27 de março de 2017

NO GALOPE À BEIRA MAR

OS 14 GALOPES 
DE RICARDO GUERRA 
E ADMMAURO GOMMES


Então vamos de galope a beira mar: (Pra não mais findar)(Riccardo Guerra)

O poema tá arretado e bastante avançado
Nos versos de Admmauro e de Marian.
Quem sabe hoje, ou depois de amanhã
Lá pras bandas da burarema, com a lua cheia,
com a minha musa dengosa e faceira,
pra confirmar esta prosa eu vou me esbaldar
poetas brincantes, com rimas alegres ao ar
proferem poemas perfeitos, e eu pegando a manha,
pra confirmar esta prosa e sua façanha
Vou cantando galope na beira do mar.

Amigo Ricardo, rei da Burarema
Há coisa que sempre encanta o matuto
Um bebo na praça fumando charuto
Em um batizado depois da novena.
O mundo é grande a vida é pequena
Há muita ciência pra gente pescar
Um chá de carqueja pra desinflamar
A queda do bicho parece um coice
Danou-se, danou-se a nega do doce
Nos dez de galope na beira do mar.



Famoso Admmauro do reino encantado
No Recanto das Águias não fica ao léu
Na pedra do reino seu nome é gravado
Como um grande poeta filho de Xexéu
Mais de vinte livros ele já escreveu
Tem a força de Hércules ou de um Teseu
No meio dos vinte: “Cinco Poetas e um Luar”.
De jaqueira lhe faço um convite arretado
Para em Maceió com tudo acertado
Cantarmos galope na beira do mar.


Poeta Admmauro, pode mandar galope de Xexéu pra Jaqueira, que eu mando daqui pra lá.
Abraços.
Depois, juntamos tudo e vamos publicar.




Quem tem um amigo não vive à toa
Está rodeado e nunca está só
Pode viajar para Maceió
Campina Grande e João Pessoa
E vara o mundo chegando em Lisboa
Na força do bicho chamado jaguar
E com bacamarte dá tiro no ar
Ao lado do amigo que é seu Ricardo
Que lá de Jaqueira é o maior bardo
Nos dez de galope na beira do mar.


5 Ricardo Guerra4 de outubro de 2013 18:42


O mundo endoidou, mas não me convenço
Que até minha Nega do Doce Danou-se
Partiu proferindo palavras, encantou-se
Para um mundo dos poetas ao qual eu pertenço.
Convidei Admmauro para ir me ajudar
E saímos os dois pelo mundo à procura
Não tínhamos noção para começar
Encontramos o tabuleiro e a Nega a vadiar
E ela não estava nem aí para tanta frescura
Ficamos cantando galope na beira do mar.



Admmauro Gommes 4 de outubro de 2013



Você que conhece a fala dos reis
E sabe da grota que mora o brejeiro
Como é que um médico vem do estrangeiro
E vai entender o seu jaqueirês?
Vai se confundir com o nordestinês
Nessa confusão pode se engasgar
Na hora da cura é capaz de matar
Não vai entender caxumba e querela
“Pobrema de estambo e da espinhela”
Nos dez de galope na beira do mar.




O meu jaqueirês é uma língua arretada
Até o estrangeiro aprende depressa
Três dias de feira e ele logo a professa
Ouvindo a língua matuta e falada
Depois o doutor toma umas lapadas
Da boa “temperada” do Alfredo Colar
Depois do efeito se dana a conversar
Miolo de pote e outras coisas também
Com os matutos se assim o convém
Nos dez de galope na beira do mar.



O seu idioma que é universal
E tem os traços de uma tradição
Careta e gesto em toda expressão
Trazendo um brilho que é sem igual
Quem não entender que é natural
Se engasga na pinga na porta do bar
Confunde caatinga e “cheirim” de gambá
Caxumba, papeira e cabeça de prego
Passando colírio para quem é cego
Nos dez de galope na beira do mar.




No meu idioma tudo é muito bacana
Meus irmãos matutos e uma nova língua
No meio da feira tomando uma pinga
Tendo como tira-gosto madura banana
Matuto é cabra sabido e muito legal
Em todo lugar ele gosta de estar
Observando e sempre aprendendo
Com sua viola pra cima e pra baixo
Eu também sou matuto por isso entendo
Nos dez de galope na beira do mar.




O matuto tem tal compreensão
Que as nuvens do céu sabe entender
Se amanhã é de sol ou vai chover
Se é dia de plantar milho ou feijão.
Ele sabe governar uma nação
Mesmo com um jeito estranho de falar
Há quem não consiga com ele conversar
Mas é um cabra tão inteligente
Que do Brasil um já foi até Presidente
Nos dez de galope na beira do mar.





Anatomia de matuto jaqueirense é assim
Pau da venta, zói, queixada e perna é canela
Beiço, cangote, suvaco, viria e guela
Mas não gosta das coisas cheias de pantim
Tem um jeito bonito da gota de falar
É bucho, chibata, cambito e pêia
Tripa gaiteira, buchada e zurêia
O bacamarte sempre tá pronto pra atirar 
Mas não mangue dele pois vai se arretar
Nos dez de galope na beira do mar.




Eu hoje fiquei malassombrado
Num pesadelo eu vi a caapora
E acordei depressa, sem demora
Pensei ver o Saci bem ao meu lado
Eu acho que tava vendo tudo errado
Rodrigues era um gato maracajá
Vital Corrêa imitava um sabiá
O Coronel cantava uma embolada
E Joel dava aquela gargalhada
Nos dez de galope na beira do mar.




Poetas preferem pois praticar poesia
Particularmente pelo prazer permanente
Pensando poder prosseguir previdente
Perfazendo percurso pela porfia
Permita-me porém parar para pensar
Preciso poetar por proficiência
Peço-lhe perdão pela paciência
Palavras prolíficas prefiro procurar
Pronto parei profundamente para praticar
No dez de galope na beira do mar.





Caro amigo Ricardo que é Guerra
Mas proclama a cultura de uma paz
No galope você provou que é demais
Cantando as belezas de sua terra
Cada verso que você encerra
Tem uma riqueza no seu linguajar
Por isso terminemos com esse pelejar
E não posso mais acompanhar você
Pois me faltam palavras na letra pê
Nos dez de galope na beira do mar.


Fim do galope.



13 comentários:

  1. Estou curtindo os galopes na beira do mar!

    Queremos mais! rsrsrs

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    1. Aproveite a festa e entre também nessa brincadeira!
      Você é bem-vindo, Diego.

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  2. Muito bom...
    Vocês são dois grandes mestres.

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    1. Marta minerva muita magia
      Manga madura, massa, maçã
      Manha, maravilha, mangaba macia
      Merece mais: mágica manhã.

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    2. Marta, meiga, maravilhosa.
      Manhã mística "misteriada", misteriosa
      Mulher muito majestosa
      Mão manuscreve meticulosa.

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    3. Gostei muito! Ficou ótimo...
      Sinto-me lisonjeada, porém estou acanhada!
      Amplexos...

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  3. Meu Caro Professor, Poeta, e amigo Admmauro.

    Seu blog, a cada dia que passa fica mais e mais interessante visto sua criatividade, seu amor às letras, sua procissão de amigos do mesmo quilate estrelar. Já estava acompanhando o desenvolvimento do poema "No galope a beira mar", que, juntamente com o professor Ricardo, estava sendo escrito. Tive esta oportunidade através do facebook em contato com esse grande jaqueirense.

    Eu só tenho a congratular com a iniciativa de ambos porque tudo conspira para que a poesia seja conhecida, da maneira mais rica possível, inclusive a "divertida".

    Só uma coisa me entristeceu: sua despedida de Xexéu que eu aprendi a amar depois de ter lido seu livro, que tão gentilmente me presenteou. Ora, o canto do pássaro xexéu, me despertou tamanha curiosidade que prometi a mim mesma visitar Xexéu antes de partir desta vida para a próxima: meu objetivo? Ouvir o canto do xexéu e parabenizá-lo pessoalmente por tanto amor dedicado à sua terra natal. Mas já que sua decisão está tomada, desejo-lhe toda sorte em Palmares onde, com toda certeza, muitos e grandes trabalhos o aguardam. Pelas fotos postadas, noto, com alegria, a satisfação com que as pessoas
    estão por recepcioná-lo.

    Pelos amigos que por aí fiz já sou um pouco xexeuense, palmarense e até Jaqueirense.
    Sucesso, amigo! Sei que para vc isso é o seu cotidiano.

    Abraços da Cida Vilas Boas

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    1. Muito grato pela atenção.

      Caso venha pra essas bandas, faremos uma caravana: eu, Wilson e Ricardo Guerra e iremos até Xexéu, onde se ouvirá o canto do pássaro.

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  4. Caro Poeta Maior Admmauro, foi um enorme prazer em poder compor estes versos "agalopados" juntamente com o nobre amigo, "finalmentando" nosso galope à beira bar, envio-lhe este verso do grande repentista Oliveira de Panelas, como reflexão pela beleza plástica, rítmica e poética de tal magnitude.
    Ei-lo:

    O mundo se encontra bastante avançado,
    A ciência alcança progresso sem soma.
    Na grande pesquisa que é feito o genoma,
    Todo corpo humano já foi mapeado.
    No mapeamento foi tudo contado,
    Oitenta mil genes se podem contar.
    A ciência faz chover e molhar,
    Faz clone de ovelha, faz cópia completa.
    Duvido a ciência fazer um poeta
    Cantando galope na beira do mar.

    Amplexos,
    Riccardo Guerra.

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  5. O CONVITE

    O convite pra cantarmos o galope à beira mar
    Continua de pé, em Xexéu, Maceió ou Jaqueira
    Você é quem escolhe o melhor lugar
    Seria bom a beira do Pirangy sombreado pela palmeira.

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  6. Eu aceito o desafio, oxente, “ômi”
    Escolha as armas, data e lugar
    Encomende uma perua pra almoçar
    Pois depois dessa luta tenho fome.


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  7. A perua jandaia já foi comprada
    As armas vão ser duas canetas
    Na lenha de angico ela será guisada
    Poetada com tinta azul ou preta.

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  8. Então, pra cumprir a ‘empeleitada”
    Convidei Wilson pra me ajudar
    Lutando em dupla posso até ganhar
    Pois não é fácil vencer a jornada.

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