele lança o enigma e o leitor decifra através de suas sensações. A subjetividade, ao lado da criação artística, é que faz a poesia ser entendia não como definição, mas como um processo de sensações a serem digeridas.


ADENDO:
A poesia absoluta nos remete a algo indefinível, que não se baseia em significações para existir. Sua natureza já traz consigo uma acepção subjetiva, que, partindo das sensações, pode-se identificar o “lugar” que nos leva à palavra. Eis então que surge o caminho... para onde nos levarão Néstogas!? – R.A.




19 de fevereiro de 2014

VITAL E A FAMASUL

FAGULHAS E EXPLOSÃO LITERÁRIA NA FAMASUL

“Tomei a liberdade de intitular este texto de Sylvia Beltrão, alinhando as letras iniciais dos nomes citados, justificando que a autora já aproxima sua linguagem poética da vitalina a ponto de eu ter confundido se um determinado texto era dela ou de Vital. Ela é, por assim dizer, uma dessas fagulhas responsáveis pela “explosão” mencionada por VCA, em vídeo disponível no Youtube (VITAL E A FAMASUL).” – AG  

VCA, AG e SB - Por Sylvia Beltrão

TEXTO DE SB - “Esse movimento de Poesia Absoluta não se confunde comigo. Eu posso ter sido a ignição, mas a transmissão foi Admmauro Gommes e a explosão foi na sala de aula do curso de Letras” (VCA). Este é um exemplo claro de que a regra matemática que reza: "a ordem das parcelas não altera o produto" está correta.
Concordo que Vital tenha sido ignição, mas ele também foi transmissão e explosão. Admmauro Gommes, idem. E os acadêmicos? Nós não fugimos a esta regra. Eles nos fizeram entrar nesse embalo! Aceitamos a proposta desses poetas de investirmos intelectualmente em nós. Em conjunto, adotamos a Poesia Absoluta como uma disciplina a mais em nosso curso. Nos dedicamos, abusamos das metáforas inauditas e deixamos de chover no molhado (imitando Admmauro Gommes). Abraçamos a complexidade dos versos, as (in)visíveis entrelinhas e provocamos duplos, triplos, incontáveis sentidos...
Esse sacode poético chegou em excelente momento, precisamos disso como amantes das letras. Está sendo um combustível a mais. Isso fica muito bem explícito em um trecho de uma canção de Jorge Vercillo (Eu e a vida): “Vem me pedir além do que eu posso dar / é aí que o aprendizado está”. Quando nos pedem algo que julgamos ser incapaz de ser realizado, mas mesmo assim nos aventuramos nesse desafio, como retorno, vem a superação, adquirimos saberes e isto é fundamental para quem almeja crescer intelectualmente.
Quando Vital surgiu na FAMASUL, de certa maneira “contradizendo” (no bom sentido da palavra) todo o conceito de poesia, causou espanto em muita gente (eu fui uma dessas pessoas, é bom confessar isso). Provocou, e achou briga das boas! Passamos a estudá-lo, admirá-lo, mas, pelo menos eu, nunca consegui entendê-lo. O objetivo de Vital parece mesmo ser inquietar os sábios, ao ponto de remexer os ids dos mais elevados pensantes. Sempre fracassei nesse assunto de interpretação vitalina e não sinto vergonha em afirmar isso, visto que Marcondes Calazans, um dos grandes intelectuais da FAMASUL, afirmou que “Vital é o complexo para pessoas inteligentes”, imaginem só minha precária situação como uma mera acadêmica... Mas eu não desisto fácil, gosto que me peçam além daquilo que acredito que possa realizar. Isso demonstra confiança de potencial.
Aproveitei ao máximo a experiência da passagem de Vital em minha vida acadêmica. Ele implodiu meus sentidos e os explodiu em forma de metáforas histéricas. Permiti vozes a todos os meus silêncios através dos meus versos. Dei asas ao meu id, deixei que ele se descompassasse mesmo, e nem parei para pensar nas loucuras que ele cometeria. Passei a escrever dez textos em apenas um (e entenda quem puder!). Descobri que isso também faz parte da literatura, graças à contribuição Vital Corrêa de Araújo e Admmauro Gommes, e desta vez, COM trocadilhos! VCA e AG: Néstogas absolutas de Sylvia Beltrão!

17 de fevereiro de 2014

A BOTIJA DE RICARDO

- Admmauro Gommes
 Ricardo Guerra é fiel guardião da cultura jaqueirense. Ele arquiva em sua memória fatos pitorescos e inusitados contados e recontados por sua gente que bem representam a linha do tempo do município da Jaqueira, em Pernambuco. De vez quando, abre a gaveta e começa a esmiuçar causos acontecidos que ele mesmo presenciou, testemunhou ou ouviu de alguém de inabalável reputação. Lembrança de ocorridos fabulosos e história de encantamento.

 Um dos casos mais frequentes que ele gosta de contar é que tem uma botija de ouro fino dentro de seu quarto. Esta fortuna já foi dada a alguém certa vez. Um dia, dona Filó sonhou que estava escondida uma botija de pedras preciosas aqui dentro de casa, bem no meu quarto, diz Ricardo, com um sorriso dourado.
Na hora combinada para retirar o tesouro, estavam presentes Seu Eurico do Bar, seu Marinho Retratista e seu João Tavares. Cada um mais medroso que o outro. De repente, se ouviram passos descendo pela escada e os três amigos se arrepiaram do pé a cabeça: toc... toc... toc... paft! Silêncio profundo. E... strambract! Jogaram um pedaço de tijolo “deste tamanho” que passou raspando a cabeça de seu Eurico e estambocou a parede, bem naquela parte ali, aponta Ricardo. O Candeeiro que seu João Tavares levava na mão, se espatifou no chão. Foi um ai-ai-ai tão grande que acredito que ainda em hoje tem gente correndo com medo da alma penada que jogou a lapa de tijolo na parede.
Pronto! Perderam a empeleitada. Para esses, não terá mais oportunidade. Mas se vocês sonharem e tiverem a sorte de alguém lhes escolher para retirar a botija, pode vir na minha casa que eu autorizo a retirá-la. Aliás, como sou prevenido, já tenho reservado um punhado de cerâmica para depois tapar o buraco. Mas tem um porém: quem conseguir resgatar todo o tesouro deve mudar-se imediatamente, na mesma noite, desta cidade.
Aí eu perguntei: Oh! Ricardo, por que você não arranca esta botija e fica pra você mesmo, já que ela está dentro da sua casa?
Ele me respondeu:
- É que eu gosto tanto de Jaqueira que nenhum tesouro me faz arredar o pé deste lugar.
Palmares, 7 de fevereiro de 2014.

5 de janeiro de 2014

VITAL E DIÓGENES

Marcondes
                                                      Marcondes Torres Calazans

 Certo dia na Grécia Antiga, numa certa rua de Atenas, o filosofo Diógenes foi flagrado por seus conterrâneos atônitos com o que viam, o citado pensador com uma lanterna acesa em plena luz do dia, o que os levou a exclamar: "o que busca o velho Diógenes! O que procura! Diógenes, imperturbavelmente como quem quisera responder a uma pergunta não feita disse-lhes: "busco homens e mulheres; homens que tenham denodo, coragem de assumir as coisas em que acreditam". Assim como no tempo de Diógenes, nos dias atuais procura-se o que o "velho" filósofo procurava... Eu vejo Vital Corrêa dessa forma, um homem imperturbável que escreve para a posteridade, pois a atualidade é redundante, monótona, convencional. A poesia de Vital Corrêa é uma lamparina que tem de certa forma invadido com sua luz a ignorância da escuridão compulsiva de uma sociedade embriagada pela mediocridade dos que insistem em querer tudo fácil. Vital é o complexo para pessoas inteligentes.