14 de julho de 2016

DEZ HAICAIS DE ADMMAURO GOMMES


Tornei-me estático. 
O rio da minha aldeia
parou de correr.

Sensibilidade
é ver o vento e a rosa
e sentir ciúme. 


Por preço de aroma
aquele que planta rosas
afaga os espinhos.

Outono chegando.
Saio de meu esconderijo
e invento flores. 


Eu li nas estrelas.
Mesmo sem tua esperança
o sol vai brilhar.

É cedo da noite.
O vento bate no outono
bem tarde da vida. 
 


Ah! Doces espinhos.
Velhas flores da saudade
tudo à flor da pele.

Tudo recomeça
ao cair do primeiro orvalho.
É ressurreição. 


Coisa reluzente:
um dedo risca o céu.
Estrela cadente?

Na noite perdida
achei um lençol de luz.
Era madrugada. 


29 de maio de 2016

POR FALAR EM SAUDADE

Admmauro Gommes - contracapa de A solidão foi embora (1987)

por Admmauro Gommes, poeta, professor de teoria literária admmaurogommes@hotmail.com

“E por falar em saudade, onde anda você?” Do início da letra desta canção de Toquinho, Vinicius de Moraes e Hermano Silva até chegar em “Quando eu me chamar saudade...” verso de Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho, imortalizado por Nelson Gonçalves, o nosso cancioneiro popular está cheio de um sentimentalismo saudosista. Na verdade, todo mundo sente saudade, em algum momento da vida. Quem já não se surpreendeu cantarolando “Saudade, palavra triste quando se perde um grande amor...” (Meu primeiro amor de Hermínio Gimenez) tantas vezes regravada por grandes intérpretes da MPB?
Mas, de onde vem mesmo a palavra saudade? Dizem que é uma invenção da língua portuguesa ou, para os mais ufanistas, originária do Brasil. É que a nossa exaltação à Pátria exagera-se pra lá das contas! Já ouviu alguém dizer que Deus é brasileiro? Pois bem! Até o Papa Francisco, em conversa descontraída com jornalistas no Rio de Janeiro, brincou, ao demonstrar conhecer o referido dito: “Se Deus é brasileiro, pelo menos que o Papa seja argentino!” O nosso exagero eleva-nos à condição de maiores em tudo, até de criar a palavra que define a lembrança da ausência. Os negros africanos, arrancados à força de sua terra natal, sentiam uma ‘coisa’ chamada de banzo, espécie de nostalgia mortal. Traduzindo: uma saudade extrema. 
Porém, para não ficar no disse-me-disse, sobre a fonte da saudade, recentemente, a professora e pesquisadora Edilene Almeida, da Famasul, conseguiu encontrar resposta para esta questão. Segundo ela, “Saudade não tem origem brasileira.” Em sua pesquisa, confirmou, ainda, que a palavra vem do latim, de solicitude, até se transformar em saudade." Eis a sua explicação: "Veja o processo de modificação do latim ao português: Solitude – inis: solidão pela falta de algo; Solitas – atis: vazio de não ter, isolamento, solidão. Do latim clássico ao latim vulgar houve essas transformações: Solitas –atis > solitate > soledade > soedade > soidade > saudade.”
Explica detalhadamente a douta professora que “Se a vogal intertônica era e precedida de l, o l caiu no latim vulgar tardio ou no período primitivo do português, como: soletatem > soidade, gerando no latim vulgar saydade, suidade, soidade, soedade, sodade e no português padrão saudade – lembrança de algo que não mais se tem.” (A Origem da palavra "Saudade” (www.famasul.edu.br - 06/05/2016).
Destarte, a ‘solitude’ está tão impregnada em nossa memória que os versos de Casimiro de Abreu parecem gravados em cada um de nós: “Oh! que saudades que tenho/ Da aurora da minha vida/ Da minha infância querida/ Que os anos não trazem mais!” Como definiu a mestra, “lembrança de algo que não mais se tem.” De uma forma mais estranha, considerou Chico Buarque: “Leva o vulto teu/ ... é o revés de um parto/ ...saudade é arrumar o quarto/ Do filho que já morreu.” Antes, Chico compreende que “É pior do que o esquecimento.” Em síntese, é o que fica do que passou.


3 de maio de 2016

DIA DAS MÃES

LONGE DA MÃE AMOROSA
   Poema de Admmauro Gommes

Longe da mãe protetora
Um filho perde o sorriso
Distante do paraíso
Sua dor é duradoura.
É coisa devastadora
Su’alma sempre abatida
Tem a face ressentida
Anda errante qual judeu.
Quem a sua mãe perdeu
Perdeu metade da vida.

Longe da mãe amorosa
O verão é tão gelado
O inverno é abafado
A primavera é penosa.
No outono falta rosa
A alegria é perdida
Falta paz, falta guarida
Quase se vira um ateu.
Quem a sua mãe perdeu
Perdeu metade da vida.

Se sua mãe ainda vive
Dê um beijo em sua face
Reproduza esse enlace
De seu amor não se prive.
Quanto mais que se convive
Mais se ama a mãe querida
Tão divina, tão sofrida
Que mais ama o filho seu.
Quem a sua mãe perdeu
Perdeu metade da vida.



25 de abril de 2016

O OLHAR CONTEMPORÂNEO DA TOLERÂNCIA E DA DIVERSIDADE


Admmauro Gommes
Escritor, Diretor da FAMASUL/
Palmares (PE)
     Quanto mais a civilização se aperfeiçoa em tecnologia, mas as diferenças sociais aumentam. Não é que uma tenha a ver diretamente com a outra, porém elas se destacam ao mesmo tempo, nos dias atuais. Neste meio, a divulgação dos contrastes socioeconômicos se acentua pela mídia e pela moda e assim ganham projeção distorcida.
Infelizmente, no contexto que se apresenta, a intolerância é a marca de nosso tempo. Cada vez mais, grupos extremistas se renovam no cenário internacional. E nós, sem sermos extremistas, também temos uma parcela diária de incentivo à exclusão. Quando lutamos por um espaço no meio social, e somos minoria, achamos que é retaliação ou discriminação a oposição que sofremos. Mas se o caso é com os outros, consideramos que tudo está dentro da normalidade. Daí uma falsa sensação de que somos os melhores, em relação aos grupos que se nos opõem, pelo pensamento ou pelas diversas práticas sociais.
Não obstante, é preciso que tenhamos lado. Não da esquerda nem da direita, mas do centro, da imparcialidade. Neste caso, vale lembrar o que disse Evelyn Beatrice Hall (ilustrando as crenças de Voltaire): "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las." Esta garantia que se dá ao outro, é fundamental para a permanência da paz entre os povos.
Quem já pertenceu à minoria e hoje não pertence mais, devia ter redobrada tolerância com os novos excluídos, mesmo que isso represente uma opinião contrária a sua. Até porque, a livre expressão do pensamento apoia-se na Constituição Federal. Embora a lei propague a igualdade, não é necessário que todos sejam iguais a nós, mas que consideremos a maneira de viver e pensar dos demais.
Por certo, o bom senso contemporâneo aponta para a tolerância em todos os sentidos para que haja uma convivência pacífica, na diversidade. Não que se deva associar às ideias alheias e divergentes da concepção de mundo que temos, nem defendermos pensamentos e maneiras estranhas ao nosso modus vivendis. Contudo, seguir o pensamento de Evelyn (sobre Voltaire), parece ser o caminho do centro, do equilíbrio e da promoção da paz.
A diversidade, enfim, está na concepção da natureza, que fez os nossos semelhantes tão diferentes. Aliás, se todos fossem modelos iguais a nós mesmos, “a coisa não prestava.” Por um simples motivo: Somente nós sabemos os defeitos e as desvirtudes que possuímos. Ainda toleramos os outros porque pensamos que eles não têm os defeitos que temos.


Comentário de Cida Vilas Boas
Admmauro, dizer que seus textos são admiráveis, reflexos de uma inteligência privilegiada é eufemismo. Eles são claros, diretos, sem subterfúgios ou adornos.
Você já é um requintado professor com ensinamentos que percorrem o mundo e seus textos são esclarecedores em coisas simples, mas que passam despercebidos numa leitura despreocupada, coisas que não paramos para decifrar.
Mas, "Decifrar a tolerância" no mundo onde a diversidade é alarmante, é coisa para pensadores de altíssimo quilate, como você, amigo.
Tudo bem. Nada disso é novidade. Vamos ao que me leva a redigir este meu comentário: Um trecho de seu discurso me pegou desprevenida: Sabedoria X ignorância (claro, a sua e a minha). 
Quando você cita Evelyn Beatice, ao comentar Voltaire, em parágrafo seguinte, diz o que me chamou mais a atenção: "...a livre expressão do pensamento apoia-se na Constituição Federal". Está aí a grandeza que eu não havia decifrado neste capítulo, ou inciso, de nossa Constituição (não sou boa em quase nada, mas em leis, sou nula). 
"Todos são iguais perante a lei". Vivo lembrando a todos quando vejo injustiças mas me detinha em direitos jurídicos, religiosos, físicos etc, mas nunca havia atentado ao significado mais profundo e talvez o mais simples de todos que é o respeito à maneira de pensar e viver dos nossos semelhantes.
Aprendi com vc essa faceta da lei da igualdade. Você falou TUDO.
Abraços. 
AgradeCIDA.




Comentário de Maria José de Oliveira Costa 
Muito adequado o tema que nosso amigo Admmauro Gomes abordou. Pela dificuldade dos tempos em que vivemos, em que a moral, os bons costumes e o respeito estão tão banalizados. Tempos em que estão gritando aos quatro ventos: "vocês têm que nos engolir," e o pior, engolir sem fazer careta, quanto mais falar!
Mas, como bem pode ter sido de Voltaire a sábia frase: " POSSO NÃO CONCORDAR COM NENHUMA DAS PALAVRAS QUE VOCÊ DISSER, MAS DEFENDEREI ATÉ A MORTE O DIREITO DE VOCÊ DIZÊ-LAS," nos concedemos o pleno direito de também defender até a morte o direito de expor nossa maneira de pensar. Afinal, não dá para calar, pois um velho dito afirma que 'quem cala consente.' Que seria das famílias brasileiras se não houvesse pastores que, histéricos ou não, alçassem sua voz, na bancada evangélica, na Câmara de Deputados, para barrar as leis que sorrateiramente vão sendo lançadas?
Evidentemente, não tenho a habilidade do amigo Admmauro para colocar meus pensamentos, e nem penso tanto assim. Mas agradeço a ele por nos instigar a formular opiniões.
Você é bom em tudo que se propõe a fazer Admmauro! Parabéns!
Sua amiga, Maria Professora.


Comentário de Caio Vitor Lima     
Concordo que temos que ter um lado e que devemos respeitar o direito do outro de também pertencer a um lado. Mas não concordo que o lado do "meio", da "imparcialidade" seja uma opção viável. E não o é porque a imparcialidade simplesmente não existe, é uma quimera dos que pensam ter uma visão ampla e pragmática da realidade.
O exercício do distanciamento é necessário à direita ou à esquerda, pois gera senso crítico em relação ao próprio posicionamento político-ideológico, mas defender um ponto de vista sobre modelo de mercado, de política, de sociedade, de religião, de laicidade, etc, inevitavelmente leva o indivíduo a um lugar não neutro e orientado a um dos lados da moeda: uns mais moderadamente, outros com radicalismos. E essa ideia "voltairiana" de defender até a morte o direito do outro de ter e expor um ponto de vista é perigoso.
Como posso, por exemplo, defender o direito de alguém em expor a opiniões racistas com relação aos negros? Ou que homossexuais não devem ter o direito civil ao casamento igualitário, um direito cidadão, com os absurdos argumentos de que não podem constituir família por não reproduzirem, por ser contra a moral cristã, ou por serem más influências sexuais aos filhos (como se a heterossexualidade dos pais influenciasse a sexualidade deles), dentro do contexto da laicidade do Estado? Como posso defender o direito de um deputado federal de homenagear um torturador da Ditadura Militar como herói da pátria, sendo a tortura um crime deplorável, condenado por cortes internacionais de direitos humanos?
Não, não se deve defender o direito ao discurso racista, misógino, homofóbico, em quaisquer de suas faces; não se deve lutar em prol do discurso da intolerância religiosa, ou de golpistas de um governo legitimamente eleito, como aconteceu no Egito há dois anos e acontece hoje no Brasil. Esses discursos podem - e devem ser - combatidos nas redes sociais, no espaço acadêmico, na roda de amigos, nos programas de TV e rádio sempre que ferirem a ética e a dignidade humana. 
Ter uma opinião sobre o que quer que seja é valioso, mas há o limite entre o diferente e o desrespeitoso, entre a discordância e o direito de existir das minorias, entre a opinião e o crime. Discutir é saudável e democrático, mas quando o discurso estimula a violência ao outro, deve ser combatido nas formas que a lei autoriza.


9 de abril de 2016

REPENTE ABUSADO

         

Pra quem é bom no repente
E topar este embate
Para entrar no debate
Me responda urgentemente 
O que é que move a gente
Quando amanhece o dia?
Se não for a poesia
Por favor mande a receita
porque a vida é feita 
De tristeza e alegria.
           - Admmauro Gommes

.....................................................................
     Neilton Lins:
Pra responder a pergunta
Eu não sei o que dizer
Se não é poesia
Outra coisa não deve ser

Se não for a poesia
dia não deve ser
Se é dia
Então poesia deve ser.

.....................................................................
     Admmauro Gommes:
Não é somente sorriso
Que é feita a vida inteira
Há noite de gemedeira
E de lutar, se preciso.
Mas fica o meu aviso:
Quando olhar para trás
Sinta orgulho, muito mais
Não jogue a vida no vento
Mesmo vendo em pensamento
O estrago que o tempo faz.

.....................................................................
     Pedro de Morais Neto:
Você diz que é cantador
Se gabando desde cima
Com apenas uma rima
Me escreva, professor
Use todo seu labor
E mostre que é capaz
Estripulie, faça mais
De cima até embaixo
Pois desse jeito eu acho
Que a estrofe não sai.

 .....................................................................
     Admmauro Gommes:
Usando uma rima só
A gente fica com dó
Para cantar carimbó
Pra tia do caritó.
Melhor é ser o xodó
E dá na palavra um nó.
Se o cantador for bocó
Pode até ficar cotó
Vou matá-lo com um cipó
Do tempo de minha vó.

 .....................................................................
Neilton Lins

Já não me lembro mais
Dizem que era tempo de paz
Com todo o seu albor
Instantes de muito amor
Que os dias não trazem mais

É preciso lembrar do hoje
Como mais nada se faz
Fale de outra coisa rapaz!
De amor, de esperança
Que também traga lembrança
De dias sem muitos ais

Fale do tempo do vô
Se preciso conversar, eu vou
Pra gente debater esses instantes
Iguais aqueles de antes
Que inspire no peito o calor
Do mais tenro debutante


.....................................................................

     Admmauro Gommes:

Para falar do agora
Relembro antigamente
Para andar para frente
Sigo heróis de outrora.
Sua lição revigora:
Não caminhar no escuro.
Pra se firmar no futuro
Não esconda as raízes
Assim seremos felizes
Aposto que é mais seguro.




Obs.: Mande sua resposta para este Desafio em forma de comentário, no espaço disponível, logo abaixo:

31 de março de 2016

XEXÉU DE SOCORRO DURÁN

Por Admmauro Gommes

Poetisa Maria do Socorro Barros y Durán 
Um poema não precisa ser longo para ser grande. Como diz Vital Corrêa, um verso bem construído vale mais que uma odisseia. Foi o que pensei ao ler “Xexéu” de Socorro Durán. Aliás, esta poetisa vem crescendo visivelmente, à luz da contemporânea estética literária. Diria que, como chuva serôdia, aquela que tardiamente vem para deslumbramento do agricultor, Durán apareceu há poucos anos como poetisa, embora poetisa fosse a vida inteira. É que reconheço nela, assim como vejo em Wilson Santos, um talento que desponta após longo tempo convivendo com a poesia sem que se reconhecesse a si mesmo como poeta.
De repente, destampam-se e eclodem autores deste quilate em percepções muito sensíveis, próprias apenas dos que convivem com o sentimento alinhado ao domínio da palavra. Como essas espécies de escritores são muito exigentes com a sua criação literária, retardam a divulgação do que produzem. Ainda bem que a fase da autocrítica severa se rende à necessidade de sobrevivência pública da poesia.
Confirma-se o exposto em Socorro Durán, quando a simbologia de uma ave denominada Xexéu adquire aspectos sublimares e conduz o poético ao estado de libertação: Um pássaro/ de asas largas/ olhos grandes/ arrebentou minhas amarras/ libertou-me/ e conduziu-me/ à terra dos bem-te-vis.Nesta construção, cada palavra tem múltiplo sentido, pois não há nada gratuito, que se apresente apenas em favor da rima ou da métrica. Assim, as linhas são repletas de plurissignificações. E o mais importante é que a economia literária não aponta com exatidão o endereço do destinatário. É nisso que ganha força a arte, não se fechando em única leitura. As ideias ficam à deriva das tantas possibilidades de interpretação.
“Libertou-me”, portanto, é uma confissão de muita valia, porque o eu-lírico se imaginava preso (minhas amarras), mas por intermédio do implícito voo do pássaro, encontrou a vereda libertária e escapou para um lugar de prazer indizível. Aos olhos da poetisa, alcançou-se “à terra dos bem-te-vis.” Com esta metáfora imensurável e indecifrável (daí a excelência de um poema grandioso), conquistou-se um espaço que ainda não se havia revelado dentro de si, mas que, sob surpresa percebeu-se a sua existência.
Esse é um lugar encantado, como Pasárgada, lembrando Manuel Bandeira. Para se chegar lá, permite-se ser conduzido por um guia inesperado. Pode ser uma Asa Branca, na concepção de Luiz Gonzaga, Sabiá, em Gonçalves Dias, na Canção do exílio, ou Xexéu, para Socorro Durán. Oswaldo Montenegro diria: “Voa Condor, que a gente voa atrás.” Com tanta poesia, em pouco tempo, nós pediremos socorro a Durán.

17 de março de 2016

ADMMAURO GOMMES NA UBE


Alexandre Santos (Presidente da UBE/PE) 
e Admmauro Gommes
O poeta Admmauro Gommes visitou a sede da União Brasileira de Escritores (Recife), no dia 16 de março de 2016, lançando o livro Fernando Pessoa e o Mar. Na ocasião, fez uma breve palestra dentro do programa de recital Quarta às Quatro.

AG traçou um perfil da nova poesia brasileira, defendeu a contemporaneidade artística, recitou o poema Coração Nordestino e ainda esboçou um comentário sobre a poética de Vital Corrêa de Araújo, tema que será discutido em seu novo livro, A Teoria da Poesia Absoluta.

AG ladeado pelos escritores Geraldo Ferraz e Rogério Generoso



Admmauro Gommes, Geraldo Ferraz e Rogério Generoso





4 de março de 2016

FERNANDO PESSOA E O MAR - Apreciação

      
Profª Maria José de Oliveira Costa (Xexéu/PE)


FERNANDO PESSOA E O MAR - Infelizmente não tenho capacidade de fazer uma apreciação mais profunda deste livro, pelo fato de não conhecer a poesia de Fernando Pessoa, sendo desta forma impossível para mim identificar a interligação dos poemas deste com os daquele.

Mas, os poemas do professor Admmauro Gommes fazem valer a pena a leitura e releitura como uma forma de mergulhar no mundo de um poeta. Há tanto tempo que conheço (?) meu amigo, o autor, e realmente descubro que só o conhece um pouco, aquele que lê seus poemas. Como ele se empolga em seu: VOU-ME EMBORA PRA PEROBA.

Quase que o ouço relatando suas motivações de ir morar em Peroba. E são muitos os poemas onde quase o vejo passear ao entardecer na orla daquela praia. É fascinante a maneira como ele pensa que se esconde por trás de tantas metáforas, realmente como ele diz: o poeta é INOCENTE. Para confundir mais o leitor ele dispara: 

"O que me desassossega a alma
é que dos muitos que sou
nenhum se parece comigo.." (DESASSOSSEGO, pág. 54) 

Mas algumas vezes me identifiquei, e penso até que ele tem minha idade ao ler 'NÃO FOI O TREM QUE PASSOU.' Lendo: BOLERO DE RAVEL, bateu-me uma saudade não sei de que, a música pareceu retinir no meu ouvido.


O CORAÇÃO DE ADMMAURO BATE EM RITMO DE POESIA.

8 de janeiro de 2016

FERNANDO PESSOA E O MAR

Em fevereiro de 2016:
Lançamento do novo livro de 
Admmauro Gommes (poemas)



A NOVA MODALIDADE DE RIMA DA POESIA BRASILEIRA

O poeta incrementa a polissemia da palavra. Esta é sua sina e obra. A transferência de sentido é vital à poesia. Mestre da metáfora e doutor em aliteração, processo este, que provém de ritmo peculiar o poema e aquele, que embeleza a linguagem poética, impossibilitando a univocidade, graças à ênfase de plurissignificação que concede, Admmauro Gommes tem nos brindado com uma obra  poética inavaliável. 

FIAT
                                                   
AG faz hoje a melhor poesia brasileira – de uma cidade do interior de Pernambuco – porque nele exuberam condições subjetivas, é um lírico consciente e superdotado. E, a estas, adicionou condições objetivas, que é a entrada no átrio de um novo século, com uma nova e avançada concepção de poesia, deixando ao longo do tempo velhas tradições parnasianas, condoreiras, retórica de eloquência sentimental, velharias recicladas no tempo e ultrapassadas, iniciando uma poética voltada ao ultrafuturo. Saiu AG do pântano dos iguais, em que se hipopotamizaram os “poetas” (elementares, não absolutos) brasileiros, rimadores obsessivos e fanáticos contadores de sílabas, constituindo estes uma mediocridade poética organizada e operando o passado vertiginosamente. A poesia, para AG, não é mais uma retomada do passado, mas uma “volta ao futuro.”


A excelência da nova poesia admmauriana conheço, publiquei-a em minhas revistas (Singular, Papel Jornal e Urubu) e no jornal centenário O Monitor, de que fui editor e sou editorialista, propriedade do haicaista Osman Holanda.
                                             - Vital Corrêa de Araújo