23 de setembro de 2017

XEXÉU PROMOVE LITERATURA EM DESFILE CÍVICO


Xexéu está sempre inovando em Educação. Depois de ser reconhecido como primeiro lugar na Mata Sul Pernambucana, na Avaliação do Saepe, cada vez mais, o município aposta em projetos pedagógicos. 
Prefeito Eudo
Para isso, pensa-se o projeto como possibilidade de vivenciar os conteúdos pedagógicos de uma forma diferenciada. Por exemplo, em 2017, o município completa 26 anos de emancipação política (1º de outubro). 
Para vivenciar esta data tão gloriosa para a liberdade municipal, a Secretaria de Educação (SEMED) está promovendo um desfile cívico, em 29/9. Só que não é um desfile qualquer. É um movimento que se propõe divulgar o livro e a leitura como formas de expressão cultural, vivenciadas através da literatura. Todas as escolas homenageiam os autores de destaque. São eles: Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Eça de Queirós, Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, Jorge Amado e José de Alencar.
Com feliz acerto, o secretário de educação, Antonino Matias, professor, escritor, dramaturgo, compositor, enfim, um completo artista, valoriza a literatura em um desfile público como manifestação viva da cultura do nosso país. É um momento de festividade, mas sobretudo, carregado de um forte compromisso sociocultural. 
O momento de prestígio que atravessa a educação municipal pode ser resumido nas palavras de Antonino Matias:

“É muito bom trabalhar pelo nosso povo, com muita força, garra e determinação e com o apoio do Prefeito Eudo Magalhães, que faz de tudo para que a Educação tenha destaque em nosso município, nos alegra e cada vez mais nos dá forças para continuar vivenciando este momento ímpar no nosso município. Hoje, Xexéu faz a diferença na Educação. Estamos conseguindo as metas do IDEB; este ano ficamos em primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de Pernambuco (IDEPE), entre os municípios da Mata Sul, bem como estamos com avaliações internas para auxiliar os professores na melhoria do ensino. Está acontecendo uma sequência de boas formações continuadas para os docentes, aulas atividades planejadas, escolas reformadas (outras construídas), três quadras escolares, destaque no Programa Novo Mais Educação, e estamos a caminho de uma Escola Integral no nosso município, contemplando 150 jovens que tenham competência e habilidade em dança, música e artes. Realmente, só temos a agradecer a Deus, por um momento de destaque com este, pois enquanto o mundo fala em crise, estamos oferecendo uma educação de boa qualidade para todos os xexeuenses.”

Diante das palavras do Secretário de Educação Antonino Matias, temos uma visão plural do ensino e da aprendizagem. Xexéu tem criado um caminho novo, daí o reconhecimento nas avaliações internas e externas como também conta com o prestigiado apoio de alunos e seus familiares. 
O comandante desta revolução pedagógica, com certeza, é o prefeito do município, Eudo Magalhães, mas quem executa é o Secretário da Educação, com sua equipe, professores e funcionários que, de uma forma geral, tem acreditado em uma educação diferenciada que já está rendendo muitos e bons frutos. Parabéns a todos que acreditam na educação de Xexéu.

Temos muito o que comemorar nesses 26 anos de liberdade.
A festa é do povo.
Xexéu, 1º de outubro (1991-2017)


20 de setembro de 2017

ONDE QUERES

                        (Como querer caetanear)
Admmauro Gommes
   
Onde queres verdade, sou mentira 
Onde queres a lira, sou espada 
Onde queres a quadra, redondilha  
E onde queres o tudo, não sou nada 
Eu te faço o bem, o bem é mal 
Por querer amar o amor não quis 
Onde queres espinho, flor de lis  
E onde queres montanha, litoral. 



19 de setembro de 2017

SOM DAS ORQUÍDEAS

Admmauro Gommes
 
O som que vem das orquídeas 
galopa ninhos de pássaros 
percorre campinas nuas 
vales desvalidos 
e desadormece os sorrisos 
encantados no nylon da última estação. 
Tudo isso acontece 
porque flores de plástico brotaram 
da escuridão de tua ausência. 



17 de setembro de 2017

CORTADOR DE CANA

- Admmauro Gommes

 

Na minha terra
o cortador de cana tem como missão
suar a camisa
tirando sua vida com as próprias mãos
pelo patrão:
lambe a terra
limpa terra
cava a terra
fertiliza a terra
morre pela terra. 

E a cana-de-açúcar
planta
limpa
lavra
queima
corta
transporta
e transforma tudo
em açúcar, mel e dólar. 


Depois de se plantar
se cortar
se queimar
se matar
e carregar a usina no ombro e no braço
eis sua recompensa:
o bagaço. 





16 de setembro de 2017

SELENA GOMEZ: 126 MILHÕES DE FÃS NA REDE SOCIAL E NÃO TEM AMIGOS

Selena Gomez
Admmauro Gommes
Escritor, palestrante e professor de Teoria Literária
da FAMASUL/Palmares (PE)
admmaurogommes@hotmail.com

Nem mesmo os melhores especialistas em comportamento humano puderam imaginar que a solidão seria um dos grandes males do nosso tempo. Principalmente, no mundo globalizado, onde alguns países apresentam superpopulações. A solidão desenfreada arrasta para si os males da depressão. Esta se evidencia como um dos maiores vilões da humanidade. 
Embora existam tantos recursos a serviço da comunicação pessoal, como a internet e suas múltiplas possibilidades de relacionamentos e esses deveriam aproximar mais as pessoas, não obstante, é enorme a dificuldade para se estabelecer sinceras, legítimas e duradouras amizades. O que nos faz lembrar de O Pequeno Príncipe: “Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!”
Como é difícil cativar. É quase impossível conseguir essa façanha apenas reenviando mensagens instantâneas e às vezes nem lidas pelo remetente, via WhatsApp. Relacionamentos verdadeiros precisam do calor humano, do abraço, do aperto de mão e do sorriso face a face.
A presença sincera de um amigo, portanto, passou a ser uma aquisição de primeira necessidade para o bem-estar de todos nós. Recentemente, li que a cantora norte-americana Selena Gomez, em entrevista à revista Bussiness of Fashion, em setembro (2017), mesmo sendo a personalidade mais seguida nas redes sociais, com 126 milhões de fãs que a acompanham, declarou que não tem amigos. É apavorante esta situação para quem carrega um olhar provinciano e depende da presença do vizinho nos bons dias, na troca de riso diário e do bate papo descontraído em cada encontro, do fim de semana compartilhado, em casa ou num barzinho.
Infelizmente, é destino cruel de nossa geração: não ter amigos. Isso conduz o ser humano à robotização. Selena que, além de cantora e atriz, é compositora, dubladora, dançarina, estilista, possui apenas 25 anos de idade e mais de 25 milhões dólares em sua conta bancária. Contudo, desabafou: “Eu sinto como se conhecesse todo mundo, mas não tenho amigos.” Como consequência de sua vida agitada em nome da fama, já teve problemas sérios de ansiedade. 
Situações iguais a essas nos levam a considerar o desgaste emocional que sofre quem está em uma cidadezinha qualquer, onde se criou fortes laços de elevada estima, e é obrigado ao êxodo que empurra muita gente a morar em uma metrópole. O resultado é se confinar em um apartamento. Assim, o internauta tem contato com o mundo inteiro, através da rede de computadores, mas ao mesmo tempo se sente só, isolado, escravo de um aparelho celular.
Cabe aqui uma reflexão muito séria sobre o modus vivendi que escolhemos como modelo para este século: não dividimos mais parcerias, antes nos tornamos dependentes de um mundo virtual, que é descartável. Quando falta energia, e o smartphone é descarregado, então sentimos a sensação de vazio como se a nossa vida também fosse desligada. Aí, procuramos a presença dos amigos, e nem mesmo dentro de casa eles estão.
Mas nem tudo está perdido. Podemos começar a reverter o quadro hoje. Ainda dá tempo: “Queres um amigo, cativa-me!”


15 de setembro de 2017

MUNICÍPIO DE XEXÉU


2017 
26 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA












BANDEIRA DE XEXÉU

A Bandeira do Município do Xexéu foi criada em 1993, por Admmauro Gommes, a pedido do então prefeito Floriano Gonçalves de Lima. As suas três cores básicas (amarelo, branco e depois azul), formando três faixas verticais, foram baseadas nas cores da Bandeira Nacional. O azul representa o céu, numa profundidade que nos lembra o céu nordestino, sem nuvens, espelhado pelo sol sempre causticante; o branco simboliza a paz; e o amarelo as riquezas de um povo lembradas pela cor do ouro. No centro, estão os elementos muito significativos para o povo xexeuense: da esquerda para a direita, uma cana, ícone da agricultura que representou a base da economia municipal, fazendo referência às usinas de cana de açúcar da região, no meio, a esfera que nos traz a recordação da Bandeira Nacional, apenas mudando o lema de ORDEM E PROGRESSO para PAZ E PROGRESSO, sugerido pelo prefeito Floriano Gonçalves. À direita, ainda dentro do espaço branco, o desenho de um lápis, representando a educação do município. Em síntese, a ideia do autor da bandeira foi trazer o passado (cana-de-açúcar), o presente (ligação com o País, com o círculo azul, lembrando que estamos debaixo do mesmo céu brasileiro) e, finalmente, o futuro (considerando a educação como caminho a seguir por todos os xexeuenses).



HINO DE XEXÉU
             Admmauro Gommes e Nilton Rodrigues

Quem te vê, entre montes, surgindo
E teus raios tocando o véu
Não imagina que é o brio refulgente
Da estrela chamada Xexéu.

Uma pátria de berço heroico
De guerreiros, de paz e brandura
Essa luz te faz na alvorada
Como águia voando às alturas.

Meu Xexéu, no voo majestoso
Desafio não é uma quimera
Se há batalha me inscreve à luta
Que a vitória sorrindo te espera.

Elevamos a alma aos céus
Gratidão, com respeito e louvor
Que a bandeira hasteiem da paz
Da justiça, da crença, do amor.

Nossa gente feliz já na praça
Festejando emancipação
Seja sempre sagrado e suave
O teu canto de paz e união



Partitura do Hino de Xexéu - Transcrição do Maestro Nilton Rodrigues































MEU NORDESTE
                 Admmauro Gommes

 Eu vejo o meu Nordeste
com muita admiração
da pamonha e da canjica
na noite de São João
e da sanfona de Gonzaga
que foi o Rei do Baião.

O Nordeste produz tudo:
sal, açúcar, ferro e mel
do frevo ao maracatu
aos livretos de cordel.
Para mim, o meu Nordeste
começa aqui em Xexéu.


1- AS ORIGENS

(Do livro História do Xexéu, escrito por Admmauro Gommes, Bernardo Almeida e Marcos Gonçalves de Lima. Editora Bagaço. Recife. 2003.

 1.1. No tempo do rococó - Admmauro Gommes

Era uma vez... Na verdade, não era uma vez, porque isso é modo de se começar uma história inventada. Esta é uma história verdadeira.
Houve um tempo, não muito distante, que Xexéu ainda nem era Xexéu e as coisas andavam para trás, como caranguejo. Isso é maneira de dizer que a vida era difícil e atrasada, em relação aos dias de hoje.
Era muito difícil viver naquele tempo. Pois bem. Imagine você viver num tempo assim, onde não existia o computador. Nem a televisão. Nem mesmo o rádio. Um tempo sem lâmpadas, sem liqüidificador, sem video-game, videocassete, sem televisão, nem antena parabólica. Sem carro para viajar e sem escola. Não existia automóvel, nem telefone, nem geladeira. Nem mesmo energia elétrica e as casas eram cobertas de capim. As coisas eram precárias, pela hora da morte! Por falar nisso, a funerária só tinha um caixão para os que morriam sem deixar recursos para as póstumas despesas: chamava-se o caixão da caridade. Era muito difícil morrer naquele tempo.
As viagens eram feitas a pé ou nos lombos dos animais. Quem quisesse ir a Palmares a pé gastava em média três horas e uma viagem a Maceió, mesmo que fosse a cavalo, demorava, pelo menos dois dias. Os burros, em geral, transportavam também o açúcar dos engenhos de Xexéu até Rio Formoso e de lá o nosso doce era levado para a Holanda, de navio. Os engenhos moíam a cana-de-açúcar. Quando as usinas chegaram, eles deixaram de moer. É por isso que os nossos sítios e pequenas propriedades são chamados de engenhos, até o dia de hoje. O patrão, dono da propriedade, era o senhor de engenho.
Tudo era muito difícil. Depois, as coisas das facilidades foram aparecendo, como num toque de mágica. Isso já datava dos anos 50. Veio a BR 101, e com ela todo o Brasil começa a passar por aqui. Nessa época, a Usina Santa Teresinha já estava estabelecida e o comércio foi favorecido quando os primeiros moradores já serviam de apoio às pessoas que por aqui se destinavam às Alagoas.
A iluminação das casas era na base da luz de candeeiro, depois veio a marca Aladim. Com certo tempo, apareceu uma bomba que gerava energia e bem depois chegou a luz vinda da usina, para enfim, surgir a eletricidade da Cachoeira Paulo Afonso. A Usina Santa Teresinha fazia e acontecia na região, pois era a segunda em produção no Estado de Pernambuco: elegia prefeito, dominava o comércio, inclusive, onde atualmente funciona o supermercado Stillo, era a instalação das famosas Casas Santa Teresinha. Até uma moeda extra, chamada gabão circulava com o carimbo da usina.

Esses fatos parecem muito distantes, mas deles nos separam apenas 60 anos. É isso que os mais velhos chamam de o tempo do rococó. Parece um tempo distante mesmo, pois até a palavra rococó, não mais faz parte da nossa linguagem de hoje. Daí, reconhecermos o valor da pesquisa historiográfica: não só resgata o termo rococó, como também salva o nosso passado histórico.


1.2 Do século XVII aos nossos dias - Bernardo Almeida

Desde a nossa bandeira com uma esfera deslocada pelo azul do pavilhão nacional lembrando o céu da pátria e o verde das matas e dos canaviais, o amarelo áureo, principal riqueza dos primeiros séculos de colonização, elemento determinante da história pernambucana, o lápis que escreve uma história com tinta perene, lembrando da nossa cultura e do nosso povo, até a estrela elevada ao alto como traço marcante da presença da paz e do progresso, acima de toda e qualquer individualidade, assim contextualizamos em nossa bandeira a inspiração dos nobres ideais do povo brasileiro.
 Essa inspiração, que em meio a busca da liberdade e a perseguição dos senhores de engenhos, surge assim, num palco de lutas e buscas de um ideal nobre e de inigualável valor.  Por nossas matas, sendo agraciado pelo mavioso cântico do Xexéu, assim caminhava Zumbi dos Palmares e os escravos fujões pela sua rota favorita, como afirma o historiador Amaro Matias (1988).
Xexéu não foi apenas o caminho da liberdade de Zumbi e dos escravos, é também em nossas terras que fica localizado o engenho Macaco, que por volta de 1675 tornou-se um dos maiores núcleos de resistência negra organizada do Brasil, chegando a ter aproximadamente 15.000 negros. Lá se plantavam, colhiam, desenvolviam o artesanato. Os mantimentos que lhes faltavam eram trocados nas vizinhanças e formavam uma sociedade livre, onde a preservação da liberdade era o seu maior patrimônio.
Aqui em Xexéu o Brasil inquietou-se, com Macaco, que rotineiramente intercambiava, informações, homens e produtos com os irmãos de mesmos ideais pelas terras pernambucanas, que na época envolvia a Serra da Barriga, refúgio maior do Quilombo dos Palmares.
Tantos outros fatos marcaram a história do Xexéu, que territorialmente é demarcado a partir dos Venâncios, Camboins, Cavalcantes, Santos, Pereiras e Maciéis. Estes pertencentes à família de Marco Maciel.
Em meio a este mergulho cronológico de nossa história, constatamos a importante contribuição da sesmaria dos Maciéis, que forma os engenhos Pureza e Beleza, por volta de 1865 e uma década depois instala em sua propriedade uma fábrica de doces.  No início da década de 1870, o Major da Guarda Nacional Henrique Abreu Siqueira de Cavalcante compra a José Venâncio quatro hectares de terra e forma a propriedade do Jucá e os Santos se estabelecem em Ipiranga. Nessas três propriedades, havia algo em comum: o cântico belo e harmonioso do Xexéu. Cantando como um fiel intérprete das mais variadas aves impressionava a todos que por aqui passavam e aumentavam os comentários dos que afirmavam ter passado por aqui.
 O número cada vez mais crescente de feirantes, trabalhadores e senhores de engenho, tornava Xexéu um ponto de encontro obrigatório para as mais diversas comercializações regionais. Aqui eram definidos os preços do açúcar e das mercadorias mais importantes. A feira era realizada por caixeiros viajantes, biscateiros e feirantes do agreste de Pernambuco e Alagoas, iniciada no sábado, à tardinha, com o bacural e durante noite e madrugada se comercializavam diversos produtos, somente vindo a terminar no domingo à tarde.
Os primeiros habitantes já se encontrando em Xexéu, por volta de 1893 recebem João Pereira Sobrinho, comerciante do Recife, Domingos e Francisco Leandro para estabelecer as primeiras casas comerciais. Ainda no final do século XIX Xexéu recebe o nome de Aurora por ocasião da passagem das tropas do marechal José Semeão, que fica encantado com o nosso amanhecer e resolve render-se à grande beleza, e diz para todos que a partir daquele momento o lugar teria o nome de Aurora.  Mas, o canto na forma de grito inquietante do Xexéu foi maior do que as ordens do Marechal José Semeão e alguns meses depois nossa terra volta a ser definitivamente Xexéu.
Os Gonçalves chegam em Xexéu nas primeiras décadas do século XX, por volta de 1923. Nos anos 40, Floriano, Reginaldo e Gercino formam com os Maciéis e Vasconcellos os primeiros grupos políticos.
Em 1992, Floriano é eleito primeiro prefeito do Xexéu. Com o passamento desse, o vice-prefeito Severino Alves assume a prefeitura, em 1993. No ano de 1996 Marcos Gonçalves é eleito prefeito e reeleito nas eleições de 2000.


5.5 A emancipação política - Marcos Gonçalves de Lima

Todos acontecimentos têm uma certa importância, mas a data da emancipação política de Xexéu significa o marco da nossa liberdade, da nossa independência, é, com certeza, o fato mais marcante entre nós. Ela diz que nós estamos com o campo aberto para construir a sociedade, cada vez maior, acima de tudo mais justa e mais humana.
A luta para Xexéu emancipar-se foi muito longa, atingindo mais de 40 anos. Foi assim: o 1º projeto para Xexéu ser emancipado foi elaborado em 1952. Acontecendo a eleição de 1956 e depois de 1960, Floriano pediu a alguns companheiros, deputados na época, para fazer Xexéu emancipado. Mas tinha um grande problema: o domínio político e empresarial, o poder econômico que estava depositado pelos donos das terras. Eles não tinham interesse em ver Xexéu passar a cidade, até mesmo para não perderem uma grande porção de hectares de terra. Então, esse poder pressionava a política dominante, lá em Água Preta, para não permitir que fôssemos emancipados.
Hoje até que vemos o grupo empresarial com uma outra visão. Mas naquela época, era um poder esmagador, e só pensavam neles. Eles estando bem, com a pobreza não se incomodavam. Então havia essa pressão do poder econômico junto ao poder político dominante e a vontade de liberdade esbarrava sempre ali.
            Mas a luta foi se estendendo e muitas e muitas vezes foram apresentados projetos. (...) Aí o plebiscito foi marcado e Xexéu compareceu em massa quando mais de 98% disseram sim. Era um sonho! Aprovado o plebiscito, a Lei 10.621 de 1º de outubro de 1991 foi sancionada pelo então governador Joaquim Francisco Cavalcanti, dando-nos a emancipação.
A Lei dizia que a cidade tendo sido emancipada ficaria ainda sobre a responsabilidade do Município mãe, até que chegasse o período das eleições. Então nós ainda passamos um ano e três meses, na condição de município, governado por Água Preta. Foi quando aconteceram as eleições de 92 e no dia 1º de janeiro de 1993, de fato e de direito, Xexéu começou a ser governada pelos seus próprios representantes.
Assim, Xexéu tem duas datas importantes, a da Lei que cria o Município e a do início administrativo. Xexéu foi fundado em primeiro de outubro de 1991, como poder administrativo próprio. Em janeiro de 1993, o 1º prefeito, Floriano Gonçalves de Lima, assumiu o comando municipal.




11 de setembro de 2017

DOCE LEMBRANÇA E ARTE RETRÔ

Admmauro Gommes
Escritor, Poeta e Professor de Teoria Literária
da FAMASUL/Palmares (PE)
admmaurogommes@hotmail.com

A moda exerce um fascínio muito grande sobre o ser humano: altera comportamentos e opiniões. O que ontem era uma sensação, hoje pode não valer nada, ou vice-versa. A lembrança é que me denuncia. De vez em quando, recordo-me de alguma coisa que era comum na infância, como por exemplo, o quebra-queixo, doce caseiro, à base de coco e açúcar queimado. Mas isso pertence a outra época, deixou de ser atração há muito tempo. Será? 
Uma das novidades de nossos dias é a arte retrô, ou seja, a que traz de volta o sucesso passado, como roupas dos anos oitenta ou geladeira enfeitada de pinguins. Além do retorno da vitrola. Não sabe o que é vitrola? É uma radiola. Não sabe o que é isso, também? É um aparelho eletrônico que reproduzia long play. Ou seja, disco de plástico rígido que foi substituído pelos atuais cds. Ufa! Se você tem menos de 18 anos, acredito que estou usando uma linguagem proibida para sua faixa etária. 
Vamos mudar de assunto. Esta semana, uma amiga minha, que tem uma loja na praça de alimentação de um shopping, me informou que chegou uma grande novidade: petit gateau (o nome é bonito, mas significa apenas pequeno bolo, em francês). Um tipo desses está sendo anunciado constantemente na televisão como a última das maravilhas, mesmo tendo surgido, por um erro na cozinha, há pelo menos duas décadas. O toque de requinte é que o gateau serve-se quente, mas vem acompanhado de sorvete.
Como eu tenho uma leve irritação na garganta, que me afasta constantemente de alimentos congelados, disse que não o aceitava. Só por esse motivo. Então, ela me ofereceu outra, dizendo: Esta sim, não é gelada e não faz mal. É o produto mais novo da doceria nacional. E continuou a propaganda: já vem embalado em plástico higiênico, em tabletes. Uma delícia. É feito de especiarias retiradas de raspas de coco, caramelizado e muito nutritivo. Aí, não resisti. Quero provar. Quando abri a embalagem, tive uma surpresa: era quebra-queixo. Um doce retrô. 
Isso me fez puxar pela memória e estacionar na infância. Que bom! O quebra-queixo voltou. A tapioca já havia retornado, de antigamente, renovada em mil sabores no recheio. Atualmente, é uma das receitas preferidas dos nutricionistas porque tem baixo teor de sódio, sem gordura, rico em carboidratos e de fácil digestão. E mais, não tem glúten. Que coisa! Mas não devemos nos espantar. Como diz Eclesiastes, “Nada há de novo debaixo do sol.” Nem mesmo o quebra-queixo.


26 de agosto de 2017

A SORTE DE TER SORTE

Admmauro Gommes
Escritor, Poeta e Professor de Teoria Literária
da FAMASUL/Palmares (PE)
admmaurogommes@hotmail.com

Na vida é assim: às vezes alguém acha que é preciso ter a sorte de ter sorte. Já vi muita gente procurando um trevo de quatro folhas porque disseram que ele traz felicidade. Só soube que estavam procurando. Ninguém me disse que achou. 
É que estiveram buscando onde não havia o objeto desejado. A lógica é clara: procurar onde não há existência de ouro, torna-se impossível o encontro. Mesmo quando se tem um mapa bem desenhado, se não houver tesouro, nada feito. Por isso, não busque a dita cuja onde ela não mora. Mas não deixe de persegui-la. Com um pouquinho de sorte, tudo se resolve. 
Porém, todo cuidado é pouco. Precaução e canja de galinha não fazem mal a ninguém. É que a bendita pode andar encangada com o azar. Se um time joga e vence por sorte, o outro, naturalmente, teve azar. Para quem acredita que um pé de coelho dá sorte... pode até ser. Menos para o coelho. 
De vez em quando, é bom traçar um atalho ou agendar uma entrevista com ela, pois a sorte não dá azar de ser encontrada por um azarão. Por exemplo: a portuguesa Zoraia (que nasceu em Xexéu), foi quem puxou primeiro essa conversa. Ela disse que mudou a sorte quando saiu do Brasil e foi morar em um país europeu. Primeiro, me mostrou umas fotos com delicadíssimas flores de seu jardim, modelo de paz e harmonia, encanto e ternura. Que felicidade! Sabe o que ela me enviou por um zap, em uma semana dessas? Uma plantação de trevos. Um monte. Todos de quatro folhas e de várias espécies. 
Aí pode estar o segredo revelado. Lá é muito comum cultivarem esse arbusto. Ela apenas deu um empurrãozinho na sorte e foi ao encontro dos trevos. 
Por aqui, Zoraia, tem um dito que você bem conhece, ninguém planta laranja e colhe goiaba. Fica a lição: quem planta trevo colhe trevoada. Como se atesta, não carece sorte para encontrar um trevo de quatro folhas, nem trevo para encontrar a sorte. Então, façamos alguma coisa. João Cabral disse na sua severina obra: “Grande diferença faz, lutar com as mãos ou colocá-las para trás.” Não é bom esperar por quem pode não vir (a sorte). Nem sempre a montanha vai a Maomé. É preciso cruzar o oceano, se necessário, para ser feliz. 


17 de agosto de 2017

A FOTO DO ANO: EUDO NO MEIO DAS CRIANÇAS

Prefeito Eudo Magalhães visita estudantes da educação infantil

            Na minha opinião, esta é a foto do ano: o prefeito de Xexéu, Eudo Magalhães, no meio das crianças, em uma sala de aula da educação infantil (17/8/2017). É a força do exemplo. Seguindo o pensamento de Mahatma Gandhi, devemos ser o exemplo da mudança que desejamos ver no mundo. É isso que Eudo está fazendo. Ao conversar com estudantes da primeira fase da educação básica, o prefeito percebe como vai o ensino no seu município. E saiu satisfeito porque ouviu dos alunos que a educação vai bem. A merenda é de boa qualidade e os profissionais da educação estão fazendo um trabalho de destaque.
            Mas fica em minha mente, o exemplo da foto. Ao dialogar com o prefeito, as crianças têm a oportunidade de tratar com a autoridade máxima do município, em conversa trivial, de assuntos sérios, como o futuro de uma cidade e do país. Quem dera que esta situação servisse de parâmetro para muitos administradores que devem sair do gabinete e visitar os setores de trabalho.
            Escolhi essa imagem dentre tantas outras fotos tiradas do prefeito neste dia, em que visitou várias escolas, acompanhando as reformas, manutenção e pinturas, como parte de sua rotina na condição administrador público. No meio de suas atividades, reservou um tempo para se assentar e bater um papo com os pequeninos.
            Este gesto, com certeza, ficará em minha memória, e fará com que os que acreditam na educação percebam que ainda é possível transformar a sociedade com ações e gestos que podem muito bem ser reproduzidos com eficácia. Para citar Anne Robert Jacques Turgot, reconhecemos que “O problema essencial da educação é dar o exemplo.” Eis o homem. Eis o exemplo.

11 de agosto de 2017

O VELHO, O MENINO E O BURRO (ATUALIZAÇÃO)


Admmauro Gommes
Escritor, Poeta e Professor de Teoria Literária
da FAMASUL/Palmares (PE)
admmaurogommes@hotmail.com

Esta é uma história antiga, mas sua temática é também de nossos dias. Trata-se de observar o comportamento humano, o que é muito comum, principalmente no que tange ao julgamento alheio, ou a emissão de palpites e opiniões, sem ninguém pedir. Isso percebemos de sobra, à nossa volta.
Quase sempre, a busca desenfreada, como tentativa para ser para agradável a gagos e traianos, quando em demasiadas ações, transforma-se em desastroso resultado. Bill Cosby, comediante norte-americano, disse certa vez: "Não conheço a chave para o sucesso, mas a chave para o fracasso é tentar agradar a todo mundo." Foi então que me lembrei da história de ‘O velho, o menino e o burro.’ Assim, a fábula me pareceu bem contemporânea, quando nela imprimi contornos de nossos dias, com o olhar das instituições atuais.
Conta-se que um velho andava pela estrada, montado em um animal, enquanto o menino ia a pé. No caminho, um conselheiro tutelar o repreendeu severamente: “Como é que uma criança dessa passa por esses maus tratos, andando a pé, e o velho vai confortável no burro?” O velho não teve dúvida. Para atender àquela reclamação, desceu da montaria e colocou o menino sobre o animal. 
Mais adiante, encontra um representante da melhor idade e chama a atenção do velho. “O senhor, nessa idade? Seria bom que montasse e deixasse que a criança, ainda muito nova, fizesse a caminhada, caminhando, porque ela tem muita saúde.” O velho, para não afrontar nem ao primeiro nem ao segundo interlocutor, decidiu que a criança e ele seguissem montados. Mais adiante, esbarra com um grupo de ativistas protetores dos animais. “Aí é demais. Estão querendo matar o pobre animalzinho.” 
O final da história é desconcertante. Lamentavelmente, o velho chega ao destino com o burro nas costas, preocupado em não desagradar a mais ninguém. 
Agradar a todos, como se pode ver, é alvo inatingível.
Diante desta impossibilidade, resta-nos agir em nome do bom senso. Optar pelo caminho do equilíbrio, agindo com ética, mesmo considerando que essa seja mutável, em diferentes tempos e espaços. Não obstante, ela é ainda a orientação aceitável para se fazer, respeitando e atendendo aos reclames da própria consciência. 
A consciência, alicerçada na ética, deve guiar cada passo do ser humano. Se não há dolo, nem prejuízo alheio, sigamos em frente, quem sabe seja este um indicativo de que estamos fazendo a coisa certa. Se fizermos bom uso de nossa consciência, talvez nem precisemos carregar o burro nas costas.

3 de agosto de 2017

WILSON SANTOS SAI DE CENA MAS NÃO DEIXA O PALCO

"Mestre Wilson Santos, fui um privilegiado em tê-lo como um dos meus condutores no magnífico campo da Literatura." (Ricardo Guerra/Jaqueira)

"Professor Wilson sempre será para nós um 'site' de conhecimento, que irá nos orientar, acerca de quaisquer incertezas ou dúvidas, sobre a Gramática da Língua Portuguesa." João Constantino Gomes Ferreira Neto - (Coordenador de Letras/Famasul)
“Meu querido mestre Wilson, meu coração reserva-lhe um lugar junto às pessoas que mais amo.Zeripe
"Grande professor, no qual me apaixonei por suas aulas e por suas cantorias. Seu retroprojetor, quem usará agora?" Mário Júnior (Letras/Famasul)

“Professor Wilson - A gramática humana que tive o privilégio de conhecer.” Pamella Emanuella Gomes de Lima (Letras/Famasul)

"Professor Wilson - Máquina da língua portuguesa." (Romélia/Letras)

"Este cidadão, mesmo fora da sala de aula, será sempre para quem o buscar uma eterna biblioteca ambulante!" (Agenor Gomes - Mustang Pneus)

“Essa gargalhada gostosa vai fazer falta na Famasul.” (Sylvia Beltrão)

   Wilson Santos
por Admmauro Gommes
Escritor e professor da FAMASUL/Palmares
admmaurogommes@hotmail.com


É bem conhecida a frase do apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.” Parodiando o apóstolo e invertendo a ordem das ideias, chegaremos a uma descrição que revela bem o perfil do Professor Wilson Santos, que diria: Combati o bom combate, guardei a fé mas não terminei a carreira (ainda). 
Certamente, um grande professor aposenta-se para ser Mestre. Aliás, Mestre ele sempre foi. À primeira vez que o vi, estava em minha frente, em uma sala de aula, tratando de português e literatura. Por isso, tenho uma influência direta da parte desse amigo, exemplo de profissionalismo e cidadania. Para mim, professor emérito sempre. 

Agora, surge uma nova aposentadoria, que o afasta do campus da Famasul. Os anos se enganam quando, para preservar, aposentam um educador. Embora o descanso seja merecido, nada conseguirá distanciá-lo de uma pedagogia do cântico e da descontração que ele mesmo desenvolveu. Valeu-se das letras de música para extrair os termos essenciais da oração enquanto, por essenciais termos, formava gerações de admiradores.
Para um sábio, o conhecimento é como o vinho: o tempo só consegue aperfeiçoar seu sabor. E isso se encaixa também em Wilson Santos que sai, momentaneamente, de cena mas não deixa o palco, no instante em que direciona seus conhecimentos em investigações científicas e estudos cada vez mais profundos.
O homem velho... (desculpe-me pelo “velho”, mas foi a imagem suave que me veio à memória nesse momento) “O homem velho deixa a vida e morte para trás/ Cabeça a prumo, segue rumo e nunca, nunca mais/ O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais/O homem velho é o rei dos animais" (Caetano). Deste modo, a sabedoria, aliada ao conhecimento, dá ao homem ares de realeza e definitivo respeito. Eis o homem!
Em tempo: O Professor, depois que acumula tantos saberes, devia subir de patente ao se aposentar. Por exemplo, sendo Capitão, Wilson Santos, agora é Professor Major Wilson.
Continência! 


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Mensagem ao Mestre Wilson Santos
por Rute Costa
Lembranças de um início de estudante na Escola Eliseu, tendo como gestor Wilson Santos. Cumprir o regimento da escola era sagrado, patriotismo era dever e a religiosidade era missão de todos a cada dia!
O tempo passa e lá vou para o EMAAG cursar o magistério e mais uma vez professor Wilson Santos está no quadro de professores da minha vida, estágio.
Alguns anos depois, consigo passar pelo tão inatingível vestibular da FAMASUL!
Parece brincadeira ou será destino?
Não acredita? Pois, acredite! Lá está Wilson Santos e, dessa vez, com mais satisfação e entusiasmo ainda pelo ensino. Cantando como na primeira escola, lendo textos de diversos tipos e gêneros textuais... Mais ainda tinha um equipamento tecnológico que me prendia a atenção. Um inusitado e prático retroprojetor de imagens! É lá que descubro que existem pessoas como você, Wilson Santos, que também responde por Gramática ambulante e ou Evanildo Bechara, carinhosamente por ser amigo pessoal e leitor assíduo do mesmo.
É, nos encontros da vida que parecem coincidências banais que descubro o privilégio que Deus me concede de nas instituições públicas e privada de ensino que pude percorrer tinha sempre exemplos de pessoas cultas e nobres.
Quando tudo parece estar no seu devido lugar, sou convidada para lecionar na FAMASUL e lá mais uma vez o destino nos aproxima, e dessa ocasião, colegas de trabalho! Como soaram doces ao meu ouvido; elogios e nota de orgulho de minha pessoa! Espero mestre, nunca o decepcionar!
Agradeço a Deus por sua vida e aposentadoria! Desejando desde sempre, vida longa e saúde para desfrutar com satisfação sua merecida vida feliz!
Um caloroso abraço.

Palmares /PE, 11 de agosto de 2017 (Dia do Estudante)





Veja um poema 
recitado por Wilson Santos
ORAÇÃO AOS MOÇOS 

(CORA CORALINA)
https://www.youtube.com/watch?v=OjdK9BPm5w0


também:


LIÇÕES DE GRAMÁTICA - NORMA CULTA
https://www.youtube.com/watch?v=m_ZDMw87fV0&t=10s