2 de outubro de 2019

O TEMPO PASSOU

(Saudação aos heróis de minha terra)
Floriano Gonçalves e Samuel de Vasconcellos

                              Admmauro Gommes

Releio a página que um dia vivi
escuto uma voz de longo passado
querendo saber de um povo amado
da minha Xexéu, cidade feliz.
Onde estão os que conheci?
Em dó maior a viola parou
com Pedro Paulo, poeta avô.
Manoel Bernardo, Manoel barbeiro
seu Floriano e João Fogueteiro.
Não acredito que o tempo passou!


Zé Leandro, Benedito, Jesimiel
João Novato, Joaquim Clementino
Seu Álvaro Uchoa, Edson, Gercino
seu Pedro Hermínio e seu Samuel
Ferreirinha, Gaudêncio e João do Pincel.
(A vida nos tira o que ofertou
Um dia tem fim o que começou)
Marcos Gonçalves e seu Valdemar
seu Nelson, seu Nilton e seu Edgar...
Não acredito que o tempo passou!


Luiz Brasileiro, Joatas, Tantão
Dr. Zé Hamilton, Severino Major
Sebastião Garcia, Pitonho, Potó
Amaro Lins, Zito, Geraldão.
Parece que aqui agora estão
as vozes que o tempo jamais apagou
seu canto me segue por onde eu vou.
Lembrar Bugiganga aumenta a saudade
inda o vejo por toda a cidade.
Não acredito que o tempo passou.

         Xexéu, 1º de outubro de 2019

Domingos Leandro, esposa e filhos


1 de outubro de 2019

PARABÉNS, XEXÉU!

Prefeito Eudo Magalhães
1º de outubro de 2019

XEXÉU/PERNAMBUCO. Hoje festejamos o 28º aniversário de emancipação política de um município que só tem crescido nos últimos anos. Estamos comemorando também o 7º ano da administração do Prefeito Eudo Magalhães. O seu primeiro mandato ocorreu entre 2013 e 2016; o segundo teve início em 1º de janeiro de 2017 e continua até 2020.

No currículo desse político, ainda consta que foi eleito Prefeito da Água Preta (1989-1992) e de Joaquim Nabuco (2005-2008), além de Deputado Estadual. Incansável e exímio gestor público, a cada encontro, Eudo Magalhães anuncia novo volume de obras que ainda serão executadas até 2020, embora, por onde se lance o olhar, há construções realizadas pela cidade e zona rural com a assinatura do prefeito Eudo.


Parabéns, Prefeito Eudo! (que também aniversaria em outubro).

Parabéns, Xexéu! (por mais um ano de liberdade).




Drª Deyse, Primeira Dama de Xexéu e o Prefeito Eudo Magalhães

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29 de setembro de 2019

CRIPTOMOEDA ENTRE O SAGRADO E O PROFANO


Admmauro Gommes

Criptomoeda é outro poema necessário de José Durán y Durán. Para entendê-lo, é preciso adotar a teoria da recepção de que o leitor é um segundo escritor. Até porque os primeiros versos só podem fazer nexo com os dois últimos, formando a quadra, com a intencionalidade direcionada pelo leitor: 

CRIPTOMOEDA

“Beijo traiçoeiro, advertência desvirtuada
‘cristo-moeda' por trinta de prata trocada.
Não é de ouro nem de metal
é virtual, volátil, vilã.”


O olhar atento de um diácono, amparado pelo lastro da poesia, encontra aproximação sonora entre “criptomoeda/cristo-moeda.” Esta parece-me ser a gênese de que resultam todas as concepções e comparações que formam o texto em análise.

Percebe-se, de imediato, a denúncia do comércio onde se vende o sacro, e que se tornou rotina, na atualidade. Uma espécie de objeto de troca, tendo o Cristo por cifra e, em nome Dele, tudo se propaga, mas na verdade cultua-se o deus-dinheiro. Até um pedaço do céu, como lote, está à venda por muitas denominações religiosas, no mundo inteiro.

Deste modo, há como traçar um paralelo: moeda vilã – beijo traiçoeiro; venda do que é santo – profanação do sagrado, como se a salvação, pela ótica do falso cristianismo, fosse produto disponível nas vitrines, em promoção. A linguagem literária pode ainda vaticinar uma traição na economia global, quando a nova moeda desnorteia o sistema bancário, pois não se precisa mais de uma agência física, nem de papelada parar assinar contratos. É um ambiente onde tudo acontece de forma virtual. O “beijo” começa a causar desconfiança. O governo chinês saiu na frente, decretando que o uso da criptomoeda é atividade insegura e não corresponde à legislação em vigor no país.Mesmo que a origem dessa sentença nos remeta a Judas, quando vendeu o Mestre por igual quantia, vale também como traição, no negócio da China.

Uma vez que criptônio (elemento químico) não é um metal, assim essa moeda também não é de papel nem de ouro, por isso volátil, como gás, tanto que pode render muito, como levar à falência o investidor, pela volatilidade, como se toda a confiança fosse traída por uma aposta, em bolsa de valores online. Recentemente, ouvimos casos em que muita gente tinha investido alto e perdido o dinheiro nas transações com essas moedas. Isso se apresenta na visão poética em “beijo traiçoeiro.”

É importante frisar também o poder de síntese desse texto e sua larga transição em várias áreas do conhecimento, indo do religioso ao econômico, passando pela ganância social, aos avanços tecnológicos, pelo domínio estético, pela física... ligando a história de traição de um passado remoto, que não se esquece, mas antenado com as tendências do tempo presente.

Por ser sintético, o poema se agiganta, o que me faz lembrar Vital Corrêa de Araújo, ao dizer que um verso vale mais do que uma odisseia, quando escrito por um poeta poeta. E este é o caso. Estamos diante de uma obra exemplar: construção de apenas quatro versos, mas que move saberes extraordinários, investiga e nos assombra colocando em foco uma situação que pode alterar os rumos da economia mundial.

Esse poema reúne tópicos para uma discussão quase sem fim, pois evoca elementos que se conflituam, credibilidade versus incredibilidade, no que diz respeito ao sagrado e ao profano, na sugestão de que são faces da mesma moeda, como querem os vendilhões do templo.

A cristo-moeda subverte a ordem suprema: dá a César o que é de Cristo.

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Tchau, bitcoin? China planeja pôr fim à mineração de criptomoedas. Disponível em: https://br.sputniknews.com/economia/2019041013645993-tchau-bitcoin-china-planeja-por-fim-mineracao-de-criptomoedas/


28 de setembro de 2019

O MEDO DO MEDO: lendo um poema de Durán


Admmauro Gommes

Confesso que me surpreendi ao ler o poema Nomofobia de José Durán y Durán, por sua atualidade e descrição fidedigna de uma geração que vive sob o signo da alienação. Sobre o texto, escrevi para o autor dizendo que ele havia dado um pulo estético incomensurável na sua produção literária. Alguma coisa como a ação de eletrofótons, irradiando novas dimensões na poesia.

Com aguçado olhar, resultante de profícua experiência de vida, o poeta descreve amiúde sintomas patológicos de quem não abre mão de um celular. Acredito que a construção dos versos em tela gerou perplexa angústia, durante o ato criador, principalmente quando se comparam tendências sociais passadas com as de agora. Antigamente (este termo é propositado) era necessário um grupo bem articulado para se criar um herói ou um monstro, condição exigida para que houvesse seguidores ou repulsas. Atualmente se cria um monstro on-line com a maior facilidade. A maioria das crianças, antes de entrar no ensino fundamental, já está apta para essa finalidade. E próxima do abismo. Do naufrágio, pois navega sem rumo.

A elaboração de um monstro, dito de forma figurada, implica em fomentar algo danoso e que não se vislumbra a possibilidade de vencê-lo. Um Frankenstein camuflado, embora cada vez mais seja assustador, indomável. Assim é o uso desenfreado do celular, que assusta até pela possibilidade de, por um breve momento, não se poder utilizá-lo, o que resulta em uma caracterizada fobia. A remota possibilidade de não contar por algum instante com um smartphone provoca extenso pavor em quem não faz nada sem “ele.”

Deste modo, o poeta fotografia o estado atual de quem está preso à informação imediata, sem ao menos checar sua veracidade. Passatempo que consome um dia inteiro, se deixar. O que se percebe, nas entrelinhas, é que essa prisão tem um relacionamento direto com a banalidade e com o fugaz. A nova fobia “invade aos alfas” (eu diria analfas) e chega ao ponto de temer a ausência dos sinais de um wi-fi. Estamos reconhecendo este estágio como doença, por conta do vício que contamina e se espalha, com a difusão dos fake news. Quem usa desse expediente cai nas próprias armadilhas.

Voltando ao poema, em “Celulares são suas celas”, destacamos uma engenhosa aliteração que condensa o pensamento do poeta, pois trata da fobia durante todo o texto sem dela falar explicitamente. Criam-se paredes, celas, jaulas e dentro dessa ilusão ótica se escondem, achando que assim também estão escondidos do público. É como alguém que perde a visão e, no meio da rua, se encontra nu. Pelo fato de ele não estar vendo a sua nudez, julga que as pessoas também não a veem. Seria uma cegueira coletiva?

Com uma força poética que ultrapassa as linhas de uma literatura tradicional, Durán reconhece que os que sofrem de nomofobia “Disfarçam carências e mutilações” como uma forma de se protegerem por trás de algo tão frágil e isso faz com que muita gente que não toma o café da manhã sem antes “comer” o celular, arranje coragem e seja feliz dentro de um falso anonimato, onde tudo pode, ou pelo menos acha que pode. O pseudopoder que se imagina ter com tudo ao alcance dos dedos se confunde, no fim das contas, com o monstro, e as alucinações do próprio medo. Diante de uma compulsão sem limite, essa é uma doença que aos poucos dá sinal de sua existência e culmina dominando o corpo onde habita.

Outro verso magistral: “A angústia a giganta o medo.” Este é um poema de e sobre nosso tempo, que aponta as fraquezas humanas, quando exatamente se pensa que tudo se conquista pelo engodo. E, em vez do sucesso, eis a inevitável angústia, decepção, pois existe uma vida real off-line.

Desfrutamos, nesse poema, de uma visão privilegiada porque o poeta, sendo profundo conhecedor dos sentimentos humanos, nos alerta, ao denunciar esse tipo de fobia. Descreve o estado emocional de uma geração que já nasce padecendo de um medo indescritível. Daí, os estados sentimentais abalados, onde o stress facilmente penetra no vazio da existência, exatamente quando a bateria se descarrega.

Em última apreciação, recomendo que este poema seja lido tanto pelos que estudam a mente humana quanto pelos que buscam analisar o comportamento social coletivo, antes que se aumente o número de zumbis que reproduzem mensagens sem delas saber o que realmente dizem. Aí, finalmente vem a decepção. Nas conhecidas palavras, quem constrói uma casa na areia, terá sempre o medo de que haja um vento muito forte. E este virá, se não controlarmos o uso de um instrumento tão importante para a vida contemporânea, o celular.

Ao término de meu breve comentário, considerei que o poema aludido inscreve o nome Durán no rol dos grandes escritores da poesia absoluta. E afirmo sem medo. Eis o poema (sic):

NOMOFOBIA

Nova fobia invade aos alfas,
Internautas empedernidos,
Viciados em conectividade,
Navegam o mundo na palma da mão.
Celulares são suas celas,
Próteses eletrônicas incorporam,
Disfarçam carências e mutilações,
Se vencidas, retiradas ou esquecidas,
A angústia agiganta o medo.




Palmares, 25/07/2019, José Durán y Durán


23 de setembro de 2019

MUNICÍPIO DE XEXÉU

1º de outubro de 2019

28 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

BANDEIRA DE XEXÉU
A Bandeira do Município do Xexéu foi criada em 1993, por Admmauro Gommes, a pedido do então prefeito Floriano Gonçalves de Lima. As suas três cores básicas (amarelo, branco e depois azul), formando três faixas verticais, foram baseadas nas cores da Bandeira Nacional. O azul representa o céu, numa profundidade que nos lembra o céu nordestino, sem nuvens, espelhado pelo sol sempre causticante; o branco simboliza a paz; e o amarelo as riquezas de um povo lembradas pela cor do ouro. No centro, estão os elementos muito significativos para o povo xexeuense: da esquerda para a direita, uma cana, ícone da agricultura que representou a base da economia municipal, fazendo referência às usinas de cana de açúcar da região, no meio, a esfera que nos traz a recordação da Bandeira Nacional, apenas mudando o lema de ORDEM E PROGRESSO para PAZ E PROGRESSO, sugerido pelo prefeito Floriano Gonçalves. À direita, ainda dentro do espaço branco, o desenho de um lápis, representando a educação do município. Em síntese, a ideia do autor da bandeira foi trazer o passado (cana-de-açúcar), o presente (ligação com o País, com o círculo azul, lembrando que estamos debaixo do mesmo céu brasileiro) e, finalmente, o futuro (considerando a educação como caminho a seguir por todos os xexeuenses).

HINO DE XEXÉU
             Admmauro Gommes e Nilton Rodrigues

Quem te vê, entre montes, surgindo
E teus raios tocando o véu
Não imagina que é o brio refulgente
Da estrela chamada Xexéu.

Uma pátria de berço heroico
De guerreiros, de paz e brandura
Essa luz te faz na alvorada
Como águia voando às alturas.

Meu Xexéu, no voo majestoso
Desafio não é uma quimera
Se há batalha me inscreve à luta
Que a vitória sorrindo te espera.

Elevamos a alma aos céus
Gratidão, com respeito e louvor
Que a bandeira hasteiem da paz
Da justiça, da crença, do amor.

Nossa gente feliz já na praça
Festejando emancipação
Seja sempre sagrado e suave
O teu canto de paz e união



Partitura do Hino de Xexéu - 
Transcrição do Maestro Nilton Rodrigues



























22 de setembro de 2019

O NAVIO NEGREIRO DE CASTRO ALVES


FAMASUL - LITERATURA BRASILEIRA II
Nesta unidade, estamos investigando o Romantismo brasileiro. Os estudantes já esboçaram algumas ideias acerca da idealização e evasão românticas. Agora é a vez de tecerem comentários sobre O Navio Negreiro (Castro Alves). Esse poema, pertencente a um dos autores mais conhecidos e prestigiados da literatura brasileira, foi escrito em 1868, em São Paulo, e tem por subtítulo Tragédia no Mar.

Para aquecer a discussão e trocar algumas ideias antes da avaliação, sugiro que respondam as seguintes questões:

1. Se fôssemos escrever um parágrafo (média 5 linhas) que sintetizasse o poema Navio Negreiro, como seria?

2. Explique os versos:
a) “Era um sonho dantesco” (IV parte).
b) “Ontem plena liberdade/... Hoje cúm’lo de maldade” (V parte).

3. Contextualize os dois últimos versos do poema.

Sugestão: fonte de pesquisa

Comente, logo abaixo:


21 de julho de 2019

O MUNDO DE AGORA

Admmauro Gommes

O tempo de agora tem cheiro de pólvora 
as placas nas ruas proíbem o trânsito 
de homens e ovelhas que pastam no asfalto 
as máquinas engolem os cérebros dos que 
se atrevem a pensar de perto esses fatos. 

Porque o passado cegou os destinos   
o futuro cinzento a todos consome 
não basta a fome, bandeira inglória? 
Nos furtam direitos, criando pedágios. 
Que estágio vivemos no mundo de agora? 




20 de julho de 2019

COSMONAUTA

Admmauro Gommes

Passei cinquenta anos 
refazendo os planos 
para voltar à lua 
modéstia à parte 
cheguei em Marte. 

Melhorei meu desempenho 
reinventei um engenho 
e no final deste ano 
pela vez primeira 
verei a fronteira de Urano. 

Depois de Netuno 
última bola de gás 
saberei então dos segredos 
e das profecias celestiais. 

Explorei tanto o universo 
de sua gênese às cordilheiras sem fim. 
Só não sei o que se passa 
dentro de mim. 



24 de março de 2019

DIÁLOGO COM A IRRADIAÇÃO


 Admmauro Gommes

Para o Prof. Dr. Ednaldo Ramos
        
Radiação ionizante
que conserva os alimentos.
Ah! se houvesse um jeito
de preservar sentimentos!

Que o corpo não maturasse
que preservasse o que penso
de bactérias daninhas.
E os males que apresento
com radiação não tinha.

Eu seria inalterável
o tempo não me abalava
também não me consumia.
Vantagem ou desvantagem?  
Nada em mim envelhecia.

Desconfio da roupagem:
Uma novidade dessa
toxinas não traria?

Preso num tempo-gaiola
não teria evolução
seria estátua de carne
longe da putrefação.

Lamento que seja assim
com essas dúvidas, embora.
Tenho fungos no olhar
parasitas na memória
a falha molecular
apressa a minha história.


2 de março de 2019

FORMAÇÕES CONTINUADAS DE PROFESSORES: BNCC EM AÇÃO

Nesses últimos meses, o professor Admmauro Gommes ministrou várias palestras e participou de debate sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 

Um público de mais de 800 pessoas acompanhou os eventos em Colônia Leopoldina (AL), Quipapá, São Benedito do Sul, Ilha de Itamaracá e Japaratinga (AL). Em Colônia, fez uma exposição no espaço Casa Dorinha e Chico Loló, a convite do Prof. Dr. José Francisco de Melo Neto, idealizador da Academia de Cultura de Colônia Leopoldina (ACCL).

Nos demais lugares, a organização das palestras ficou por conta da Assessoria de Capacitação, Eventos e Projetos Educacionais (ACEPE), coordenada pela Prof.ª Dr.ª Jaqueline Oliveira.


Colônia Leopoldina
O que muda na Educação com a BNCC


Quipapá (PE), 14/2/2019
BNCC E EQUIDADE: Todos têm direito de aprender




Ilha de Itamaracá (PE), 18/2/2019
BNCC : da discussão à formação de Currículos Escolares




São Benedito do Sul (PE), 19/2/2019
A BNCC na prática da gestão escolar e pedagógica 





Japaratinga (AL), 25/2/2019
A BNCC na prática docente: um olhar para o currículo





admmaurogommes@hotmail.com

081.9 92911071

2 de janeiro de 2019

20 ANOS SEM BENTEVI


           por Admmauro Gommes

Se você me lançar um desafio 
Desembesto fazendo poesia 
Do tufão eu faço calmaria 
E me viro num bicho arredio 
Faço o sol tremer de arrepio 
Faço ele nascer de madrugada 
Só não peça eu que entre na jogada  
Enfrentando o poeta Bentevi 
O maior cantador que eu já vi 
Fazer verso cantando embolada. 

Nesse ano dois mil e dezenove 
Vinte anos faz que ele voou 
A poesia daqui desmoronou 
Mas seu verso ainda me comove 
Se surgiu outro, que me prove 
Que fazia da letra um bisturi 
Na leveza que tem um colibri 
Inventando um negócio sem igual 
No repente, na rima, coisa e tal 
Como esses de Manoel Bentevi: 

“Naquele tempo odiento e obscuro 
Em que a ciência era trancada em um vaso 
Todo mundo imerso no atraso 
Eu olhei na janela do futuro 
O panorama da vida é muito duro 
E o destino do homem vem traçado 
Eu pra ver se obtinha resultado 
Do além e de coisas mais incríveis 
Penetrei no setor dos invisíveis 
Vi o mundo sorrir do outro lado.” 

Eu olhei na janela do passado 
Vi poetas de toda natureza 
Cantando seu país e a beleza 
Vi Ascenso Ferreira assentado 
Teles Júnior e Jaorish ao seu lado 
Elias Sabino, decano e rabi 
Ariano Suassuna também vi 
Ouvindo a poesia completa 
Daquele que nasceu pra ser poeta 
E assinava somente: Bentevi. 



Manoel Bentevi nasceu no Engenho Verde, em Palmares, no ano de 1911. Autodidata, poeta de cordel e cantador de coco e embolada. Inédito por muito tempo, foi promovido em Pernambuco pelo poeta Juareiz Correya, que destacou e projetou o seu trabalho com a edição especial da revista POESIA (nº 3, Nordestal Editora, Recife, 1982), inteiramente dedicada ao seu nome. Publicou o livro Desmanchando o Nordeste em Poesia (Edições Bagaço, Palmares, 1986) e deixou inédito o livro A Beleza Nordestina. Faleceu em Joaquim Nabuco (PE), onde residiu por muito tempo, no ano de 1999.  

Fonte: Poetas dos Palmares, pág. 82 (Org. Juareiz Correya)