21 de julho de 2017

FOME EM TEMPO DE VACAS GORDAS

Admmauro Gommes
Escritor, Poeta e Professor de Teoria Literária
da FAMASUL/Palmares (PE)
admmaurogommes@hotmail.com


Chegamos em uma época difícil de se viver, onde fartura e escassez se confundem. No mundo atual, se tem muito dinheiro e muita gente passando fome. É impressionante, tanta moeda em circulação, no entanto demonstramos não ter competência para administrá-la corretamente. Neste tempo, tudo se inverte: depois da bonança vem a tempestade (e os efeitos das enxurradas). 
Há muito, desejava-se que o salário mínimo no Brasil fosse igual a US$ 100 (cem dólares). Segundo os economistas, esse valor seria ideal para uma família pobre viver razoavelmente. Nos últimos anos, o salário tem girado em torno dos US$ 300 e mesmo assim continua-se com dificuldade em controlar as finanças pessoais. A razão é simples. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) estima que o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser, em 2017, de R$ 3.856,23. A conta não fecha mesmo, porque a carestia supera os ganhos do trabalhador.
Quer ver outra coisa? Antes, um partido político juntava níquel para fazer comício ou campanha eleitoral. Filiavam-se os partidários juntando tostão por tostão para enfrentar os poderosos. Hoje, o dinheiro é tanto que não se sabe onde guardar, ou esconder. Se em conta no exterior, em malas, por dentro das meias, ou até mesmo escondido nas cuecas dos políticos. “País rico é um país sem pobreza.” Que sabedoria tem esse slogan adotado pela Presidente! Seria melhor dizer: “País rico é o que sabe administrar suas riquezas.” 
E o mais decepcionante: vemos todo dia milhões e bilhões de nossas cifras serem escorridos pelos ralos. Assim, os ditos populares caem como uma luva para quem não teve educação (e/ou honestidade) financeira: “Não se deve dar gordura a rato magro; Quem não tem costume de comer mel, quando come, se lambuza.” Nesse contexto, o rato magro se encaixa melhor como alegoria da “festa” nacional. Não sei se é mais fácil se conduzir nos tempos de vaca magra, pela humildade. Só sei que há muito boi gordo no frigorífico, enquanto o povo passa fome.  
Tem outro porém. O trato com o dinheiro exige perícia.  Seu manuseio, para quem não sabe utilizá-lo, pode arruinar facilmente as economias domésticas. E quando se desfalca um país, “aí, a vaca tosse” e a situação fica mais complicada, pois atinge as famílias e se comprometem futuras gerações. 
Mas tem jeito. Bastava que se transformasse em lei uma sugestão de um cobrador de impostos do início do Cristianismo, para resolver de vez a questão. Quando Zaqueu, personagem bíblico, disse a Jesus que se tivesse defraudado alguém, devolveria quadruplamente, ou seja, quatro vezes mais... Já pensou? Se isso acontecesse nos dias de hoje, salvaríamos de uma só tacada o Rio de Janeiro, o Rio Grande do Sul, Minas e a Petrobras. Quadruplamente! 


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A VACA, O BOI GORDO E O FRIGORÍFICO
Neilton Farias

Não me surpreendo mais com a perspicácia das críticas contemporânea feito pelo professor Admmauro Gommes. O autor consegue fazer uma reflexão apurada da condição econômica do brasileiro de forma individualizada, familiar e em sociedade como um todo. Com isso ele demonstra a incapacidade no gerir a economia, incapacidade resultante não só em não saber administrar os ganhos, mas principalmente, porque esse ganho não segue com a mesma eficácia na manutenção da mesa. Nesse aspecto, a crítica admmaureana nos exime de forma individual e família na (in)competência de gerir esses bens.

Se o texto finalizasse aqui, dar-me-ia por satisfeito, entretanto, o nobre professor demonstra que essa inliquidez (falta do líquido – recurso financeiro) é de certa forma seletiva, melhor dizendo, a grande maioria é pobre em um país de ricos, isso, por ter muito dinheiro onde não deveria ter (nos ralos, em conta no exterior, nas malas, nas meias, até nas cuecas), acrescenta ainda, “E o mais decepcionante: vemos todo dia milhões e bilhões de nossas cifras serem escorridos pelos ralos”. 

A interdiscursividade de Gommes é contundente, no que se refere ao contexto atual, em especial no que remete às denúncias da JBS, quando diz: “Não sei se é mais fácil se conduzir nos tempos de vaca magra, pela humildade. Só sei que há muito boi gordo no frigorífico, enquanto o povo passa fome”. Para isso o autor traz para o diálogo, palavras do campo semântica da respectiva notícia, a exemplo de “vaca”, “boi gordo” e “frigorífico”.

Para finalizar, ele traz uma dica de como deveria ser feito para acabar com a bandalheira toda em que estamos inseridos. O Brasil rico de pobreza entre os pobres passasse a ser um país rico para todos.

18 de julho de 2017

VITAL AO VIVO NA INTERNET

Vital Corrêa de Araújo, sempre que pode, demonstra sua resistência à internet, mas nesta noite (18/7/2017), às 21h, ele e seu filho, Murilo Gun, bateram um longo papo, por mais de uma hora no Cri Cri Cri - Criando Crianças Criativas. 


No programa ao vivo, falaram de tudo. Criação de filhos, despertar da criatividade na infância, fracasso e sucesso. VCA considerou como patologia social a interferência desmedida dos pais, cerceando a vontade/criatividade dos filhos. 

Mas, enfim, reconheceu que o mundo digital pode incentivar e acelerar o conhecimento, quando usado com esse propósito.


Eles deram um show de humor (e ampla visão de mundo) em dose dupla.


28 de junho de 2017

A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS

Admmauro Gommes
Escritor, palestrante e professor de Teoria Literária
da FAMASUL/Palmares (PE)
admmaurogommes@hotmail.com

Recentemente, a pedagogia tem recomendado a contação de histórias para crianças como algo que incentiva a imaginação e desperta a criatividade. Defende, portanto, que ao estimular as funções cognitivas, a aprendizagem acontece com mais naturalidade, quando esse recurso é empregado. 
Diremos pois, que nem só as crianças se encantam ao ouvir uma bela narrativa e se envolvem com as peripécias do herói. Os adultos também. Basta encontrar alguém que leve jeito em discorrer sobre um fato curioso que a atenção é presa pela habilidade do narrador. A forma descontraída de narrar nos convence, ainda mais quando estamos diante de um habilidoso e envolvente conversador. 
Com tantos meios atuais de que dispõem as práticas educacionais, o velho método de contar uma boa história continua fascinando a todos. Mas é bom que se diga que ler um texto é uma coisa. Ouvir o autor declinar o mesmo episódio, ali na bucha, é outra coisa. São modos diferentes de narrar. A escrita tem seus pontos positivos: parte de uma cuidadosa seleção vocabular, além de revisão gramatical e da busca pelo aprimoramento de um estilo literário. Portanto, diante da voz do escritor, vendo seus gestos, olho no olho, é como se nós estivéssemos dentro da cena, vivenciando o enredo ao lado das personagens. A recepção, pela oralidade, nos fascina de tal modo que tudo que se encontra a nossa volta, alheia ao relato, passa despercebido. O próprio autor quando expõe o que antes escrevera, impõe um caráter dramático aos episódios. Isso é impressionante. 
Constatei essas evidências depois que li a obra “Somente a verdade” de José Paulo Cavalcanti Filho, e tive a oportunidade de conversar com o autor. Foi um momento empolgante ter o narrado em primeira mão, por uma ocular testemunha. Assim, cenários e demais caracterizações passam a ser familiares pela proximidade com quem relata.
Quanto ao livro, seu texto é muito bom. Vem da lavra de quem escreveu mais de mil e quinhentas crônicas. Um veterano contador de ‘causos.’ Enquanto acendia um charuto e jogava a espiral de fumaça para o ar, José Paulo inclinava a cabeça para trás, vendo a nuvem que se formava sob sua cabeça. Naquele enlevo, a memória era acionada, como se abrissem arquivos e mais arquivos entrelaçados pela lembrança. Pronto. No desfazer da fumaça, vinha uma história atrás da outra.

Tudo nos mínimos detalhes. Era a visão de quem lá esteve, destacando a ambientação com extraordinário domínio. Por isso, contava com propriedade o que presenciou. Bem mais que verossímil, afirmava que os fatos eram verdadeiros. E eram mesmo. Usava uma gama de recursos linguísticos e extralinguísticos para que se tornasse o mais real possível, do jeitinho como a coisa se deu. Narrativas assim, ficam na mente do ouvinte e não se dissolvem por muito tempo pois as imagens bem elaboradas permanecem impregnadas na memória. Nem mesmo a fumaça se esvai. 



27 de junho de 2017

COMENTANDO O REALISMO

LITERATURA BRASILEIRA II
Considerando o racionalismo realista como reação ao sentimentalismo romântico, explique a propositura seguinte, baseada no pensamento de Eça de Queirós:

“O Romantismo era a apoteose do sentimento; o Realismo é a anatomia do caráter.”



6 de junho de 2017

SER DIFERENTE NÃO É NORMAL


Admmauro Gommes
Poeta, cronista e professor de Teoria Literária
admmaurogommes@hotmail.com

Existe uma confusão muito grande quando se trata de classificar e entender o que está além da curva e das rotas normais da tradição. Na maioria das vezes, rotulam-se novos comportamentos com discriminação. Este modo torto de ver o mundo representa um olhar distorcido e arcaico e deve ser rejeitado em qualquer instância, modo e lugar.
Não é por ser diferente que alguém é inferior, tampouco superior a nada, apenas pela diferença. O teólogo Bartolomeu Antônio, de Xexéu, lembrou-me esta semana uma frase de Clarice Lispector, da obra “Um sopro de vida,” que diz: “O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções” É que a exceção é peça extraordinária e atraente. A rotina mata qualquer um de tédio. A regra é comum, geral; o segredo está nas exceções. É por este motivo que os artistas inventam seus mundos, não raras vezes carregados de esquisitices, mas nem por isso são bons ou maus. Apenas inusitados, indicando a marca de determinados estratos sociais ou individuais. Ser diferente não é tão normal, como dizem, e pode ser alvo de exclusão ou privilégio. Depende muito do momento histórico em que se vive, como nos tantos casos de pequenos grupos religiosos, artísticos ou políticos. Acontece que os mesmos perseguidos podem ser transformados em heróis, tempos depois.
Destarte, tudo que foge do comum, do padrão, deve ser observado com expectativa pois está próximo do atrativo (ou da repulsa, que é o avesso da atração). Afasto aqui qualquer julgamento moral e direciono a discussão para o plano estilístico e/ou estético. O que se reveste de espanto muda o rumo das coisas e provoca alterações inevitáveis em uma sociedade que sofre constantes mutações.
O outro, por não ser uma cópia nossa, causa estranheza. Esta situação se percebe quando alguém anda em descompasso com a maioria. É o caso de Vênus, um planeta que não gira no sentido horário, igualmente aos demais. Isso tem me inquietado muito! Como é que um planeta se “revolta” contra seus pares? Mas é algo excepcional e a ciência ainda não explicou. Nem ela nem Freud. Aliás, o que o Pai da Psicanálise explicou minuciosamente foi a condição de o estranho ter sido parte deslocada de nós mesmos, bem familiar em outro tempo, na infância, talvez. (Artigo “O Estranho” - 1919) Seria assombrar-se com a própria sombra ou o fato de Narciso achar feio o que não é espelho?
Normal é fato comum. Os diferentes nos são estranhos e por não entendê-los, quase sempre os rejeitamos. Isso é que não é (e não pode ser), normal. Anormal é não reconhecer com igualdade que os outros têm o direito de ser diferentes.



24 de maio de 2017

ANÁLISE DO SERMÃO DE VIEIRA

SERMÃO DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Literatura Brasileira I
Válido como conteúdo da ANP (aula não presencial)

Metodologia:
Destacar pelo menos cinco pontos característicos do Barroco e, em seguida, elaborar um comentário de cada item selecionado.

Prazo: Um dia antes da Avaliação da II unidade
Sugestão: Escreva os textos sempre abaixo do nome já digitado em COMENTÁRIOS (como Responder)

Exemplo:




8 de maio de 2017

MÃE É MAIS

poema de Admmauro Gommes

          
Mulher é prata e ouro 
é pérola, ave e flor 
e tem cantos matinais 
no entanto, Mãe é mais. 

É mais e se sacrifica 
pelo bebê que é seu 
sofre muito e padece 
passa a vida e não esquece 
um filho que não nasceu. 

Nunca troca de amor 
no olhar tem novo brilho 
basta lembrar um instante 
de qualquer um de seus filhos. 

Sua casa é um paraíso 
também espinho e cruz 
mas sempre abençoada 
uma bem-aventurada 
igual a Mãe de Jesus. 

Ama tanto que não sente  
de si mesma, os seus ais. 
Mulher é feita de encanto 
no entanto, Mãe é mais. 




Leia outro poema do mesmo autor sobre as Mães em:


5 de maio de 2017

A POESIA ENTRE O TRADICIONAL E O CONTEMPORÂNEO

Por Débora Elisa Jacinto (1º período de Letras/2017.1 - FAMASUL)
 
COMENTA textos de Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Tony Antunes
           
           No poema tradicional ou popular, um dos aspectos marcantes é a linguagem simples, de fácil entendimento para o leitor e que pode ou não conter rima, embora geralmente ela se faz presente. Nele, o eu lírico é sentimental e sofredor. Um dos temas mais recorrentes nesses poemas é o amor ligado à saudade ou o amor impossível. Na letra da música "Que nem jiló" de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, temos um excelente exemplo de como o poema/poesia popular encontra fácil abertura e rápida aceitação nas camadas mais populares da sociedade.
       Isso se dá pelo fato de sua linguagem não precisar se valer de palavras rebuscadas e formais, mas sim ter em sua composição a simplicidade como principal trunfo e, posteriormente, seu sucesso. O público ao ouvi-la certamente se identificará com a história retratada na música, por se tratar de uma situação comum: a dor da saudade. A vertente do poema popular cativa por suas palavras genuínas mas também porque reflete contextos em que as pessoas se veem reconhecidas nos seus versos.
        Já o poema contemporâneo é escrito de forma mais despretensiosa e livre, e isso se exemplifica pela sua não obrigatoriedade em seguir as técnicas de composição poética, os assuntos abordados já não se prendem a certas temáticas românticas e idealistas mas sim encontram agora uma abundância de conteúdos a serem explorados. Na música "Inexaurível eu" de Tony Antunes, poeta da Famasul, temos um exemplo desse tipo de poema, lendo não sabemos o significado de seus versos; admiramos suas palavras mas o que cada uma delas quer dizer só o seu compositor sabe.
        Podemos dizer que o poema contemporâneo cria com o autor uma relação mais aberta, composta por inesgotável fonte de ideias.


1 de maio de 2017

ADMMAURO GOMMES PARTICIPA DE ANTOLOGIA NACIONAL

 

O poeta ADMMAURO GOMMES teve um de seus textos selecionado para participar da Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea ALÉM DA TERRA ALÉM DO CÉU, promovida pela Editora Chiado.

Para o antólogo Gonçalo Martins, “Será o Evento poético do ano no Brasil, onde apresentaremos ao público uma obra que perdurará como um dos mais arrojados objetos de poesia publicados no nosso país.”

Eis o poema selecionado, constante no volume II da referida obra:

MERGULHO (Admmauro Gommes)

Muito além
de onde quebram as ondas desse mar
mergulhei meu coração. 


Em terras estranhas
em paisagens nuas
vesti-me de sol.
Porque a esperança é bandeira de luz
porque a ausência preenche-me de sal
canto
pois as madrugadas
são pétalas de pedras
boiando em minh’alma.

Se há ilusão em dura vida
duradouro seja o sorriso
da permanente espera. 

24 de abril de 2017

VÍDEOS DE LITERATURA

Assista aos vídeos

A HIPERMETAFORIZAÇÃO DO LITERÁRIO em



NERVOS DE AÇO - POEMA DE LUPICÍNIO RODRIGUES 
comentado por ADMMAURO GOMMES



TERNURA de VINÍCIUS DE MORAES



ADMMAURO GOMMES RECITA
DOIS POEMAS DE MURILO MENDES



DOIS MORCEGOS
POEMAS DE AUGUSTO DOS ANJOS E DE ADMMAURO GOMMES




21 de abril de 2017

AULAS DE LITERATURA POPULAR


A INFLUÊNCIA DO MOTE

Considere os fragmentos que seguem e produza uma redação com caráter argumentativo justificando a importância do mote na construção do texto poético.

a) Na opinião do poeta alagoano José Inácio Vieira de Melo, para que o cantador de viola comece a produzir sua arte, “basta uma provocação, um ‘mote’ para surgir de forma instantânea o tema para uma canção.”

b) “Na vida cotidiana desses poetas existe o hábito de "dar motes" o tempo inteiro, durante a conversa. Qualquer assunto é motivo para um mote. Você está conversando no balcão de um bar, pede um cafezinho, vem frio, você reclama. O poeta ao lado ri e dá o mote: "Quem bebe café aqui / pode pegar resfriado", ou algo assim. É quase um cacoete, uma mania benigna.” - Bráulio Tavares