4 de março de 2020

POEMA PARA COMENTAR

PROCURA DA POESIA
Carlos Drummond de Andrade

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.

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Leia o texto completo:


20 de fevereiro de 2020

NOÇÕES DE LITERATURA

Vivenciamos na Famasul mais um módulo de Teoria Literária I (12 a 20/2/2020). Considero satisfatória a participação dos universitários que, interagindo com a base conceitual da arte que utiliza a palavra de forma figurada, criaram vários textos no formato de aldravias (poemas sintéticos de apenas seis palavras).

Durante a semana, tivemos a oportunidade de contar com depoimentos de ex-alunos da disciplina e agora professores. Aparecida, Wesley, Socorro Durán, Davi Mota e Gleidistone abrilhantaram as aulas alargando as concepções sobre o fazer poético.

A turma ainda produziu um Memorial, que serve como registro das acaloradas discussões.










Na última aula do período, antes do carnaval, encerramos com o conteúdo do item 1.2 do Plano de Ensino:

FUNÇÕES DA LITERATURA
Fonte: TAVARES, Hênio. Teoria Literária. Belo Horizonte: Villa Rica, 11ª Edição, 1996.

Evasão
Literatura como compromisso
Ânsia de imortalidade
Lúdico e
Sinfronismo



19 de fevereiro de 2020

QUESTÕES DE TEORIA LITERÁRIA

Tomando como base o pensamento de Mário de Andrade:
O que o meu inconsciente me grita,” escreva um breve texto a respeito da criação literária (como surge um poema e sua relação com a poesia).



Sugestão esperada de resposta:

João Vitor Pedrosa da Silva Ferreira (Teoria I/Famasul) 
            Muitas pessoas acreditam que para se criar um poema é preciso ter "inspiração". Porém, segundo o dicionário, inspiração nada mais é do que um conselho, uma sugestão ou uma influência ditada por alguém.
Portanto, para nós do âmbito literário, acreditamos que existam motivações e não inspirações. Pois, estamos tratando mais de técnica e dedicação, e não "de algo que surge do nada".
Ressaltando que, esta tese não foi apresentada apenas por uma pessoa. Alguns poetas conhecidos, como Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Mário Quintana e Carlos Fuentes também reafirmam a teoria de que para se compor um poema, é necessário muito esforço, como diz Fuentes: "Creio na disciplina, às oito da manhã, com minha caneta, até uma da tarde e depois, até de noite, trabalhando".
Ou seja, podemos até utilizar exemplos próprios ou situações vividas. Porém, o que faz com que um poema seja escrito com êxito, é o treinamento. A sua relação com a poesia é que, através dos versos e da composição do poema, o eu lírico pode se sentir à vontade, esbanjando sempre imaginação e sentimentalismo e faz com que o leitor viaje para um mundo complexo, repleto de pensamentos e reflexões.
Mas como podemos relacionar todo esse conceito ao trecho citado anteriormente?

Observemos o contexto poético: Ele está se referindo ao eu lírico como forma de uma voz, gritando em seus pensamentos. Como se o seu inconsciente lhe quisesse transmitir algo. Contudo, pode-se concluir que se trata do abstracionismo. Ou seja, abstrações criadas pela mente, uma vez que o nosso consciente é como a sonoridade da música, apenas facilita o que o emissor quer transmitir. Mas quem vai se encarregar de trazer a mensagem é a composição, o poema.
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Miguel Peixoto de Lyra Neto 

Muito se discute que para se criar um poema dizendo que é preciso ter "inspiração". Porém, inspiração é a capacidade criativa para motivar alguém. Fica claro que não existem inspirações e sim motivações.

Um poema não pode nascer de uma hora para outra, como se viesse do nada, como se tudo surgisse do improviso. Ele surge da visão dos sentimentos do autor, referente à poesia, que tem na sua essência algo inclassificável. Assim, cada autor, diante de um objeto ou situação, recebe estímulos diferentes para produzir um poema.

A poesia, por mais que alguém tente entendê-la sua relação com o poema é através dos versos e da composição, fazendo com que o eu lírico sinta-se à vontade, proporcionando ao leitor viajar para um mundo repleto de pensamentos e reflexões.

Podemos relacionar todo esse conceito ao texto citado acima, se referindo ao eu lírico como forma de uma voz gritando em seus pensamentos, transmitindo algo em seu inconsciente. Percebe-se que é algo abstrato, criado pela mente, para facilitar o entendimento que à mensagem.
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 Rayanna Flávia da Silva 

O surgimento de um poema está ligado às técnicas desenvolvidas por um poeta ao longo dos seus anos de trabalho, não tendo relação nenhuma com o que conhecemos por inspiração. Deste modo, o conceito desta palavra é entendido como uma ideia externa, dita por alguém ao artista e que o leva a escrever.

Neste caso, é possível concluir que não existe inspiração e sim motivações, como situações vividas pelo poeta em seu cotidiano. Por isso, a poesia se manifesta dentro do poema como a transfiguração dos sentimentos do eu lírico por meio dos versos e que poderá causar comoção no leitor.

Quando Mario de Andrade diz "O que o meu inconsciente me grita," refere-se a uma "voz" dentro de sua mente que serve como auxílio para que ele escreva, que pode ser entendida como fonte para suas ideias e que, juntamente com seu conhecimento literário, dará origem ao texto.
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David Rodrigues

O poema, surge, por meio das vontades e desejos internos, de registrar e transmitir sentimentos e emoções. A fim de que ouvintes e leitores se motivem a criar e refletir sobre a realidade e alto se repreenda, revisa conceitos e pensamentos.

Segundo Octávio Paz “O poético é a poesia em estado amorfo, e o poema é uma construção. É poesia erguida”. A “poesia, vive num estado amorfo, o poético é amorfo. Ele pode estar num pôr do sol, numa pintura”. “O poema é um organismo verbal, que contém, suscita ou emite poesia”. Ou seja, é por intermédio do poema que expressamos a poesia.

Assim, uma simples escritura, com metrificação, rimas e ritmos não torna a poesia em poemas. Para que seja mesmo um poema, precisa “ter ou emitir uma poesia”. Num poema contém sim, linguagens, escritas, métricas, rimas e ritmos. Mas esses elementos, devem vir com a poesia expressa e percebida.
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Washington

Para criar um poema, não precisa de uma "inspiração" e sim técnica e dedicação com relação à prática na criação do poema, pois sabemos que: "A prática leva a perfeição".

Quando nos sentimos motivamos ou até mesmo desafiados a compor um poema, permitimos deixar que o eu lírico flua com a imaginação e o abstratismo, fazendo com que o poema seja algo que possa viajar por diversos lugares onde a realidade não permita.

Ao dizer " O que o meu inconsciente me grita" Mário de Andrade, refer-se aos sentimentos que gritam, pois o inconsciente, segundo estudiosos, é um fenômeno que ocorre sem o controle da mente. Ou seja, é como houvesse uma transmissão entre o consciente e o inconsciente! Sendo o inconsciente sem filtro, podendo até agora ou pensar de maneiras inadequadas, e o consciente é que pensa antes de agir existindo um controle maior.

Sendo assim, a ação do inconsciente como um grito, algo abstrato, que está dentro da mente e influencia cada ser pensante.



Comentários encerrados. 
Agradeço a participação de todos.


9 de dezembro de 2019

ALDRAVIA: experimento literário na Famasul


Admmauro Gommes

Nos últimos 30 dias, 13 poetas ligados ao curso de Letras da Famasul/Palmares-PE (professores, formandos e egressos) adotaram o gênero Aldravia como experiência literária.

Como bem entendeu Pamella Emanuella: “A aldravia é mais um caminho (sem volta) da poesia que, mesmo com toda sua grandiosidade, consegue por seis versos unificá-la. Pela prática, as aldravias acontecem e surpreendem o próprio escritor. Esse embrião poético crescerá! Assim, o aldravianista se depara e dispara em seis palavras puras de teor literário. Às vezes é fácil, às vezes, paramos para pensar na terceira palavra. Devemos ir mais a fundo desta forma, tomar como sugestão e recriar...”

Mais de 500 textos poéticos foram criados e me enviados via whatsapp. Vejam/ poemas/ que/ produzimos/ alguns/ exemplos:

1. Admmauro Gommes
flores
flácidas
flamejam
fim
do
outono
*
muitos 
silêncios
no
último
grito
*
sugestão
de
crítica
começar
pelo
espelho


2. Davi Mota do Nascimento
lançar
seis
palavras
compreender
inúmeros
grãos
*
vaqueiros
vagueiam
nos
ermos
solos
lacrimais
*
entre
ângulos
círculos
retângulos
universo
arquitetônico



3. Izabelly Karla de Souza Ferreira
corpos
ligados
entre
uma
pessoa
estranho
*
segredo
confiança
amizade
guardar
as
chaves
*
som
seu
sua
sem
sonoridade



4. Jadson Alexandre da Costa
tenho
medo
da
dor
da
despedida
*
cada
degrau
enfrentado
um
sonho
realizado
*
boi
com
fome
sede
bebe
lama




5. João Constantino Gomes Ferreira Neto

agora
preciso
seguro
maduro
impávido
muro
*
porque
amor
seria
será
ser
ia.
*
no
luto
saudade
da
luta


6. Karina Manuela França 
castelos
de
amores
paixões
que
aprisionam
*
medos
destroem
metas
coragem
edifica
sonhos
*
cabelos
encaracolados
pele
crioula
beleza
empoderada


7. Kennedy Wellington Moreira
vida
prematura
acidental
amor
incondicional
mãe
*
fruta
mata
sede
sacia
fome
alma
*
do
nada
fluem
mananciais
límpidos
potáveis


8. Libene Tenório
guinche
meus
sentimentos
que
você
paralisou
*
perfuma
tudo
novamente
penetrando
com
riso
*
tão
invisíveis
catapultas
atravessam
meus
ideais



9. Luan Araújo do Nascimento
existência
tão
frágil
mundo
de
ilusões
*
destino
prega
peças
vida
prega
morte
*
amor
serei
em
um
mundo
amorgurado


10.Marcia Maria da Silva
teus
abraços
perfume
de
lírio
delírio
*
no
íntimo
sonhava
com
amado
desalmado
*
noite
de
luar
sozinha
no
altar


11. Maria Aparecida Santos da Costa
leia
tome
um
café
seja
feliz
*
insegurança
medo
ansiedade
males
do
século
*
família
domingo
casa
dos
avós
paz


12. Pamella Emanuella G. de Lima
sussurros
pelos
ares
frenética
alquimia
corporal
*
beijo
forçado
gosto
de
alma
mordida
*
canto
de
sereia
vela
marujos
silenciosos


13. Tony Antunes
poesia
sincera
versos
flutuantes
magia
quimera
*
etérea
onda
mar
sem
fim
nau
*
lépidos
trépicos
trópicos
amores
tortos
fervores

9 de novembro de 2019

ECLIPSE: Graças Santos comenta

ECLIPSE (Admmauro Gommes)

Que mensagem nos traz esse eclipse?!
Voa flecha escura pelo ar
Bem próximo do Apocalipse
Uma besta de óleo sai do mar.
Sete chifres de morte se levantam
E das águas surgem pra matar.
Que perverso projeto desumano
Capaz de envenenar um oceano!


ECLIPSE E AS VÁRIAS VERTENTES DE UM POEMA
(Maria das Graças Santos)

O poema Eclipse de Admmauro Gommes nos permite várias vertentes para que se possa fazer uma análise literária. Pois retrata de forma bem sucinta o momento tenebroso, quando as águas se enfureceram em consequência do petróleo derramado que sujou o oceano, e que causou grande desastre ao meio ambiente.

No verso “Que mensagem nos traz esse eclipse?” em linguagem metafórica, pode-se ilustrar uma linda viagem marítima, céu claro, sol brilhante, águas límpidas, destino esse que levaria a lugares paradisíacos jamais visitados, mas de repente a calmaria foi surpreendida por uma grande escuridão. É neste momento que o autor faz analogia entre o real, quando o sol é encoberto e tudo escurece, com o breu, provocado pelo petróleo, que tornou o mar negro. E continua: “Voa flecha escura pelo ar” (...) "Uma besta de óleo sai do mar./ Sete chifres de morte se levantam. ".

O eu lírico sugere que a besta é a figura da morte (Apocalipse 13: 1-4) “E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas (...) Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?”

Daí os animais marinhos, peixes e outras espécies em meio ao enorme e catastrófico desastre ecológico, mesmo agonizando tornaram-se figuras aladas voando e fugindo do seu próprio habitat. “Quem poderá batalhar contra ela?” A besta triunfou, poluiu o oceano. Venceu a injusta batalha.

O escritor ainda faz um questionamento nos versos: "Que perverso projeto desumano/ Capaz de envenenar um oceano". O rico e preto líquido causado por negligência do ser humano conseguiu manchar a imensidão do mar. É por isso que a criação literária nos permite várias possibilidades para que o leitor possa desfrutar e fazer muitas leituras.

Dessa forma, o poeta utilizou metáforas para atenuar (e comparar) o que foi narrado no dia apocalíptico em que houve a destruição do oceano, junto aos seus habitantes que lá viviam.

Pode-se concluir que são os projetos humanos que se tornam desumanos, às vezes em sua insanidade.
Profª Graças Santos


8 de novembro de 2019

SÚPLICA DE UM AGRICULTOR

                     
                         Admmauro Gommes
É da terra que tiro meu sustento
É de onde arranjo o meu pão
Cultivando arroz, milho e feijão
E toda espécie de alimento.
De uns tempos para cá, é sofrimento
Ver ataque constante à natureza
Não bastasse tanta malvadeza
Tantas leis liberando herbicidas
Eu me sinto como um suicida
Envenenando a sua própria mesa.

Eu suplico ao Congresso Nacional
Por favor, parem de aprovar
Agrotóxicos que matam sem parar
E só trazem pra gente o que é mal.
A terra já tá dando seu sinal
E quando faltar comida, seu doutor
Vão comer pão e bife de isopor
Suco de petróleo derramado
Depois que tiverem envenenado
A mesa de um pobre agricultor.

28 de outubro de 2019

ANTONIO PEDRO VOLTA À FAMASUL

Nesta terça-feira (29/10), o Professor Emérito da Famasul, Dr. Antonio Pedro, lançará o livro Monstros silenciosos, na biblioteca da faculdade, às 19h30.
A obra refere-se aos cânceres e outras doenças que atacam os seres humanos causadas pela natureza e atos de violências do próprio homem. Também descreve o transplante que o autor fez, de medula óssea. O livro conta ainda com relatos de outras pessoas que tiveram a doença, além de ter caráter autobiográfico, retomando pontos de seu primeiro livro Do Engenho Cuçaí às Universidades (2016).

Vamos prestigiar esse evento, tanto pelo autor, quanto pelo professor Antonio Pedro, que é um dos pilares responsáveis pela construção da identidade da Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul.

No dia 30 (quarta-feira), o autor lançará livro também no FLICATENDEFestival Literário de Catende, Polo 4, na Câmara de Vereadores, às 9 horas.



23 de outubro de 2019

AS CORES DO AZUL



                     Admmauro Gommes

Antigamente
um pássaro azul
não podia sentar à mesa com os brancos
não podia comer com os brancos
não podia se misturar com os brancos.

Até que surgiu um Picasso
e disse que tudo era azul
e assim foi
e assim ficou.
Praticamente a cor celeste não havia
na natureza dos homens
só o vermelho se derramava do pulso.

Enfim, arrebentam os músculos das crisálidas.
Hoje, as flores azuis são as mais cálidas.