9 de dezembro de 2019

ALDRAVIA: experimento literário na Famasul


Admmauro Gommes

Nos últimos 30 dias, 13 poetas ligados ao curso de Letras da Famasul/Palmares-PE (professores, formandos e egressos) adotaram o gênero Aldravia como experiência literária.

Como bem entendeu Pamella Emanuella: “A aldravia é mais um caminho (sem volta) da poesia que, mesmo com toda sua grandiosidade, consegue por seis versos unificá-la. Pela prática, as aldravias acontecem e surpreendem o próprio escritor. Esse embrião poético crescerá! Assim, o aldravianista se depara e dispara em seis palavras puras de teor literário. Às vezes é fácil, às vezes, paramos para pensar na terceira palavra. Devemos ir mais a fundo desta forma, tomar como sugestão e recriar...”

Mais de 500 textos poéticos foram criados e me enviados via whatsapp. Vejam/ poemas/ que/ produzimos/ alguns/ exemplos:

1. Admmauro Gommes
flores
flácidas
flamejam
fim
do
outono
*
muitos 
silêncios
no
último
grito
*
sugestão
de
crítica
começar
pelo
espelho


2. Davi Mota do Nascimento
lançar
seis
palavras
compreender
inúmeros
grãos
*
vaqueiros
vagueiam
nos
ermos
solos
lacrimais
*
entre
ângulos
círculos
retângulos
universo
arquitetônico



3. Izabelly Karla de Souza Ferreira
corpos
ligados
entre
uma
pessoa
estranho
*
segredo
confiança
amizade
guardar
as
chaves
*
som
seu
sua
sem
sonoridade



4. Jadson Alexandre da Costa
tenho
medo
da
dor
da
despedida
*
cada
degrau
enfrentado
um
sonho
realizado
*
boi
com
fome
sede
bebe
lama




5. João Constantino Gomes Ferreira Neto

agora
preciso
seguro
maduro
impávido
muro
*
porque
amor
seria
será
ser
ia.
*
no
luto
saudade
da
luta


6. Karina Manuela França 
castelos
de
amores
paixões
que
aprisionam
*
medos
destroem
metas
coragem
edifica
sonhos
*
cabelos
encaracolados
pele
crioula
beleza
empoderada


7. Kennedy Wellington Moreira
vida
prematura
acidental
amor
incondicional
mãe
*
fruta
mata
sede
sacia
fome
alma
*
do
nada
fluem
mananciais
límpidos
potáveis


8. Libene Tenório
guinche
meus
sentimentos
que
você
paralisou
*
perfuma
tudo
novamente
penetrando
com
riso
*
tão
invisíveis
catapultas
atravessam
meus
ideais



9. Luan Araújo do Nascimento
existência
tão
frágil
mundo
de
ilusões
*
destino
prega
peças
vida
prega
morte
*
amor
serei
em
um
mundo
amorgurado


10.Marcia Maria da Silva
teus
abraços
perfume
de
lírio
delírio
*
no
íntimo
sonhava
com
amado
desalmado
*
noite
de
luar
sozinha
no
altar


11. Maria Aparecida Santos da Costa
leia
tome
um
café
seja
feliz
*
insegurança
medo
ansiedade
males
do
século
*
família
domingo
casa
dos
avós
paz


12. Pamella Emanuella G. de Lima
sussurros
pelos
ares
frenética
alquimia
corporal
*
beijo
forçado
gosto
de
alma
mordida
*
canto
de
sereia
vela
marujos
silenciosos


13. Tony Antunes
poesia
sincera
versos
flutuantes
magia
quimera
*
etérea
onda
mar
sem
fim
nau
*
lépidos
trépicos
trópicos
amores
tortos
fervores

9 de novembro de 2019

ECLIPSE: Graças Santos comenta

ECLIPSE (Admmauro Gommes)

Que mensagem nos traz esse eclipse?!
Voa flecha escura pelo ar
Bem próximo do Apocalipse
Uma besta de óleo sai do mar.
Sete chifres de morte se levantam
E das águas surgem pra matar.
Que perverso projeto desumano
Capaz de envenenar um oceano!


ECLIPSE E AS VÁRIAS VERTENTES DE UM POEMA
(Maria das Graças Santos)

O poema Eclipse de Admmauro Gommes nos permite várias vertentes para que se possa fazer uma análise literária. Pois retrata de forma bem sucinta o momento tenebroso, quando as águas se enfureceram em consequência do petróleo derramado que sujou o oceano, e que causou grande desastre ao meio ambiente.

No verso “Que mensagem nos traz esse eclipse?” em linguagem metafórica, pode-se ilustrar uma linda viagem marítima, céu claro, sol brilhante, águas límpidas, destino esse que levaria a lugares paradisíacos jamais visitados, mas de repente a calmaria foi surpreendida por uma grande escuridão. É neste momento que o autor faz analogia entre o real, quando o sol é encoberto e tudo escurece, com o breu, provocado pelo petróleo, que tornou o mar negro. E continua: “Voa flecha escura pelo ar” (...) "Uma besta de óleo sai do mar./ Sete chifres de morte se levantam. ".

O eu lírico sugere que a besta é a figura da morte (Apocalipse 13: 1-4) “E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas (...) Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?”

Daí os animais marinhos, peixes e outras espécies em meio ao enorme e catastrófico desastre ecológico, mesmo agonizando tornaram-se figuras aladas voando e fugindo do seu próprio habitat. “Quem poderá batalhar contra ela?” A besta triunfou, poluiu o oceano. Venceu a injusta batalha.

O escritor ainda faz um questionamento nos versos: "Que perverso projeto desumano/ Capaz de envenenar um oceano". O rico e preto líquido causado por negligência do ser humano conseguiu manchar a imensidão do mar. É por isso que a criação literária nos permite várias possibilidades para que o leitor possa desfrutar e fazer muitas leituras.

Dessa forma, o poeta utilizou metáforas para atenuar (e comparar) o que foi narrado no dia apocalíptico em que houve a destruição do oceano, junto aos seus habitantes que lá viviam.

Pode-se concluir que são os projetos humanos que se tornam desumanos, às vezes em sua insanidade.
Profª Graças Santos


8 de novembro de 2019

SÚPLICA DE UM AGRICULTOR

                     
                         Admmauro Gommes
É da terra que tiro meu sustento
É de onde arranjo o meu pão
Cultivando arroz, milho e feijão
E toda espécie de alimento.
De uns tempos para cá, é sofrimento
Ver ataque constante à natureza
Não bastasse tanta malvadeza
Tantas leis liberando herbicidas
Eu me sinto como um suicida
Envenenando a sua própria mesa.

Eu suplico ao Congresso Nacional
Por favor, parem de aprovar
Agrotóxicos que matam sem parar
E só trazem pra gente o que é mal.
A terra já tá dando seu sinal
E quando faltar comida, seu doutor
Vão comer pão e bife de isopor
Suco de petróleo derramado
Depois que tiverem envenenado
A mesa de um pobre agricultor.

28 de outubro de 2019

ANTONIO PEDRO VOLTA À FAMASUL

Nesta terça-feira (29/10), o Professor Emérito da Famasul, Dr. Antonio Pedro, lançará o livro Monstros silenciosos, na biblioteca da faculdade, às 19h30.
A obra refere-se aos cânceres e outras doenças que atacam os seres humanos causadas pela natureza e atos de violências do próprio homem. Também descreve o transplante que o autor fez, de medula óssea. O livro conta ainda com relatos de outras pessoas que tiveram a doença, além de ter caráter autobiográfico, retomando pontos de seu primeiro livro Do Engenho Cuçaí às Universidades (2016).

Vamos prestigiar esse evento, tanto pelo autor, quanto pelo professor Antonio Pedro, que é um dos pilares responsáveis pela construção da identidade da Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul.

No dia 30 (quarta-feira), o autor lançará livro também no FLICATENDEFestival Literário de Catende, Polo 4, na Câmara de Vereadores, às 9 horas.



23 de outubro de 2019

AS CORES DO AZUL



                     Admmauro Gommes

Antigamente
um pássaro azul
não podia sentar à mesa com os brancos
não podia comer com os brancos
não podia se misturar com os brancos.

Até que surgiu um Picasso
e disse que tudo era azul
e assim foi
e assim ficou.
Praticamente a cor celeste não havia
na natureza dos homens
só o vermelho se derramava do pulso.

Enfim, arrebentam os músculos das crisálidas.
Hoje, as flores azuis são as mais cálidas.

2 de outubro de 2019

O TEMPO PASSOU

(Saudação aos heróis de minha terra)
Floriano Gonçalves e Samuel de Vasconcellos

                              Admmauro Gommes

Releio a página que um dia vivi
escuto uma voz de longo passado
querendo saber de um povo amado
da minha Xexéu, cidade feliz.
Onde estão os que conheci?
Em dó maior a viola parou
com Pedro Paulo, poeta avô.
Manoel Bernardo, Manoel barbeiro
seu Floriano e João Fogueteiro.
Não acredito que o tempo passou!


Zé Leandro, Benedito, Jesimiel
João Novato, Joaquim Clementino
Seu Álvaro Uchoa, Edson, Gercino
seu Pedro Hermínio e seu Samuel
Ferreirinha, Gaudêncio e João do Pincel.
(A vida nos tira o que ofertou
Um dia tem fim o que começou)
Marcos Gonçalves e seu Valdemar
seu Nelson, seu Nilton e seu Edgar...
Não acredito que o tempo passou!


Luiz Brasileiro, Joatas, Tantão
Dr. Zé Hamilton, Severino Major
Sebastião Garcia, Pitonho, Potó
Amaro Lins, Zito, Geraldão.
Parece que aqui agora estão
as vozes que o tempo jamais apagou
seu canto me segue por onde eu vou.
Lembrar Bugiganga aumenta a saudade
inda o vejo por toda a cidade.
Não acredito que o tempo passou.

         Xexéu, 1º de outubro de 2019

Domingos Leandro, esposa e filhos


1 de outubro de 2019

PARABÉNS, XEXÉU!

Prefeito Eudo Magalhães
1º de outubro de 2019

XEXÉU/PERNAMBUCO. Hoje festejamos o 28º aniversário de emancipação política de um município que só tem crescido nos últimos anos. Estamos comemorando também o 7º ano da administração do Prefeito Eudo Magalhães. O seu primeiro mandato ocorreu entre 2013 e 2016; o segundo teve início em 1º de janeiro de 2017 e continua até 2020.

No currículo desse político, ainda consta que foi eleito Prefeito da Água Preta (1989-1992) e de Joaquim Nabuco (2005-2008), além de Deputado Estadual. Incansável e exímio gestor público, a cada encontro, Eudo Magalhães anuncia novo volume de obras que ainda serão executadas até 2020, embora, por onde se lance o olhar, há construções realizadas pela cidade e zona rural com a assinatura do prefeito Eudo.


Parabéns, Prefeito Eudo! (que também aniversaria em outubro).

Parabéns, Xexéu! (por mais um ano de liberdade).




Drª Deyse, Primeira Dama de Xexéu e o Prefeito Eudo Magalhães

Veja também

29 de setembro de 2019

CRIPTOMOEDA ENTRE O SAGRADO E O PROFANO


Admmauro Gommes

Criptomoeda é outro poema necessário de José Durán y Durán. Para entendê-lo, é preciso adotar a teoria da recepção de que o leitor é um segundo escritor. Até porque os primeiros versos só podem fazer nexo com os dois últimos, formando a quadra, com a intencionalidade direcionada pelo leitor: 

CRIPTOMOEDA

“Beijo traiçoeiro, advertência desvirtuada
‘cristo-moeda' por trinta de prata trocada.
Não é de ouro nem de metal
é virtual, volátil, vilã.”


O olhar atento de um diácono, amparado pelo lastro da poesia, encontra aproximação sonora entre “criptomoeda/cristo-moeda.” Esta parece-me ser a gênese de que resultam todas as concepções e comparações que formam o texto em análise.

Percebe-se, de imediato, a denúncia do comércio onde se vende o sacro, e que se tornou rotina, na atualidade. Uma espécie de objeto de troca, tendo o Cristo por cifra e, em nome Dele, tudo se propaga, mas na verdade cultua-se o deus-dinheiro. Até um pedaço do céu, como lote, está à venda por muitas denominações religiosas, no mundo inteiro.

Deste modo, há como traçar um paralelo: moeda vilã – beijo traiçoeiro; venda do que é santo – profanação do sagrado, como se a salvação, pela ótica do falso cristianismo, fosse produto disponível nas vitrines, em promoção. A linguagem literária pode ainda vaticinar uma traição na economia global, quando a nova moeda desnorteia o sistema bancário, pois não se precisa mais de uma agência física, nem de papelada parar assinar contratos. É um ambiente onde tudo acontece de forma virtual. O “beijo” começa a causar desconfiança. O governo chinês saiu na frente, decretando que o uso da criptomoeda é atividade insegura e não corresponde à legislação em vigor no país.Mesmo que a origem dessa sentença nos remeta a Judas, quando vendeu o Mestre por igual quantia, vale também como traição, no negócio da China.

Uma vez que criptônio (elemento químico) não é um metal, assim essa moeda também não é de papel nem de ouro, por isso volátil, como gás, tanto que pode render muito, como levar à falência o investidor, pela volatilidade, como se toda a confiança fosse traída por uma aposta, em bolsa de valores online. Recentemente, ouvimos casos em que muita gente tinha investido alto e perdido o dinheiro nas transações com essas moedas. Isso se apresenta na visão poética em “beijo traiçoeiro.”

É importante frisar também o poder de síntese desse texto e sua larga transição em várias áreas do conhecimento, indo do religioso ao econômico, passando pela ganância social, aos avanços tecnológicos, pelo domínio estético, pela física... ligando a história de traição de um passado remoto, que não se esquece, mas antenado com as tendências do tempo presente.

Por ser sintético, o poema se agiganta, o que me faz lembrar Vital Corrêa de Araújo, ao dizer que um verso vale mais do que uma odisseia, quando escrito por um poeta poeta. E este é o caso. Estamos diante de uma obra exemplar: construção de apenas quatro versos, mas que move saberes extraordinários, investiga e nos assombra colocando em foco uma situação que pode alterar os rumos da economia mundial.

Esse poema reúne tópicos para uma discussão quase sem fim, pois evoca elementos que se conflituam, credibilidade versus incredibilidade, no que diz respeito ao sagrado e ao profano, na sugestão de que são faces da mesma moeda, como querem os vendilhões do templo.

A cristo-moeda subverte a ordem suprema: dá a César o que é de Cristo.

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Tchau, bitcoin? China planeja pôr fim à mineração de criptomoedas. Disponível em: https://br.sputniknews.com/economia/2019041013645993-tchau-bitcoin-china-planeja-por-fim-mineracao-de-criptomoedas/


28 de setembro de 2019

O MEDO DO MEDO: lendo um poema de Durán


Admmauro Gommes

Confesso que me surpreendi ao ler o poema Nomofobia de José Durán y Durán, por sua atualidade e descrição fidedigna de uma geração que vive sob o signo da alienação. Sobre o texto, escrevi para o autor dizendo que ele havia dado um pulo estético incomensurável na sua produção literária. Alguma coisa como a ação de eletrofótons, irradiando novas dimensões na poesia.

Com aguçado olhar, resultante de profícua experiência de vida, o poeta descreve amiúde sintomas patológicos de quem não abre mão de um celular. Acredito que a construção dos versos em tela gerou perplexa angústia, durante o ato criador, principalmente quando se comparam tendências sociais passadas com as de agora. Antigamente (este termo é propositado) era necessário um grupo bem articulado para se criar um herói ou um monstro, condição exigida para que houvesse seguidores ou repulsas. Atualmente se cria um monstro on-line com a maior facilidade. A maioria das crianças, antes de entrar no ensino fundamental, já está apta para essa finalidade. E próxima do abismo. Do naufrágio, pois navega sem rumo.

A elaboração de um monstro, dito de forma figurada, implica em fomentar algo danoso e que não se vislumbra a possibilidade de vencê-lo. Um Frankenstein camuflado, embora cada vez mais seja assustador, indomável. Assim é o uso desenfreado do celular, que assusta até pela possibilidade de, por um breve momento, não se poder utilizá-lo, o que resulta em uma caracterizada fobia. A remota possibilidade de não contar por algum instante com um smartphone provoca extenso pavor em quem não faz nada sem “ele.”

Deste modo, o poeta fotografia o estado atual de quem está preso à informação imediata, sem ao menos checar sua veracidade. Passatempo que consome um dia inteiro, se deixar. O que se percebe, nas entrelinhas, é que essa prisão tem um relacionamento direto com a banalidade e com o fugaz. A nova fobia “invade aos alfas” (eu diria analfas) e chega ao ponto de temer a ausência dos sinais de um wi-fi. Estamos reconhecendo este estágio como doença, por conta do vício que contamina e se espalha, com a difusão dos fake news. Quem usa desse expediente cai nas próprias armadilhas.

Voltando ao poema, em “Celulares são suas celas”, destacamos uma engenhosa aliteração que condensa o pensamento do poeta, pois trata da fobia durante todo o texto sem dela falar explicitamente. Criam-se paredes, celas, jaulas e dentro dessa ilusão ótica se escondem, achando que assim também estão escondidos do público. É como alguém que perde a visão e, no meio da rua, se encontra nu. Pelo fato de ele não estar vendo a sua nudez, julga que as pessoas também não a veem. Seria uma cegueira coletiva?

Com uma força poética que ultrapassa as linhas de uma literatura tradicional, Durán reconhece que os que sofrem de nomofobia “Disfarçam carências e mutilações” como uma forma de se protegerem por trás de algo tão frágil e isso faz com que muita gente que não toma o café da manhã sem antes “comer” o celular, arranje coragem e seja feliz dentro de um falso anonimato, onde tudo pode, ou pelo menos acha que pode. O pseudopoder que se imagina ter com tudo ao alcance dos dedos se confunde, no fim das contas, com o monstro, e as alucinações do próprio medo. Diante de uma compulsão sem limite, essa é uma doença que aos poucos dá sinal de sua existência e culmina dominando o corpo onde habita.

Outro verso magistral: “A angústia a giganta o medo.” Este é um poema de e sobre nosso tempo, que aponta as fraquezas humanas, quando exatamente se pensa que tudo se conquista pelo engodo. E, em vez do sucesso, eis a inevitável angústia, decepção, pois existe uma vida real off-line.

Desfrutamos, nesse poema, de uma visão privilegiada porque o poeta, sendo profundo conhecedor dos sentimentos humanos, nos alerta, ao denunciar esse tipo de fobia. Descreve o estado emocional de uma geração que já nasce padecendo de um medo indescritível. Daí, os estados sentimentais abalados, onde o stress facilmente penetra no vazio da existência, exatamente quando a bateria se descarrega.

Em última apreciação, recomendo que este poema seja lido tanto pelos que estudam a mente humana quanto pelos que buscam analisar o comportamento social coletivo, antes que se aumente o número de zumbis que reproduzem mensagens sem delas saber o que realmente dizem. Aí, finalmente vem a decepção. Nas conhecidas palavras, quem constrói uma casa na areia, terá sempre o medo de que haja um vento muito forte. E este virá, se não controlarmos o uso de um instrumento tão importante para a vida contemporânea, o celular.

Ao término de meu breve comentário, considerei que o poema aludido inscreve o nome Durán no rol dos grandes escritores da poesia absoluta. E afirmo sem medo. Eis o poema (sic):

NOMOFOBIA

Nova fobia invade aos alfas,
Internautas empedernidos,
Viciados em conectividade,
Navegam o mundo na palma da mão.
Celulares são suas celas,
Próteses eletrônicas incorporam,
Disfarçam carências e mutilações,
Se vencidas, retiradas ou esquecidas,
A angústia agiganta o medo.




Palmares, 25/07/2019, José Durán y Durán