26 de agosto de 2014

GUSTAVO MANOEL DIZ QUE OS CANDIDATOS DA MATA SUL NÃO REPRESENTAM NADA

Sem esperança, a descrença é total para as eleições deste ano.

Gustavo Manoel
O apresentador Gustavo Manoel disse em seu Programa Microfone Aberto, na Rádio Nova Quilombo FM (26/8), em Palmares, que se enoja da política que é feita na Mata Sul de Pernambuco. Segundo ele, os candidatos ao invés de usarem a política para levar benefício à população, usam a população para seus próprios benefícios.

Gustavo considera uma vergonha a atuação de certos políticos que só aparecem de quatro em quatro anos, como agora, que surgem nomes de todas as regiões do Estado trazendo promessas vazias.

“Depois do pleito eleitoral, nós ficamos abandonados, como sempre. Nesta região, principalmente no entorno de Palmares, onde não se tem uma indústria” - disse o apresentador e concluiu: “É hora de todos se conscientizarem e escolher bem o candidato certo, pois ainda existem homens de bem na política. Esses são bem poucos, mas existem. Se os deputados que estão aí se dizem realmente representantes da Mata Sul, então, como a região está abandonada, eles são uns incompetentes.”

O apresentador analisou que as cidades circunvizinhas não têm esperança que possam vir dias melhores através do quadro de lideranças que ora se apresenta, por isso, a descrença é total para as eleições que se aproximam em 5 de outubro deste ano.


24 de agosto de 2014

AFINAL, O QUE É CRÔNICA LITERÁRIA?


Botecos
Luis Fernando Veríssimo


Tinha uma mania: colecionava botecos. Não os frequentava, apenas Era um estudioso. Gostava de descobrir botecos e recomendar para os amigos. Ultimamente, vinha se especializando — um refinamento da sua paixão - no que chamava de botecos asquerosos. Daqueles que nenhum fiscal da Saúde Pública incomoda porque não passa pela porta sem desmaiar.
Seu rosto se iluminava na frente de um boteco asqueroso recém-descoberto. Não resistia e entrava. Depois contava para os amigos.
- Uma glória. Sabe ovo boiando em garrafão com água?
- Repelente, não é?
- As galinhas não os receberiam de volta. A própria mãe! Descrevia o boteco com carinhoso entusiasmo.
- E que moscas. Mas que moscas!
Só não tinha paciência com o falso sórdido. Alguns botecos assumiam suas privações como uma declaração de falta de princípios. Ele preferia o sórdido inconsciente, o sórdido autêntico. Principalmente, o sórdido pretensioso. Uma vez contara, extasiado, uma cena. Terminara de comer uma inominável almôndega, pedira um palito para o dono do boteco e desencadeara uma busca barulhenta e mal-humorada, com o dono procurando por toda parte e gritando para a mulher:
- Cadê o palito?
Finalmente o dono encontrara o palito atrás da orelha e o oferecera. Ele se emocionava só de contar.
Os amigos, sabendo da sua paixão, mantinham-se atentos para botecos sórdidos que pudessem interessá-lo. Muitos ele já conhecia.
- Um que tem uma Virgem Maria pintada num espelho com uma barata esmigalhada de tapa-olho? Vou seguido lá. A cachaça é tão braba que tem bula com contra- indicação.
Outro dia lhe trouxeram a notícia do pior dos botecos. Não era um boteco de quinta categoria. Era um boteco de última categoria. Ficava no limite entre a vida inteligente e a vida orgânica. Ele precisava ir lá verificar. Foi no mesmo dia. Ficou estudando o boteco de longe, antes de se aproximar. Tinha um garoto na porta do boteco. A função do garoto era atacar cachorros sarnentos. Quando passava um cachorro sarnento o garoto o enxotava - para dentro do boteco! 
Ele atravessou a rua na direção do boteco com aquele brilho no olhar que tem o pesquisador no limiar da grande revelação, ou o santo antes do doce martírio.
E tem a história do Nascimento, que um dia quase brigou com o garçom porque chegou na mesa, cumprimentou a turma, sentou, pediu um chope e depois disse:
- E trás aí uns piriris.
- O que? – disse o garçom.
- Uns piriris.
- Não tem.
- Como, não tem?
- “Piriris” que o senhor diz é...
- Por amor de Deus. O nome está dizendo. Piriris.
- Você quer dizer – sugeriu alguém, para acabar com o impasse – uns queijinhos, uns salaminhos...
- Coisas pra beliscar – completou o outro, mais científico.
Mas o Nascimento, emburrado não disse mais nada. O garçom que entendesse como quisesse. O garçom, também emburrado, foi e voltou trazendo o chope e três pires. Com queijinhos, salaminhos e azeitonas. Durante alguns segundos, Nascimento e o garçom se olharam nos olhos. Finalmente o Nascimento deu um tapa na mesa e gritou:
- Você chama isso de piriris?
E o garçom, no mesmo tom:
- Não. Você chama isso de piriris!
Tiveram que acalmar os ânimos dos dois, a gerência trocou o garçom de mesa e o Nascimento ficou lamentando a incapacidade das pessoas de compreender as palavras mais claras. Por exemplo, “flunfa”. Não estava claro o que era flunfa? Todos na mesa se entreolharam. Não, não estava claro o que era flunfa.

- A palavra está dizendo - impacientou-se Nascimento. - Flunfa. Aquela sujeirinha que fica no umbigo. Pelo amor de Deus!

Fonte: 
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-cronica-botecos-de-luis-fernando-verissimo


Assista ao vídeo de Admmauro Gommes 
falando sobre Crônica. 
É só clicar em:

16 de agosto de 2014

LETRAS - MERCADO DE TRABALHO

VEJA O MERCADO DE TRABALHO EM QUE

OS DIPLOMADOS EM LETRAS PODEM ATUAR




I. ATUAÇÃO NA ÁREA DE MAGISTÉRIO:
Língua e Literaturas de Língua Portuguesa, Linguística, História da literatura, Redação, Produção de textos, Ensino de línguas estrangeiras e Tradução,

II. ASSESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA
As grandes empresas modernas têm uma assessoria para cuidar da comunicação social, da publicação de uma revista ou de um boletim, assim como de cursos de treinamento de funcionários e da redacção correta dos documentos da instituição.

III. ASSISTENTE DE DIRETOR DE PRODUÇÃO
Um campo pouco explorado até hoje e timidamente considerado como campo possível de atuação para diplomados em Letras, é o de assistente de produção nos programas de rádio, de televisão, de cinema, de vídeos e de cd-rons.

IV. REDATOR E REVISOR
Trata-se, evidentemente, de uma fatia ampla, que ultrapassa a necessidade das redações dos jornais. A realidade da informação e da comunicação levou-a aos gabinetes dos ministérios e das grandes empresas assim como às redações das revistas e às salas das editoras e das gráficas.

V. CENSOR FEDERAL
A censura federal é uma área pouco conhecida e de pouca demanda por parte dos diplomados em Letras. Mas foi até agora, curiosamente, uma área de grande consumo social e do maior interesse. (...) É um dos cargos acessíveis a pessoas bem preparadas e tem bons salários. 

VI. EDITORAÇÃO
Neste tipo de trabalho, serão selecionados naturalmente aqueles que tiverem maior vocação para a crítica textual e para a preparação de edições de textos literários nacionais e estrangeiros, havendo ainda um grande campo para a editoração de traduções originadas em textos de literatura estrangeira.

VII. PESQUISA LITERÁRIA
Através destes profissionais pode ser ousado o lançamento de enciclopédias, de coletâneas de textos, de séries críticas em literatura, de textos de cordel, dicionários sobre escritores, dicionários de literatura brasileira, de literatura estrangeira, de linguística, de termos literários, de redação, histórias da literatura, biografias literárias, dicionários de língua portuguesa e de línguas estrangeiras.

VIII. EDIÇÃO DE VÍDEOS E CD-RONS LITERÁRIOS, HISTÓRICO-LITERÁRIOS E LINGUÍSTICOS. 
Entremos agora em outro campo interessante. (...) Dependendo da qualidade do planejamento e da capacidade de execução, verbas federais, estaduais, bancárias, municipais e empresariais, podem abrir uma frente interessante que mobiliza pessoas adestradas e preparadas, para apresentar, com nível cultural, pedagógico e didático a história literária e o ensino da língua materna ou língua estrangeira.

IX. REDAÇÃO PARLAMENTAR
O redator parlamentar é encarregado de elaborar discursos parlamentares, relatórios ligados à atividade legislativa, minutas de indicações, de requerimentos e de pareceres, de pronunciamentos parlamentares ou legislativos em especial. Além do Congresso Nacional, as assembleias legislativas dos Estados e a Câmara dos Vereadores dos municípios oferecem este tipo de concurso e de emprego.

X. PLANEJADORES, COORDENADORES, ORGANIZADORES DE CURSOS E CONGRESSOS, AUTORES E DIRETORES EDITORIAIS
É este um campo muito fértil e requer boa preparação técnica, capacidade de organização, talento, visão e pesquisa. É, certamente, um rendoso mercado de trabalho.

XI. TRADUTOR E INTÉRPRTE
Para atuar com sucesso, pressupõe-se um trabalho montado no conhecimento de duas ou mais línguas, uma segurança de conhecimentos, praticidade para aliar conhecimentos, relações humanas e público, e uma habilidade técnica especial.

XII. CONTADORES DE HISTÓRIAS E DE OUTRAS ATIVIDADES ARTÍSTICAS
Neste sentido, seria muito natural para pessoas formadas em Letras, criar, por exemplo, um grupo voltado para a leitura de textos dramatizados para crianças, adultos e idosos, tipo grupo de contadores de histórias, conectado com outras atividades artísticas.

XIII. BELETRISMO
Durante muito tempo, o homem erudito, das sociedades clássicas e modernas, cultivava a figura do "letrado", do poliglota, do humanista versado nas Belas-Letras, do professor culto que tinha orgulho (...) A tendência predominante do mercado é ter um especialista, alguém versado num ramo: professor numa área de conhecimento, tradutor, intérprete, linguísta, teórico da literatura, historiador literário, semioticista, etc.

XIV - CURSOS DE TREINAMENTO PROFISSIONAL
Além da atuação em fundação de microempresas e no magistério em grupos de preparação para concursos e treinamento, existe paralelamente, outro setor. É aquele que redige, seleciona e prepara os originais das apostilas necessárias ao curso. Isso pode representar uma boa entrada financeira para os que as elaboram.

XV. SECRETARIADO EXECUTIVO
A empresa moderna caracteriza-se em seus quadros pela figura da secretária-executiva, que muitas vezes se transforma em chefe de gabinete do diretor ou do Presidente da empresa. Essa figura pode ser uma secretária com prática em redação oficial, com experiência em redação e experiência administrativa, e sobretudo secretária bilíngue, trilíngue e até em multinacionais mais sofisticadas uma secretária com conhecimentos em 4 línguas. (...) Tudo depende, evidentemente, da empresa, da preparação técnica, da adaptação pessoal e da complexidade do emprego.


Como se vê, além do mercado tradicional do magistério, sempre interessante e acessível, outros caminhos se abrem para os recém-formados de Letras.





Leia o texto na íntegra em:

http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=396&cat=Ensaios&vinda=S



15 de agosto de 2014

O ÊXTASE DO PÁSSARO

Por Marcondes Calazans




Lendo o texto suave da Cida, fui convidado a me interiorizar, a olhar  para dentro de mim e buscar em minhas lembranças o passado de um escritor da nossa região que, como Rubem Alves, também desencantou do atual plano em que nos encontramos e foi levado para as esferas universais da existência incorpórea.

O Ascenso Ferreira (1895-1965)  que bem emblema as frases do Rubem Alves citadas pela Cida, de forma deveras especial, no poema “Minha Escola” publicado no livro Catimbó em 1927. O poema de Ascenso, quando levado ao conhecimento da sociedade da época provocou  comoção em estudantes e professores, quando falou:

 A escola que eu frequentava era cheia de grades como as prisões.
E o meu Mestre, carrancudo como um dicionário;
Complicado como as Matemáticas;
inacessível como Os Lusíadas de Camões! 
                           (Ascenso Ferreira)

Rubem A. Alves (1933 - 2014), por sua vez, pela versatilidade de sua obra, embora, não tão perto de Ascenso no tempo, conseguiu ser convergente ao escrever sobre a escola, muito bem apontado pela eterna educadora Cida.

Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. (Rubem Alves)


Um detalhe em destaque nos versos  de Ascenso e Rubem são duas palavras. O primeiro usa o termo  GRADES, o segundo, GAIOLA que em sua estrutura se fundem, especialmente quando a metáfora revela professores e alunos vítimas das grades curriculares obrigados a adotá-las sem questionar.
Pois sim, amiga Cida, o Rubem, pela vastidão do que escreveu, dando ênfase a vários temas, não devia ter desencantado tão cedo, pelo muito que ainda tinha que nos presentear em tudo o que escrevia.

O psicanalista, o educador, o teólogo, o pedagogo foi levar seu encantamento a outras esferas universais e, guarde uma certeza, ele se encontra em algum beiral no Cosmo, junto com os demais, a receber na fronte, de forma suave, o vento sopro de Deus, recheado de felicidades por tudo que nos deixou escrito, na expectativa de que através de suas obras e de nós, o Planeta Terra pode ser um pouco melhor do que tem sido.

E concluo dizendo que, se o “Voo nasce dentro dos pássaros”, podemos concluir que gaiola, ou grade alguma poderá deter o seu arrebatamento, encantamento, êxtase.




9 de agosto de 2014

SALVE, RICARDO GUERRA!

Por Admmauro Gommes




Ricardo Guerra é um dos maiores talentos pernambucanos escondidos no interior do Estado. Mora em Jaqueira, de onde não pretende sair nunca. Nem depois da vivência. Sua lente fotográfica registra tudo que se passa em sua terra: da benzedeira, passando pelo homem da cobra, até um novo-velho linguajar que apelidou de jaqueirês. A feira livre e os bêbados que protagonizam este encontro festivo, assim como a imagem telúrica da lua nascendo por trás da Serra da Burarema... tudo é motivo de orgulho desse historiador e contador de estórias verídicas e inventadas. Para mim, Jaqueira começa com ele, como disse em um poema do ano passado (JAQUEIRA):                  
       
Jaqueira lembra saudade
de um fruto da boa terra,
que lembra casa de amigo,
que lembra Ricardo Guerra.

Danou-se nega do doce
tanta poesia se encerra
na pena deste poeta
do povo Ricardo Guerra.

Pra mim, o nome Jaqueira
da Burarema, a serra
pode assim ser resumido:
Ricardo Antônio Guerra.


Tive a felicidade de escrever algumas linhas sobre o seu livro Danou-se nega do doce que na sua publicação confirmará todo o encanto de uma gente pernambucana, sob o olhar encantado de um de seus mais felizes filhos.

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O JAQUEIRÊS TRAZ UMA PUREZA LÍMPIDA QUE AS ACADEMIAS COM SUA FORMA CULTA JAMAIS ALCANÇARÃO - Marcondes Calazans 


O literato Ricardo Guerra, que carrega infinita bagagem de historiógrafo, e dos melhores, diga-se de passagem, consegue com suas letras nos reportar ao passado e jogar-nos numa palavra que de tão doída torna-se prazerosa quando vamos ao passado. Essa palavra é a saudade. 

Lendo o linguajar jaqueirês, lembro-me de uma frase de Marcos Bagno, quando fala: “A língua é como um rio que se renova, enquanto a gramática normativa é como a água do igapó, que envelhece, não gera vida nova a não ser que venham as inundações.”

O escritor Ricardo Guerra é essa inundação como um rio que se renova gerando vida nova nas maneiras e formas diferenciadas de falar, fazendo valer na comunicação o que é mágico, e entender o outro independente de normas clássicas.

O jaqueirês traz uma pureza límpida que as academias com sua forma culta jamais alcançarão. “Uma receita de bolo não é um bolo, o molde de um vestido não é um vestido, um mapa-mundi não é o mundo... Também a gramática não é a língua.” (Bagno)

Parabéns, generoso amigo pela grande contribuição para nossa História e para nossa língua. Maravilhosos textos!

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RICARDO GUERRA: UM AMANTE DE JAQUEIRA - Cida Vilas Boas 


O literato, colunista, historiador, professor, fotógrafo, amante de Jaqueira, plantas, animais, Geep, carnaval, festas juninas, e muito mais que ainda não conheço, tem uma especial atenção em conservar tudo que é de sua terra e região. E o faz com tamanho amor que eu, mesmo de longe, aprecio tudo que diz a respeito de Mata Sul.

Penso que não existe escritor na face desta terra que dê tal valor para aquilo que é seu. Desculpa essa frase, mas acho que Ricardo Guerra já é dono, tomou posse dessa região, de sua gente, seu legado histórico, de seus usos e costumes. É um verdadeiro ícone, nosso querido Guerra que não faz guerra, mas faz histórias.

Indiscutivelmente, Ricardo é um símbolo, um identificador dessa Região rica em poetas, escritores, façanhas heroicas de defensores de sua terra. 

Gostei muito, meu caro amigo, de sua "escrivinhação" intitulado Onomatopeia pela sequência de termos que me retorna a uma infância longínqua, mas mentalmente bem preservada visto que por aqui, desde que me conheço por gente, é recheada de simpáticos e alegres nordestinos.

Estou familiarizada com esse gostoso e sonoro sotaque. Que Deus abençoe a você, Ricardo Guerra. Que lhe conserve essa mente criativa e amorosa e continue a nos presentear com essa presença escrita em versos e em prosa pois que seu jeito de ver "Suas" coisas é, no mínimo, muito peculiar, engenhosa, travessa, farta em detalhes e abençoada.

Espero outras onomatopeias, e outros nhe-nhe-nhes de redes balançando.


Obrigada por seu dom tão bem explorado e que traz aos nossos sentidos uma visão ornamentada desse pedaço de MUNDO.

Dedé, RG, AG e VCA

Agradecimentos
FINALMENTANDO A ESCRIVINHAÇÃO
– Ricardo Guerra
Caros literatos Admmauro Gommes, Marcondes Calazans e Cida Vilas Boas. De antemão, agradeço os elogios generosos de todos vocês a mim dispensados. Ao poeta, professor, literato e amigo Admmauro Gommes devo-lhe dizer, caro Mestre, que realmente eu sou um “humilde escrevinhador” das coisas da minha terra, da minha região, do meu país. Faço isto por acreditar piamente que não existe uma Literatura Universal e muito menos Regional, nunca houve e nunca haverá, por um simples motivo: a Literatura nasce local, se ela se torna regional ou universal não mais está no controle do autor mas de outrem.
É muito prazeroso escrever sobre o que se conhece e, mais ainda, quando se conhece e se viveu o que escreveu, pois entendo e pratico que conhecer as histórias do seu povo é de fundamental importância para o historiador adicto, todavia, sem analisá-las com criticidade é preferível ficar no limbo da ignorância absoluta perante esta história, posto que a verdadeira essência e a ciência da disciplina estão embutidas em sua analogia com os dias atuais. Porque é impossível compreender o presente separando-o das condições criadas pelo passado. Afinal, tive o privilégio de tê-lo como meu professor de Literatura Brasileira.
Ao amigo e sábio historiógrafo e professor Marcondes Calazans, entendo e concordo contigo e com Câmara Cascudo quando este afirma: 
Queria saber a história de todas as cousas do campo e da cidade. Convivência dos humildes, sábios, analfabetos, sabedores dos segredos do Mar, das Estrelas, dos Morros Silenciosos. Assombrações, Mistérios. Jamais abandonei o caminho que leva ao encantamento do passado. Pesquisas. Indagações. Confidências que hoje não têm preço”. 
Todavia, não abdicarei nunca de mesclar a língua brasiliana com o meu jaqueirês, tendo em vista ser esta a minha coluna mestra, diria, a viga mestra da cumeeira da casa dos meus pequenos escritos. Com sua peculiar sapiência estás correto, caro amigo, ao citar Bagno “A língua é como um rio que se renova, enquanto a gramática normativa é como a água do igapó, que envelhece, não gera vida nova a não ser que venham as inundações.” O jaqueirês é como este rio, vivinho e se bulindo o danado.
A escritora, literata e poetisa Cida Vilas Boas, como toda poetisa, enxerga o mundo através dos olhos de uma criança e com sua percepção inerente apenas aos poetas tem toda razão quando afirma que: “... Ricardo tem uma especial atenção em conservar tudo que é de sua terra e região. E o faz com tamanho amor que eu, mesmo de longe, aprecio tudo que diz a respeito de Mata Sul”. Realmente, escrevo com amor e por amor a minha terra e grande respeito por seus habitantes.
“Finalmentando a escrivinhação,” reitero humildemente os agradecimentos às palavras elogiosas proferidas por vocês a este matuto. Desses que mesmo quando sai de dentro do mato, o mato nunca sai de dentro dele.
Isto só me incentiva em continuar.
Muito obrigado a todos.
Da minha bucólica e aprazível Jaqueira, adentrando o mês do agosto do ano que nos engana.  
  











6 de agosto de 2014

O VOO NASCE DENTRO DOS PÁSSAROS

Por Cida Vilas Boas (São Paulo)

Professor Admmauro Gommes: Preciso parabenizar o grande literato Marcondes Calazans. Mas, não querendo abusar de seu grande ideal de fazer chegar àqueles que apreciam uma boa literatura, eu gostaria de incluir umas pequenas referências a um de meus autores preferidos: Rubem Alves.

Cida Vilas Boas 
Rubem Alves, um dentre tantos outros grandes escritores de respeito do Brasil, completou, infelizmente, o trio entristecedor de perdas num intervalo tão curto. Com um currículo invejável encontrou, na literatura, no magistério e na poesia um néctar dos deuses que o acompanhou durante sua vida aqui na terra.

Lendo o artigo de Marcondes Calazans ilustrando a caminhada pós-morte do grande Ariano Suassuna, "Os gênios não morrem", cujo título é uma verdade muito bem colocada, num artifício genial e imaginário, do encontro desses personagens numa outra dimensão, achei por bem incluir Rubem Alves nesta festa de intelectuais. Tenho certeza que estará à altura deles.

Sabe, eu poderia ficar escrevendo páginas e mais páginas sobre este escritor, mas vou ser sucinta e dizer apenas duas frases dele que me marcaram muito:
"Sou um pouco ator como todo professor deve ser"
e "Tem escolas que são asas e escolas que são gaiolas...
...
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer porque o voo nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado."
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“Cida sempre me encanta. Ela tem a sensibilidade de 1000 mulheres juntas. Quando li sobre o voo e os pássaros, lembrei disso: "Algumas pessoas dão pena, outras dão asas". Sylvia Beltrão

30 de julho de 2014

ARIANO SUASSUNA, PAULO KATU, MARCONDES CALAZANS, CIDA VILAS BOAS, ADMMAURO GOMMES... SÓ DISCORDEI DE FERNANDO PESSOA

                                                                    Sylvia BeltrãoSão José da Coroa Grande/PE

 “Quantas horas de seu dia e de suas noites são consumidas para preparar jornais, seminários, palestras; quantos passeios e diversões foram trocados para transmitir a nós, aquilo que é para você um alimento de sua alma?”.
Começo logo confessando que essas palavras não são minhas, mas eu concordo com cada uma delas. São da poetisa Cida (falando sobre a genialidade de Admmauro Gommes e o sucesso de seu blog). Eu também já me questionei várias vezes com essas mesmas perguntas. Esse blog é para mim um “livro mágico”, estudo ele mesmo! Os motivos são simples: Admmauro joga poucas palavras aqui, e eu acho o máximo.
Cida sempre vem com uma sensibilidade ímpar e consegue me encantar (gostaria de conhecê-la pessoalmente). Calazans é um fenômeno! Quando ele começa com seus: “Em um certo dia, em um certo lugar...” eu já começo a viajar, e depois do término da leitura, ainda demoro para voltar da tal viagem. Os textos dele brilham: “Eu sei, eu só sei que é assim!”. A sensação não foi diferente quando eu li o artigo dele sobre Ariano.
Para completar o time, chegou Katu como mais um personagem do livro mágico. Eu sou suspeita a falar porque já recebi desse cordelista querido, o título de “katuete nº 1”, e fiquei toda prosa quando soube que tentaram roubar meu título e ele não deixou. Eu já sabia que Katu teve o privilégio de conversar com Ariano, então quando eu vi as homenagens a este mestre, aqui no blog, decidi “katucar” Katu: “Ei rapaz, visita o blog de Admmauro, dá uma lida no artigo de Calazans e deixa teu comentário por lá... Arrebenta, Katu!”. Fiquei na expectativa. Eu tinha certeza que esse cordelista não decepcionaria sua katuete. Ele seguiu meu conselho e arrebentou! Comecei a ler seus versos e lembrei de Fernando Pessoa quando metralhou: “O poeta é um fingidor / finge tão completamente / que chega a fingir que é dor / a dor que deveras sente”.
Katu não fingiu, nem pouco nem completamente, nem fingiu que era dor a dor que deveras sente. Seus versos foram extremamente verdadeiros e deveras emocionantes. Preciso provar? É sempre bom, não é mesmo? Vamos lá: ”Não posso demorar mais / Por causa dos olhos meus / Que lamentam a partida / Desse gênio que morreu / Durma em paz pernambucano / Paraibano Ariano / Grande poeta, adeus!”.
Sylvia Beltrão
Katu me provou que não é um poeta fingidor e é a exceção da regra de Pessoa. A dor que Katu sente, também estamos sentindo. Busquei minha avó Sílvia Reis, que tem pouco estudo, mas ficou profundamente triste quando soube da morte de Ariano. Li os versos de Katu para ela e perguntei: “A senhora acredita que este poeta fingiu ao falar sobre Ariano?”. Ela me respondeu com toda a certeza que havia nela: “Fingiu não! Gostei disso aí, quem escreveu?”.
Comprovando a minha tese: Não precisa ser letrado e nem tampouco poeta, para sentir a veracidade desses versos. Basta apenas ter um pouco de Ariano em si. E isso, cada um de nós temos, com certeza. Concordei com quase todos, só discordei de Fernando Pessoa... 

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De São Paulo, Cida Vilas Boas (31.7.14)

Meu grande e querido amigo Admmauro Gommes:

Qdo abro minha caixa de e-mails e vejo que tem algo seu ou do Professor Wilson, a curiosidade me aguça tanto que me direciono imediatamente a ele.

Imagina então, eu me deparar hoje com três mensagens suas. E de gorjeta uma de Wilson mostrando-me seu elogio ao poema que lhe mandou. Ri de mim mesma (é verdade, eu rio muito de mim mesma, até das confusões e esquecimentos que meus netos chamam de caduquice, e talvez sejam mesmo).

Li com muita atenção o post de Sylvia Beltrão onde ela gentilmente me inclui em seu requintado texto. Ela é genial para dizer o mínimo. Com que sutileza engrandeceu a memória de Ariano Suassuna e ainda dando destaque à opinião de sua vovozinha, que deve ser uma sábia.

Com grande veracidade, o poeta Paulo Katu cognominou-a de Katuete N° 1. Tem ela toda razão por sentir seu ego explodir dentro do peito. Ariano Suassuna deve estar com olhares lacrimosos por ver seu trabalho tão maravilhosamente admirado e reconhecido. Que Deus o tenha em sua mansão divina. 

Queira, por favor, parabenizá-la por mim.


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De Palmares (PE), Marcondes Calazans (31.7.14)

SYLVIA:

O texto da Sylvia, uma mágica na forma de muitas vezes juntar o aparentemente complexo, torna o fato tão simples, tão saboroso de saber, ler pureza absoluta de suas palavras.

Os retratos colocados acima do texto da Sylvia, com o Ariano com o dedo na boca extremamente interrogativo faz-me imaginar o que se passava por sua reflexão, tudo quanto foi escrito sobre ele no blog literatura que, talvez nem soubesse que existia, e de forma mágica, a partir do seu encantamento descobriu existir.

O blog literatura é uma grande terapia para quem ama a boa, suave e regeneradora leitura. O Admmauro é um mágico na arte de organizar as coisas, especialmente quando faltam as vírgulas, os pontos e as reticências. Nasceu para nos dar o prazer na certeza de que existimos. Seu (nosso) blog é esse bálsamo “benigno” a provocar muitas vezes o intelecto de quem pensava não tê-lo, não existir pelas limitações no uso da norma culta no ato de escrever.

E o texto da Sylvia que é a pauta do que estou tentando falar! Genialidade de quem fez escola nas aulas da generosidade e da arte de bem definir o outro no limite da descrença de quem nunca se imaginou como ela escreve.

O Katu é do tipo de cordelista profundamente diferente dos cordéis que já li por esse mundo afora. Ele nos desobriga o que é comum muitas vezes nos versos que criam os outros ao inventarem suas histórias. Katu não brinca com a verdade existente em cada palavra que escreve nos joga no real muitas vezes nostálgico dos fatos que produz com profunda cordialidade. Maravilhoso o que escreveu sobre Ariano, sinergia pura. Concordo com Sylvia quando afirma: 
“Katu não fingiu, nem pouco nem completamente, nem fingiu que era dor a dor que deveras sente. Seus versos foram extremamente verdadeiros e deveras emocionantes.”

É isso que estou tentando dizer, seus versos não foram uma invenção do imaginário do poeta que busca em sua imaginação os motivos de sua inspiração. Ele falou com a própria alma, essência, e é isso que o torna diferente dos demais.

Intrépida e perspicaz poetiza Sylvia, magnífico texto, pois as citações quando menciona a poetiza Cida, nos joga na impressão que por mais distante que ela esteja na geografia desse imenso país, juntinha de cada um de nós se encontra na interconexão espiritual que nos une, prova que não há distância quando o tema é poesia, é verso, e prosa.

Quão maravilhosa é a existência de vocês em minha vida!

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Do Brasil, poeta Paulo Katu

REVELAÇÃO

Pois é, Marcondes. Se eu fosse culto como és, o que se manifesta nessa linda poesia sua, também poderia descrever com justiça a poetiza Sylvia Beltrão, mas mesmo desse estado leigo que me encontro, digo que poucas pessoas conseguem fazer uso das palavras como Sylvia, ela verdadeiramente SE REVELA. 

Quanto a você, Cida, fique sabendo que essa "caduquice" é um privilégio de poucos. Prouvera Deus que fôssemos agraciados com mais um "punhado" dessas caducas que escrevem divinamente. Isso transformaria esse mundo bem melhor para vivermos.


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Ela responde

Estou muito emocionada com os adjetivos fortes que vocês me deram. São presentes que levarei sempre comigo. Passei uns dias pensando em como agradecê-los e entrei no blog justamente para confessar que fracassei.

Não encontrei definição para o tamanho dessa emoção. Acredito que senti exatamente o que sentiu um dos jogadores da Alemanha na final da copa do mundo. Perdoem-me, não sei o nome dele, mas lembro com tamanha precisão das palavras que ele utilizou para definir seu êxtase: “Quando eu não consigo encontrar palavras para definir o que sinto, é porque o momento é extraordinário”.

Volto a concordar com Calazans: “Quão maravilhosa é a existência de vocês em minha vida!”. Muito obrigada mesmo!

Um abraço poético de Sylvia Beltrão!


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Leia o poema O livro mágico em: