21 de julho de 2019

O MUNDO DE AGORA

Admmauro Gommes

O tempo de agora tem cheiro de pólvora 
as placas nas ruas proíbem o trânsito 
de homens e ovelhas que pastam no asfalto 
as máquinas engolem os cérebros dos que 
se atrevem a pensar de perto esses fatos. 

Porque o passado cegou os destinos   
o futuro cinzento a todos consome 
não basta a fome, bandeira inglória? 
Nos furtam direitos, criando pedágios. 
Que estágio vivemos no mundo de agora? 




20 de julho de 2019

COSMONAUTA

Admmauro Gommes

Passei cinquenta anos 
refazendo os planos 
para voltar à lua 
modéstia à parte 
cheguei em Marte. 

Melhorei meu desempenho 
reinventei um engenho 
e no final deste ano 
pela vez primeira 
verei a fronteira de Urano. 

Depois de Netuno 
última bola de gás 
saberei então dos segredos 
e das profecias celestiais. 

Explorei tanto o universo 
de sua gênese às cordilheiras sem fim. 
Só não sei o que se passa 
dentro de mim. 



24 de março de 2019

DIÁLOGO COM A IRRADIAÇÃO


 Admmauro Gommes

Para o Prof. Dr. Ednaldo Ramos
        
Radiação ionizante
que conserva os alimentos.
Ah! se houvesse um jeito
de preservar sentimentos!

Que o corpo não maturasse
que preservasse o que penso
de bactérias daninhas.
E os males que apresento
com radiação não tinha.

Eu seria inalterável
o tempo não me abalava
também não me consumia.
Vantagem ou desvantagem?  
Nada em mim envelhecia.

Desconfio da roupagem:
Uma novidade dessa
toxinas não traria?

Preso num tempo-gaiola
não teria evolução
seria estátua de carne
longe da putrefação.

Lamento que seja assim
com essas dúvidas, embora.
Tenho fungos no olhar
parasitas na memória
a falha molecular
apressa a minha história.


2 de março de 2019

FORMAÇÕES CONTINUADAS DE PROFESSORES: BNCC EM AÇÃO

Nesses últimos meses, o professor Admmauro Gommes ministrou várias palestras e participou de debate sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 

Um público de mais de 800 pessoas acompanhou os eventos em Colônia Leopoldina (AL), Quipapá, São Benedito do Sul, Ilha de Itamaracá e Japaratinga (AL). Em Colônia, fez uma exposição no espaço Casa Dorinha e Chico Loló, a convite do Prof. Dr. José Francisco de Melo Neto, idealizador da Academia de Cultura de Colônia Leopoldina (ACCL).

Nos demais lugares, a organização das palestras ficou por conta da Assessoria de Capacitação, Eventos e Projetos Educacionais (ACEPE), coordenada pela Prof.ª Dr.ª Jaqueline Oliveira.


Colônia Leopoldina
O que muda na Educação com a BNCC


Quipapá (PE), 14/2/2019
BNCC E EQUIDADE: Todos têm direito de aprender




Ilha de Itamaracá (PE), 18/2/2019
BNCC : da discussão à formação de Currículos Escolares




São Benedito do Sul (PE), 19/2/2019
A BNCC na prática da gestão escolar e pedagógica 





Japaratinga (AL), 25/2/2019
A BNCC na prática docente: um olhar para o currículo





admmaurogommes@hotmail.com

081.9 92911071

2 de janeiro de 2019

20 ANOS SEM BENTEVI


           por Admmauro Gommes

Se você me lançar um desafio 
Desembesto fazendo poesia 
Do tufão eu faço calmaria 
E me viro num bicho arredio 
Faço o sol tremer de arrepio 
Faço ele nascer de madrugada 
Só não peça eu que entre na jogada  
Enfrentando o poeta Bentevi 
O maior cantador que eu já vi 
Fazer verso cantando embolada. 

Nesse ano dois mil e dezenove 
Vinte anos faz que ele voou 
A poesia daqui desmoronou 
Mas seu verso ainda me comove 
Se surgiu outro, que me prove 
Que fazia da letra um bisturi 
Na leveza que tem um colibri 
Inventando um negócio sem igual 
No repente, na rima, coisa e tal 
Como esses de Manoel Bentevi: 

“Naquele tempo odiento e obscuro 
Em que a ciência era trancada em um vaso 
Todo mundo imerso no atraso 
Eu olhei na janela do futuro 
O panorama da vida é muito duro 
E o destino do homem vem traçado 
Eu pra ver se obtinha resultado 
Do além e de coisas mais incríveis 
Penetrei no setor dos invisíveis 
Vi o mundo sorrir do outro lado.” 

Eu olhei na janela do passado 
Vi poetas de toda natureza 
Cantando seu país e a beleza 
Vi Ascenso Ferreira assentado 
Teles Júnior e Jaorish ao seu lado 
Elias Sabino, decano e rabi 
Ariano Suassuna também vi 
Ouvindo a poesia completa 
Daquele que nasceu pra ser poeta 
E assinava somente: Bentevi. 



Manoel Bentevi nasceu no Engenho Verde, em Palmares, no ano de 1911. Autodidata, poeta de cordel e cantador de coco e embolada. Inédito por muito tempo, foi promovido em Pernambuco pelo poeta Juareiz Correya, que destacou e projetou o seu trabalho com a edição especial da revista POESIA (nº 3, Nordestal Editora, Recife, 1982), inteiramente dedicada ao seu nome. Publicou o livro Desmanchando o Nordeste em Poesia (Edições Bagaço, Palmares, 1986) e deixou inédito o livro A Beleza Nordestina. Faleceu em Joaquim Nabuco (PE), onde residiu por muito tempo, no ano de 1999.  

Fonte: Poetas dos Palmares, pág. 82 (Org. Juareiz Correya)


12 de dezembro de 2018

TER AMIGOS


        por Admmauro Gommes

É bom ter pessoas
que no nosso aniversário 
    nos brindam em noite festeira.

Melhor é ter amigos
que nos blindam a vida inteira.



15 de outubro de 2018

NO DIA DO PROFESSOR


Para refletir
Por Admmauro Gommes

No Dia do Professor, não temos muito a comemorar, em se tratando de bons salários, reconhecimento público ‘de verdade’ e realização individual. Se formos nos referir a um dos elementos favoráveis dentro da docência, sobraria, talvez, a conscientização do papel social que exercemos.

Há muito tempo, o professor deixou de ser aquele que se interessa apenas pelo conteúdo de sua disciplina para abarcar a realidade complexa do ser humano e o que sua matéria pode fazer por cada discente. Pena que nem todos tenham percebido essa mudança imposta pela atualização de uma pedagogia urgente, eficiente e necessária.

Por assim dizer, para transformar a sociedade é preciso mais do que lições de português e matemática. A grande oportunidade de mudança surge quando se lança mão dos conteúdos pedagógicos, como forma de empoderamento de todas as classes, para realizar a transformação que tanto queremos.

Acredito ser este o papel da escola: ajudar o ser a perceber-se e reconhecer suas potencialidades; apropriar-se da comunicação e tornar-se capaz de resolver problemas reais, além do conhecimento livresco.

Assim, precisamos mais de especialistas em pessoas e mestres em comportamento humano, bem mais que doutores em conteúdos escolares. Deste modo, o olhar abrangente do educador contemporâneo desloca-se dos assuntos adormecidos nos currículos escolares e foca no sujeito da aprendizagem, que é o próprio aluno.


Essa conscientização nos dá força e coragem para enfrentar a ignorância dos que não entendem nada de Educação mas sempre dela (ab)usam como mote político nos palanques eleitorais.

Tributo a todos os professores que têm contribuído com a Educação em Pernambuco 










14 de outubro de 2018

AO PROFESSOR QUE ME ENSINOU


Poema de Admmauro Gommes


Um dia fui estudar 
Pra aprender a lição
Para ser um cidadão
E pra vida melhorar
Um mestre fui encontrar
Que as letras soletrou
Se hoje sou o que sou
Com respeito obedeço
Tudo que sei, agradeço
Àquele que me ensinou.
  
Quando me entendi de gente
Me disse uma professora
Que a vida é promissora
Para quem é persistente
Para quem olha pra frente
Avança quem estudou
Nessa estrada eu vou
E assim não esmoreço
Tudo que sei, agradeço
Àquele que me ensinou.
  
Cada vez mais aprendia.
Terminando o primário
Achei algo fabulário
Mapas de geografia
Pratiquei caligrafia
A ciência me encantou
O verbo me fascinou
E da soma não esqueço
Tudo que sei, agradeço
Àquele que me ensinou.
  
Continuei estudar
Depois, conheci gramática
Me abracei com matemática
Pra ninguém me enganar 
Ética não deixei pra lá
Como coisa que passou
A  vida tem mais valor
Quando se paga um preço
Tudo que sei, agradeço
Àquele que me ensinou.

Do ensino secundário
Até hoje, com certeza
Imito sua grandeza
Só lamento seu salário
Por ser extraordinário
Num país que o desprezou
Tanta gente já formou
Seu valor eu reconheço
Eu muitíssimo agradeço
Ao mestre que me ensinou.

27 de setembro de 2018

POEMA DA EMANCIPAÇÃO DE XEXÉU

1º de outubro de 1991
Admmauro Gommes

Parabéns pra você, minha cidade 
Quando mais um ano que se congraça 
Eu te desejo mais prosperidade 
E que tenha amor e mimo e graça 
Nesta data, muita felicidade 
Pois teu aniversário ora se passa 
A todo instante uma novidade 
E mais beleza se vê em tua praça 
Quem te viu, quem te vê não acredita 
Como estás a cada dia mais bonita. 

Pois quem nasceu aqui neste torrão 
Agora já sabe bem o que digo 
E ama este solo com paixão 
Pois cresceu rodeado de amigo 
E bate no seu peito com razão 
Segue o mesmo lema que eu sigo 
No amor, se planta o coração 
Que serve de abraço e de abrigo 
Vai amar cada vez mais sua cidade 
Onde reina a paz e a liberdade. 

Todo bairro tem laços de família 
Tem afeto na força e esperança  
Cada rua é uma conhecida trilha 
Que passei no meu tempo de criança 
Quando eu provei das tuas maravilhas 
Porque quem ama de amar não cansa 
Havendo amor na face quando brilha 
Pois chegou o teu tempo da bonança 
A melodia tão doce vem do céu 
É “O mavioso canto do Xexéu.” 

Parabéns, pelo teu aniversário 
Os teus filhos jubilam de contentes 
Existe algo de extraordinário 
O xexeuense é povo diferente 
Não importa se é rico ou operário 
Pois respeita todo tipo de gente 
Não se perde na curva do contrário 
Caminhada é sempre para frente 
Neste dia, ouço a voz de um irmão 
Mais feliz pela emancipação.
  
Assim, o xexeuense tem um jeito 
E revivendo sua nostalgia 
Mostra garra em tudo que tem feito 
E esbanja mais raça e alegria 
Sua fé acalenta o seu peito 
E sua crença aumenta dia a dia 
Acredita em Deus, que é perfeito 
Se é festa, se entra na folia   
Só me resta agora te dizer: 
Meus parabéns, Xexéu, para você!








MUNICÍPIO DE XEXÉU

1º de outubro de 2018
27 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA












BANDEIRA DE XEXÉU

A Bandeira do Município do Xexéu foi criada em 1993, por Admmauro Gommes, a pedido do então prefeito Floriano Gonçalves de Lima. As suas três cores básicas (amarelo, branco e depois azul), formando três faixas verticais, foram baseadas nas cores da Bandeira Nacional. O azul representa o céu, numa profundidade que nos lembra o céu nordestino, sem nuvens, espelhado pelo sol sempre causticante; o branco simboliza a paz; e o amarelo as riquezas de um povo lembradas pela cor do ouro. No centro, estão os elementos muito significativos para o povo xexeuense: da esquerda para a direita, uma cana, ícone da agricultura que representou a base da economia municipal, fazendo referência às usinas de cana de açúcar da região, no meio, a esfera que nos traz a recordação da Bandeira Nacional, apenas mudando o lema de ORDEM E PROGRESSO para PAZ E PROGRESSO, sugerido pelo prefeito Floriano Gonçalves. À direita, ainda dentro do espaço branco, o desenho de um lápis, representando a educação do município. Em síntese, a ideia do autor da bandeira foi trazer o passado (cana-de-açúcar), o presente (ligação com o País, com o círculo azul, lembrando que estamos debaixo do mesmo céu brasileiro) e, finalmente, o futuro (considerando a educação como caminho a seguir por todos os xexeuenses).



HINO DE XEXÉU
             Admmauro Gommes e Nilton Rodrigues

Quem te vê, entre montes, surgindo
E teus raios tocando o véu
Não imagina que é o brio refulgente
Da estrela chamada Xexéu.

Uma pátria de berço heroico
De guerreiros, de paz e brandura
Essa luz te faz na alvorada
Como águia voando às alturas.

Meu Xexéu, no voo majestoso
Desafio não é uma quimera
Se há batalha me inscreve à luta
Que a vitória sorrindo te espera.

Elevamos a alma aos céus
Gratidão, com respeito e louvor
Que a bandeira hasteiem da paz
Da justiça, da crença, do amor.

Nossa gente feliz já na praça
Festejando emancipação
Seja sempre sagrado e suave
O teu canto de paz e união



Partitura do Hino de Xexéu - Transcrição do Maestro Nilton Rodrigues































MEU NORDESTE
                 Admmauro Gommes

 Eu vejo o meu Nordeste
com muita admiração
da pamonha e da canjica
na noite de São João
e da sanfona de Gonzaga
que foi o Rei do Baião.

O Nordeste produz tudo:
sal, açúcar, ferro e mel
do frevo ao maracatu
aos livretos de cordel.
Para mim, o meu Nordeste
começa aqui em Xexéu.


1- AS ORIGENS

(Do livro História do Xexéu, escrito por Admmauro Gommes, Bernardo Almeida e Marcos Gonçalves de Lima. Editora Bagaço. Recife. 2003.

 1.1. No tempo do rococó - Admmauro Gommes

Era uma vez... Na verdade, não era uma vez, porque isso é modo de se começar uma história inventada. Esta é uma história verdadeira.
Houve um tempo, não muito distante, que Xexéu ainda nem era Xexéu e as coisas andavam para trás, como caranguejo. Isso é maneira de dizer que a vida era difícil e atrasada, em relação aos dias de hoje.
Era muito difícil viver naquele tempo. Pois bem. Imagine você viver num tempo assim, onde não existia o computador. Nem a televisão. Nem mesmo o rádio. Um tempo sem lâmpadas, sem liqüidificador, sem video-game, videocassete, sem televisão, nem antena parabólica. Sem carro para viajar e sem escola. Não existia automóvel, nem telefone, nem geladeira. Nem mesmo energia elétrica e as casas eram cobertas de capim. As coisas eram precárias, pela hora da morte! Por falar nisso, a funerária só tinha um caixão para os que morriam sem deixar recursos para as póstumas despesas: chamava-se o caixão da caridade. Era muito difícil morrer naquele tempo.
As viagens eram feitas a pé ou nos lombos dos animais. Quem quisesse ir a Palmares a pé gastava em média três horas e uma viagem a Maceió, mesmo que fosse a cavalo, demorava, pelo menos dois dias. Os burros, em geral, transportavam também o açúcar dos engenhos de Xexéu até Rio Formoso e de lá o nosso doce era levado para a Holanda, de navio. Os engenhos moíam a cana-de-açúcar. Quando as usinas chegaram, eles deixaram de moer. É por isso que os nossos sítios e pequenas propriedades são chamados de engenhos, até o dia de hoje. O patrão, dono da propriedade, era o senhor de engenho.
Tudo era muito difícil. Depois, as coisas das facilidades foram aparecendo, como num toque de mágica. Isso já datava dos anos 50. Veio a BR 101, e com ela todo o Brasil começa a passar por aqui. Nessa época, a Usina Santa Teresinha já estava estabelecida e o comércio foi favorecido quando os primeiros moradores já serviam de apoio às pessoas que por aqui se destinavam às Alagoas.
A iluminação das casas era na base da luz de candeeiro, depois veio a marca Aladim. Com certo tempo, apareceu uma bomba que gerava energia e bem depois chegou a luz vinda da usina, para enfim, surgir a eletricidade da Cachoeira Paulo Afonso. A Usina Santa Teresinha fazia e acontecia na região, pois era a segunda em produção no Estado de Pernambuco: elegia prefeito, dominava o comércio, inclusive, onde atualmente funciona o supermercado Stillo, era a instalação das famosas Casas Santa Teresinha. Até uma moeda extra, chamada gabão circulava com o carimbo da usina.

Esses fatos parecem muito distantes, mas deles nos separam apenas 60 anos. É isso que os mais velhos chamam de o tempo do rococó. Parece um tempo distante mesmo, pois até a palavra rococó, não mais faz parte da nossa linguagem de hoje. Daí, reconhecermos o valor da pesquisa historiográfica: não só resgata o termo rococó, como também salva o nosso passado histórico.


1.2 Do século XVII aos nossos dias - Bernardo Almeida

Desde a nossa bandeira com uma esfera deslocada pelo azul do pavilhão nacional lembrando o céu da pátria e o verde das matas e dos canaviais, o amarelo áureo, principal riqueza dos primeiros séculos de colonização, elemento determinante da história pernambucana, o lápis que escreve uma história com tinta perene, lembrando da nossa cultura e do nosso povo, até a estrela elevada ao alto como traço marcante da presença da paz e do progresso, acima de toda e qualquer individualidade, assim contextualizamos em nossa bandeira a inspiração dos nobres ideais do povo brasileiro.
 Essa inspiração, que em meio a busca da liberdade e a perseguição dos senhores de engenhos, surge assim, num palco de lutas e buscas de um ideal nobre e de inigualável valor.  Por nossas matas, sendo agraciado pelo mavioso cântico do Xexéu, assim caminhava Zumbi dos Palmares e os escravos fujões pela sua rota favorita, como afirma o historiador Amaro Matias (1988).
Xexéu não foi apenas o caminho da liberdade de Zumbi e dos escravos, é também em nossas terras que fica localizado o engenho Macaco, que por volta de 1675 tornou-se um dos maiores núcleos de resistência negra organizada do Brasil, chegando a ter aproximadamente 15.000 negros. Lá se plantavam, colhiam, desenvolviam o artesanato. Os mantimentos que lhes faltavam eram trocados nas vizinhanças e formavam uma sociedade livre, onde a preservação da liberdade era o seu maior patrimônio.
Aqui em Xexéu o Brasil inquietou-se, com Macaco, que rotineiramente intercambiava, informações, homens e produtos com os irmãos de mesmos ideais pelas terras pernambucanas, que na época envolvia a Serra da Barriga, refúgio maior do Quilombo dos Palmares.
Tantos outros fatos marcaram a história do Xexéu, que territorialmente é demarcado a partir dos Venâncios, Camboins, Cavalcantes, Santos, Pereiras e Maciéis. Estes pertencentes à família de Marco Maciel.
Em meio a este mergulho cronológico de nossa história, constatamos a importante contribuição da sesmaria dos Maciéis, que forma os engenhos Pureza e Beleza, por volta de 1865 e uma década depois instala em sua propriedade uma fábrica de doces.  No início da década de 1870, o Major da Guarda Nacional Henrique Abreu Siqueira de Cavalcante compra a José Venâncio quatro hectares de terra e forma a propriedade do Jucá e os Santos se estabelecem em Ipiranga. Nessas três propriedades, havia algo em comum: o cântico belo e harmonioso do Xexéu. Cantando como um fiel intérprete das mais variadas aves impressionava a todos que por aqui passavam e aumentavam os comentários dos que afirmavam ter passado por aqui.
 O número cada vez mais crescente de feirantes, trabalhadores e senhores de engenho, tornava Xexéu um ponto de encontro obrigatório para as mais diversas comercializações regionais. Aqui eram definidos os preços do açúcar e das mercadorias mais importantes. A feira era realizada por caixeiros viajantes, biscateiros e feirantes do agreste de Pernambuco e Alagoas, iniciada no sábado, à tardinha, com o bacural e durante noite e madrugada se comercializavam diversos produtos, somente vindo a terminar no domingo à tarde.
Os primeiros habitantes já se encontrando em Xexéu, por volta de 1893 recebem João Pereira Sobrinho, comerciante do Recife, Domingos e Francisco Leandro para estabelecer as primeiras casas comerciais. Ainda no final do século XIX Xexéu recebe o nome de Aurora por ocasião da passagem das tropas do marechal José Semeão, que fica encantado com o nosso amanhecer e resolve render-se à grande beleza, e diz para todos que a partir daquele momento o lugar teria o nome de Aurora.  Mas, o canto na forma de grito inquietante do Xexéu foi maior do que as ordens do Marechal José Semeão e alguns meses depois nossa terra volta a ser definitivamente Xexéu.
Os Gonçalves chegam em Xexéu nas primeiras décadas do século XX, por volta de 1923. Nos anos 40, Floriano, Reginaldo e Gercino formam com os Maciéis e Vasconcellos os primeiros grupos políticos.
Em 1992, Floriano é eleito primeiro prefeito do Xexéu. Com o passamento desse, o vice-prefeito Severino Alves assume a prefeitura, em 1993. No ano de 1996 Marcos Gonçalves é eleito prefeito e reeleito nas eleições de 2000.


5.5 A emancipação política - Marcos Gonçalves de Lima

Todos acontecimentos têm uma certa importância, mas a data da emancipação política de Xexéu significa o marco da nossa liberdade, da nossa independência, é, com certeza, o fato mais marcante entre nós. Ela diz que nós estamos com o campo aberto para construir a sociedade, cada vez maior, acima de tudo mais justa e mais humana.
A luta para Xexéu emancipar-se foi muito longa, atingindo mais de 40 anos. Foi assim: o 1º projeto para Xexéu ser emancipado foi elaborado em 1952. Acontecendo a eleição de 1956 e depois de 1960, Floriano pediu a alguns companheiros, deputados na época, para fazer Xexéu emancipado. Mas tinha um grande problema: o domínio político e empresarial, o poder econômico que estava depositado pelos donos das terras. Eles não tinham interesse em ver Xexéu passar a cidade, até mesmo para não perderem uma grande porção de hectares de terra. Então, esse poder pressionava a política dominante, lá em Água Preta, para não permitir que fôssemos emancipados.
Hoje até que vemos o grupo empresarial com uma outra visão. Mas naquela época, era um poder esmagador, e só pensavam neles. Eles estando bem, com a pobreza não se incomodavam. Então havia essa pressão do poder econômico junto ao poder político dominante e a vontade de liberdade esbarrava sempre ali.
            Mas a luta foi se estendendo e muitas e muitas vezes foram apresentados projetos. (...) Aí o plebiscito foi marcado e Xexéu compareceu em massa quando mais de 98% disseram sim. Era um sonho! Aprovado o plebiscito, a Lei 10.621 de 1º de outubro de 1991 foi sancionada pelo então governador Joaquim Francisco Cavalcanti, dando-nos a emancipação.
A Lei dizia que a cidade tendo sido emancipada ficaria ainda sobre a responsabilidade do Município mãe, até que chegasse o período das eleições. Então nós ainda passamos um ano e três meses, na condição de município, governado por Água Preta. Foi quando aconteceram as eleições de 92 e no dia 1º de janeiro de 1993, de fato e de direito, Xexéu começou a ser governada pelos seus próprios representantes.
Assim, Xexéu tem duas datas importantes, a da Lei que cria o Município e a do início administrativo. Xexéu foi fundado em primeiro de outubro de 1991, como poder administrativo próprio. Em janeiro de 1993, o 1º prefeito, Floriano Gonçalves de Lima, assumiu o comando municipal.