24 de maio de 2017

ANÁLISE DO SERMÃO DE VIEIRA

SERMÃO DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Literatura Brasileira I
Válido como conteúdo da ANP (aula não presencial)

Metodologia:
Destacar pelo menos cinco pontos característicos do Barroco e, em seguida, elaborar um comentário de cada item selecionado.

Prazo: Um dia antes da Avaliação da II unidade
Sugestão: Escreva os textos sempre abaixo do nome já digitado em COMENTÁRIOS (como Responder)

Exemplo:




69 comentários:

  1. Respostas
    1. Sermão de Quarta Feira de Cinza – Padre Antônio Vieira

      Um dos maiores representantes do estilo barroco, Padre Antônio Vieira era dotado de uma retórica requintada, e se destacou de forma excepcional em seus sermões escritos. “Fora o contexto da religião define-se como sermão todo o discurso ou toda a expressão que procura repreender alguém” (conceito.de). Nas suas pregações o religioso utiliza trechos bíblicos e argumenta suas ideias, repreendendo de tal forma que a lógica e o racional preenche o discurso de maneira que é quase impossível discordar.

      No Sermão de Quarta Feira de Cinza, Vieira começa usando o tema: “ Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverentis”, ou seja ‘Lembra-te homem, és pó e ao pó retornarás’, esse é desenvolvido de forma repetitiva em todo o texto, tentando provar que o homem é pó, porque era pó e ao pó voltará, para isso o padre se volta a bíblia e a mitologia fazendo comparações, levanta indagações e responde-as usando uma lógica invejável.

      Em seguida uma outra ideia desenvolve-se a partir do mesmo trecho, mas enfatizando a diferença existente entre os mortos e os vivos, fala do pó caído (o homem morto) e do pó levantado (o homem vivo), reafirmando o tema de uma forma diferente. Na mesma continuação, o religioso comenta sobre o amor a vida e do temor à morte, e outra vez utiliza a bíblia, a mitologia, filósofos e a ciência, tudo como forma de argumentos para provar a grande hipocrisia que há no ser humano que se preocupa mais com o que é mortal do que com a imortalidade que é eterna.

      É fascinante a forma como o padre nos mostra que nada somos, ele emprega as palavras certas e realmente levanta questões a respeito dos nossos valores ensinando-nos, somos pó porque éramos pó e ao pó voltaremos, somos todos iguais.

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    2. Sermão de Quarta-feira de Cinza: Análise

      No sermão da Quarta-feira de Cinza, o padre Antônio Vieira se utiliza de um tema: “Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverentis, esse emprega palavras para persuadir e transforma uma simples informação em uma ferramenta de argumentação infalível, porém o mesmo não somente trata da vida, mas também da morte, e vale-se da expressão "pó caído e pó levantado" para demostrar esse contraste.

      No capítulo IV Vieira começa citando “ Nas escrituras, levantar é viver, cair é morrer...” para afirmar seus argumentos; e no capítulo VI, parágrafo 2 e linhas 30-31 ele diz: “ Todos nascemos para morrer, e todos morremos para ressuscitar”. Aqui é perceptível a ideia não só da morte, mas também da ressurreição, com esta citação o religioso nos prova a existência de uma vida após a morte, ou seja, um espírito; e assim pode ser identificado uma particularidade do barroco chamada dualismo, que é a possibilidade da coexistência, da existência simultânea do espírito e do corpo, do bem e do mal de coisas contraditórias.

      Ainda no mesmo capítulo, parágrafo 3, linha 8-9 ele mais uma vez reforça o sentido quando se expressa: “...porque sei que hei de viver para sempre, porque sei que me espera uma eternidade, ou no céu ou no inferno”. O padre usava a si mesmo como exemplo, e com isso passava ensinamentos para os ouvintes.

      O dualismo é uma característica marcante do estilo barroco, o contraste da fé e da razão, de Deus e do homem, da vida e da morte é bem evidente, e por ser uma obra desse estilo o padre Vieira retratou-a muito bem em seu sermão, a mesma é expressa de maneira visível.

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    3. Sermão da Quarta-Feira de Cinza: Análise

      O Sermão da Quarta-Feira de Cinza é uma das mais belas obras barrocas, sem mencionar o seu autor, Vieira foi um dos representantes do estilo barroco que mais se destacou, e quando se estuda esta obra confirma-se o porquê da grandiosidade desse nome. Sem dúvida alguma, é impossível não se envolver.

      Ao ler tal arte, não tem como não ressaltar o modo como é construída suas ideias, tomamos por base um trecho no capítulo 3, parágrafo 3, linhas 13 -15 “Quem vai circularmente de um ponto para o mesmo ponto, quanto mais se aparta dele tanto mais se chega para ele; e quanto mais se aparta mais se chega, não se aparta”. É extraordinário o raciocínio que com uma circularidade nos leva a pensar o lógico de uma maneira persuasiva; e aqui podemos ver o cultismo que é o jogo de palavras e o conceptismo que é as ideias em conformidade com a técnica da argumentação, o que além de ser uma particularidade do barroco, também define o Padre Vieira.

      Com o objetivo de ensinar, orientar, ou mesmo repreender, o sermão de Vieira tinha uma maneira de convencer os que escutavam e era principalmente por causa dessa particularidade do religioso, essa forma de expressão que implanta a ideia utilizando uma argumentação quase que irreversível. Até hoje ao lermos o sermão aprendemos e nos indagamos a respeito de suas palavras, elas nos fazem perguntar, quem somos? Como estamos vivendo? É sublime!

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    4. Sermão da Quarta-Feira de Cinza: Análise

      As ideias que o Padre Antônio Vieira pregava agitava os pensamentos acomodados; a ideia do pó e toda circularidade da obra em cima desse trecho, deixou várias advertências para nós, tudo voltará ao que já foi um dia, não devemos nos preocupar somente com o material, mas também com o imaterial.

      Quando nos debruçamos sobre essa arte recebemos uma lição de vida, é bem verdade, mas é bom ressaltar que a obra de Vieira não tinha somente o objetivo de ensinar, mas também de resgatar, pois a igreja estava vivendo um momento crítico, no qual havia uma divisão entre o antropocentrismo e o teocentrismo. Naquele período de Reforma Protestante liderado por Lutero, a igreja estava perdendo seu espaço, com isso foi desenvolvido um movimento chamado contrarreforma, a obra de vieira está inserida neste contexto.

      Analisamos o seguinte fragmento no qual ele se expressa utilizando alguns nomes da filosofia: “Por ciência e por razão natural a conheceram Platão, Aristóteles e tantos outros filósofos gentios” (capítulo 6, parágrafo 3, linhas 13-14). Nesse trecho o padre comenta a respeito da imortalidade, dizendo que a fé não era o único fundamento para isso, a ciência também contribuía. O religioso provava através de suas pregações que possuía conhecimento em diversas áreas, tanto que ele cita filósofos, fala de mitologia, tudo para formosear seus argumentos, com isso alcançando um grande público.

      Assim, com seu vasto conhecimento e a maneira que construía as ideias, o Padre pregava para todo tipo de pessoa, e convencia através de seus discursos, mediante a isso resgatava a muitos que já haviam duvidado por causa do novo movimento.

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  2. Respostas
    1. SERMÃO DA QUARTA FEIRADE CINZAS- PADRE ANTÔNIO VIEIRA.

      “se for vara, e há de ser vara, é vara; se for terra, e há de ser terra, é terra; se foi nada, e há de ser nada, é nada, porque tudo que vive neste mundo é o que foi e o que há de ser”.

      No sermão o padre Antônio vieira refere-se a vara, terra e nada como comparativos com o ser humano, o pecador e não deixará de ser pecador enquanto viver na vida longe dos olhos de Deus e continuar em uma vida de hipocrisias onde sabes do pecado e ainda sim os comete por saber que terás o perdão divino, assim como vara não deixará de ser vara, nem terra de ser terra. Ele consegui mostrar que cada ser e cada coisa é o que é, o que foi e o que há de ser sem perder a essência do foi inicialmente, fazendo assim uma comparação entre o seu ser como foi criado, como é e como será, pois as idéias e ações são o podemos mudar, mas o que nascemos para ser é o que sempre seremos.

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    2. “Foi notar S. Judas Tadeu naquela sua admirável epístola, que as árvores morrem duas vezes... A primeira vez, morrem as árvores em pé, a segunda deitadas; a primeira, quando secam; a segunda, quando caem. Platão disse que os homens são árvores às avessas, e eu acrescento que, se morrem como árvores, serão homens às direitas. Na árvore, enquanto lhe dura a vida, ou a verdura, tudo são galas, tudo pompa, tudo novidades; morre finalmente a árvore com o tempo a primeira vez, e daquele corpo tão formoso e vário, que vestiam as folhas, que guarneciam as flores, que enriqueciam os frutos, não se vê mais que um cadáver seco, triste e destroncado”

      Já aqui o Padre Antônio Vieira trata da questão filosófica e de seus ideais, onde também visa as questões de corpo e alma citando alguns deles como São Judas Tadeu e Platão que tem uma ideologia de vida e morte muito semelhantes com as dele. também com metáforas usando as arvores como objetos de comparação ao ser humano, mostrando que a primeira vez o ser é quem morre, a segunda vez o corpo quem morrerá gradativamente por consequências do ser, pois o ser é o corpo que morre em pé, a segunda o corpo como carne é quem morre deitado, onde por fim mostra que naquele corpo tão galante e rico de vida não restará mais nada que um corpo seco, triste e sem vida, fazendo um alusão a vida e fim de todos nós.

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    3. "Ora, senhores, já que somos cristãos, já que sabemos que havemos de morrer e que somos imortais, saibamos usar da morte e da imortalidade. Tratemos desta vida como mortais, e da outra como imortais. Pode haver loucura mais rematada, pode haver cegueira mais cega que empregar-me todo na vida que há de acabar, e não tratar da vida que há de durar para sempre? Cansar-me, afligir-me, matar-me pelo que forçosamente hei de deixar, e do que hei de lograr ou perder para sempre, não fazer nenhum caso! Tantas diligências para esta vida, nenhuma diligência para a outra vida? Tanto medo, tanto receio da morte temporal, e da eterna nenhum temor? Mortos, mortos, desenganai estes vivos. Dizei-nos que pensamentos e que sentimentos foram os vossos quando entrastes e saístes pelas portas da morte? A morte tem duas portas: Qui exaltas me de portis mortis. Uma porta de vidro, por onde se sai da vida, outra porta de diamante, por onde se entra à eternidade. Entre estas duas portas se acha subitamente um homem no instante da morte, sem poder tornar atrás, nem parar, nem fugir, nem dilatar, senão entrar para onde não sabe, e para sempre. Oh! que transe tão apertado! Oh! que passo tão estreito! Oh! que momento tão terrível!"

      Os questionamentos sobre a morte e a vida eterna mostram o temor que temos por outra vida que se dizem ser eterna, por que para nos cristãos o desconhecido e novo é assustador e nem todos estão dispostos e preparados para uma nova vida, pois o Padre Antônio Vieira conseguiu nos mostrar que de nada nos adiante tanto temor por algo que é natural e hora ou outra irá nos acontecer, por que a vida nos segui dessa forma, sendo que nosso final sempre será a morte pelo menos o final dessa vida, e não teremos como fugir dela, quando tiver que ser nossa hora será sem trocas de caminhos, nem escolhas, e disso não poderemos nos esconder.
      Nascemos cronometrados para seguir e passar por essa vida, temos tempo determinado e tempo a ser cumprido, onde nesse mundo tudo que se nasce se morre nada se perdura eternamente, início e fim andam de mãos dadas, uma questão de ser e ter uma maior valorização de ambas as coisas. Temer a morte é temer a própria vida uma vez que quem não se arriscar nessa vida não viverá o presente e consequentemente não terá um futuro.

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    4. "Abri aquelas sepulturas, diz Agostinho, e vede qual é ali o senhor e qual o servo; qual é ali o pobre e qual o rico? Discerne, si potes: distingui-me ali, se podeis, o valente do fraco, o formoso do feio, o rei coroado de ouro do escravo de Argel carregado de ferros? Distingui-los? Conhecei-los? Não por certo. O grande e o pequeno, o rico e o pobre, o sábio e o ignorante, o senhor e o escravo, o príncipe e o cavador, o alemão e o etíope, todos ali são da mesma cor."

      Podemos perceber que o Padre Antônio Vieira foi bem enfático, direto e objetivo ao falar da morte como um evento natural que a todos nos irá ocorrer sem escapatórias, ele mostra que a morte independe de cor, sexo, classe social, ou qualquer outra distinção existente entre os seres humanos pois já diz ele em certo momento: "Notai. Esta nossa chamada vida não é mais que um círculo que fazemos de pó a pó: do pó que fomos ao pó que havemos de ser."
      Ele nos leva a crer que nada que faremos nesta vida será o bastante pois nossos bens materiais não nos elevará ao altar dos céus permanecerá em terra e como em pó viemos em pó iremos. E que uma vez pó sempre serás pó, vivo ou morto, pó levantado ,ou pó deitado, sempre será pó.

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    5. "Quando considero na vida que se usa, acho que não vivemos como mortais, nem vivemos como imortais. Não vivemos como mortais, porque tratamos das coisas desta vida como se esta vida fora eterna. Não vivemos como imortais, porque nos esquecemos tanto da vida eterna, como se não houvera tal vida."

      Nessa parte do sermão vemos o quão o Padre Antônio Vieira se preocupa com as questões de mortalidade e imortalidade, percebendo assim que uma ideia errada existe no psicológico cristão onde imaginam que com a passagem da vida irá para uma vida eterna, ai vem o padre para desmistificar esse paradoxo da mentalidade cristã, mostrando que não existe vida eterna, nem que existe apenas morte ou passagem dessa vida, ele consegui nos mostrar que a vida é um ciclo onde tudo que nasce morre e tudo morre nasce, pois se nasceu foi para morrer e assim respectivamente se morreu foi para nascer.

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    6. "Aristóteles disse que entre todas as coisas terríveis, a mais terrível é a morte. Disse bem mas não entendeu o que disse. Não é terrível a morte pela vida que acaba, senão pela eternidade que começa. Não é terrível a porta por onde se sai; a terrível é a porta por onde se entra. Se olhais para cima, uma escada que chega até o céu; se olhais para baixo, um precipício que vai parar no inferno, e isto incerto."

      Mais uma vez citando um de seus ideais filosóficos onde mostra o temor pela morte, e pelas consequências dos pecados humanos o padre expõe sua visão espiritual sobre as questões de céu e inferno sem o temor dos leigos que acreditam que apos a sua passagem de vida irão para o paraíso ou o infernal, o padre trata desse assunto com naturalidade e confiança sabendo que hora ou outra chegará sua hora e teremos que pagar por nossas ações e pecados e nos propõe exercer com mais naturalidade nossas filosofias de vida, de alma e espírito para que quando chegue nossa hora possamos ter paz e tranquilidade aos olhos de Deus e assim possamos ter nossa estadia espiritual onde os julgamentos de Deus nos permitir estar.

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    7. Resumo:

      SERMÃO DA QUARTA FEIRADE CINZAS- PADRE ANTÔNIO VIEIRA

      Ora, senhores, já que somos cristãos, já que sabemos que havemos de morrer e que somos imortais, saibamos usar da morte e da imortalidade. Tratemos desta vida como mortais, e da outra como imortais. Pode haver loucura mais rematada, pode haver cegueira mais cega que empregar-me todo na vida que há de acabar, e não tratar da vida que há de durar para sempre? Cansar-me, afligir-me, matar-me pelo que forçosamente hei de deixar, e do que hei de lograr ou perder para sempre, não fazer nenhum caso! Tantas diligências para esta vida, nenhuma diligência para a outra vida? Tanto medo, tanto receio da morte temporal, e da eterna nenhum temor? Mortos, mortos, desenganai estes vivos. Dizei-nos que pensamentos e que sentimentos foram os vossos quando entrastes e saístes pelas portas da morte? A morte tem duas portas: Qui exaltas me de portis mortis. Uma porta de vidro, por onde se sai da vida, outra porta de diamante, por onde se entra à eternidade. Entre estas duas portas se acha subitamente um homem no instante da morte, sem poder tornar atrás, nem parar, nem fugir, nem dilatar, senão entrar para onde não sabe, e para sempre. Oh! que transe tão apertado! Oh! que passo tão estreito! Oh! que momento tão terrível!

      Aristóteles disse que entre todas as coisas terríveis, a mais terrível é a morte. Disse bem mas não entendeu o que disse. Não é terrível a morte pela vida que acaba, senão pela eternidade que começa. Não é terrível a porta por onde se sai; a terrível é a porta por onde se entra. Se olhais para cima, uma escada que chega até o céu; se olhais para baixo, um precipício que vai parar no inferno, e isto incerto.

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    8. Dormindo Jacob sobre uma pedra, viu aquela escada que chegava da terra até o céu, e acordou atônito gritando: Terribilis est locus iste! Oh! que terrível lugar é este (Gen. 18,17)! E por que é terrível, Jacob? Non est híc aliud nisi domus Dei et porta caeli: Porque isto não é outra coisa senão a porta do céu. – Pois a portado céu a porta da bem-aventurança é terrível? Sim. Porque é uma porta que se pode abrir e que se pode fechar. E aquela porta, que se abriu para as cinco virgens prudentes, e que se fechou para as cinco néscias: Et clousa est janua (Mt. 25,10). E se esta porta é terrível para quem olha só para cima, quão terrível será para quem olhar para cima e mais para baixo? Se é terrível para quem olha só para o céu, quanto mais terrível será para quem olhar para o céu e para o inferno juntamente? Este é o mistério de toda a escada, em que Jacob não reparou inteiramente, como quem estava dormindo.

      Bem viu Jacob que pela escada subiam e desciam anjos, mas não reparou que aquela escada tinha mais degraus para descer que para subir: para subir era escada da terra até o céu, para descer era escada do céu até o inferno; para subir era escada por onde subiram anjos a ser bem-aventurados, para descer era escada por onde desceram anjos a ser demónios. Terrível escada para quem não sobe, porque perde o céu e a vista de Deus, e mais terrível para quem desce, porque não só perdeu o céu e a vista de Deus, mas vai arder no inferno eternamente. Esta é a visão mais que terrível que todos havemos de ver; este o lugar mais que terrível por onde todos havemos de passar, e por onde já passaram todos os que ali jazem. Jacob jazia sobre a pedra; ali a pedra jaz sobre Jacob, ou Jacob debaixo da pedra. Já dormiram o seu sono: Dormierunt somnum suum (Sl. 75, 6); já viram aquela visão; já subiram ou desceram pela escada. Se estão no céu ou no inferno, Deus o sabe; mas tudo se averiguou naquele momento. Oh! que momento, torno a dizer, oh! que passo, oh! que transe tão terrível! Oh que temores, oh! que aflição, oh! que angústias! Ali, senhores, não se teme a morte, teme-se a vida. Tudo o que ali dá pena, é tudo o que nesta vida deu gosto, e tudo o que buscamos por nosso gosto, muitas vezes com tantas penas. Oh! que diferentes parecerão então todas as coisas desta vida! Que verdades, que desenganos, que luzes tão claras de tudo o que neste mundo nos cega! Nenhum homem há naquele ponto que não desejara muito uma de duas: ou não ter nascido, ou tornar a nascer de novo, para fazer uma vida muito diferente. Mas já é tarde, já não há tempo: Quia tempus non erit amplius (Apc. 10,6).

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    9. Cristãos e senhores meus, por misericórdia de Deus ainda estamos em tempo. É certo que todos caminhamos para aquele passo, é infalível que todos havemos de chegar, e todos nos havemos de ver naquele terrível momento, e pode ser que muito cedo. Julgue cada um de nós, se será melhor arrepender-se agora, ou deixar o arrependimento para quando não tenha lugar, nem seja arrependimento. Deus nos avisa, Deus nos dá estas vozes; não deixemos passar esta inspiração, que não sabemos se será a última. Se então havemos de desejar em vão começar outra vida, comecemo-la agora: Dixi: nunc caepi.

      Comecemos de hoje em diante a viver como quereremos ter vivido na hora da morte. Vive assim como quiseras ter vivido quando morras. Oh! que consolação tão grande será então a nossa, se o fizermos assim! E pelo contrário, que esconsolação tão irremediável e tão desesperada, se nos deixarmos levar da corrente, quando nos acharmos onde ela nos leva! É possível que me condenei por minha culpa e por minha vontade, e conhecendo muito bem o que agora experimento sem nenhum remédio? É possível que por uma cegueira de que me não quis apartar, por um apetite que passou em um momento, hei de arder no inferno enquanto Deus for Deus? Cuidemos nisto, cristãos, cuidemos nisto. Em que cuidamos, e em que não cuidamos? Homens mortais, homens imortais, se todos os dias podemos morrer, se cada dia nos imos chegando mais à morte, e ela a nós, não se acabe com este dia a memória da morte. Resolução, resolução uma vez, que sem resolução nada se faz. E para que esta resolução dure e não seja como outras, tomemos cada dia uma hora em que cuidemos bem naquela hora. De vinte e quatro horas que tem o dia, por que se não dará uma hora à triste alma?

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    10. Esta é a melhor devoção e mais útil penitência, e mais agradável a Deus, que podeis fazer nesta quaresma. Tomar uma hora cada dia, em que só por só com Deus e connosco cuidemos na nossa morte e na nossa vida. E porque espero da vossa piedade e do vosso juízo que aceitareis este bom conselho, quero acabar deixando-vos quatro pontos de consideração para os quatro quartos desta hora. Primeiro: quanto tenho vivido? Segundo: como vivi? Terceiro: quanto posso viver? Quarto: como é bem que viva? Torno a dizer para que vos fique na memória: Quanto tenho vivido? Como vivi? Quanto posso viver? Como é bem que viva? Memento hom

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  3. Respostas
    1. Os sermões são grandes modelos da expressão Barroca pois além de usar a oralidade eles correspondem ao período do século XVII onde a igreja vinha passando pela contra reforma, e essas prosas realizadas por padres fizeram em registros as passagens desse momento, onde o intuito dos sermões era argumentar, criar ideias que trouxessem de volta à religião cristã adeptos, o foco foi então os povos indigenas, e para isso precisava-se de simplicidade e conhecimento.
      Portanto fazendo uso conceptista onde argumentação é o alvo, o padre Antônio Vieira escreveu o sermão da quarta-feira de cinzas para descriminar que o homem é pó e Deus não é pó. Ele aborda a condição presente e futura do homem ou seja foi, é , e será pó. Todo o sermão busca convencer, fazer o público entender sua condição humana "finita" apesar do que tenha passado, Vieira usa de uma circularidade onde vai e volta nas ideias para convencer os ouvintes ou leitores usando um jogo metáforico muito bem fundamentado.
      Quando ele diz " momento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris" lembraste homem que tu é pó e ao pó tornarás, ele além de repetir ao longo do sermão o objetivo é dizer sobre a humildade que o homem precisa ter, onde maior só é Deus e a morte está sempre regente por mais que esquecida ela pode vir do nada assim como vinhemos do pó e a ele tornaremos. O padre Vieira usa de motes tirados dos versículos das escrituras sagradas para elaborar suas ideias e também já contribuir para que a religião chegasse e agisse nas pessoas.
      Logo a crítica fundamentada na religião e na razão feitas pelo padre Antônio Vieira ao escrever seus sermões em específico o da quarta-feira de cinzas ; Que usa a quarta- feira de cinzas para que saibamos que somos pó e que a infinitude é apenas divina e é bem insistente para que o homem não se esqueça disso e deixa claro que se algo ainda não se encaixou no antes é porque não é.

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    2. Barroco: Gregório de Matos com seu antropocentrismo, e o Padre Antônio Vieira e suas ideias teocentricas.

      Antes de analisar os fragmentos do sermão da Quarta-feira de cinzas e tentar compreender a grandiosidade dos sermões de Vieira e todos seus rodeios conceptistas que advertem o agir e existir do homem, é preciso entender a contradição que Gregório e Vieira construíram no Barroco que constitui no período do seicentismo o dualismo de opiniões entre eles.

      No Barroco o homem tem suas ideias em choque, no livro Síntese da Literatura Brasileira de Admmauro Gommes na página 15 ele explica Gregório de Matos como a essência do movimento Barroco e que ele exaltava a instituição da igreja e depois passou a crítica-la usando de sua satírica para menosprezar os feitos da igreja católica, nisso as pessoas podiam ter a visão de um lado obscuro da instituição sagrada e até mesmo errada. E tudo que a igreja tentava pregar era destruído pela obra poética de Gregório.

      Por outro lado Vieira usava seus sermões para resgatar quem se afastava da religião e mais tentava fazer a redenção do homem, e que ele não tenta-se ser o que não pode ser eternamente, pois só um é eterno e que a vida precisava de uma atenção maior porque o caminho era certo e sem afluentes, direcionada apenas ao pó que à de reverter. Para Alberto Bento Augusto, Vieira expressa de uma efemeridade, a brevidade da vida e a morte ineroxável (citado na página 16 do livro Síntese da Literatura Brasileira). Os sermões então tinham o intuito que os ouvintes voltassem a ter fé, ser bom e sem superioridade.

      Portanto era a contradição do mal e do bem, do errado e do certo num período onde a contra reforma era agente com Padre Antônio Vieira e reagente com Gregório de Matos Guerra. Fazendo com que a divergência ficasse a mercê de quem argumenta-se mais para convencer ou provar sua versão seguindo assim o século XVII na Literatura Brasileira.

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    3. No capítulo 3 da página 5 no segundo parágrafo da versão do sermão estudado VIEIRA deixa a indagação que o tempo, somente ele é quem diferencia, apenas diferencia mais não muda o fim...

      fragmento: Só parece que se pode opor ou dizer em contrário, que aquele donec: até que, significa TEMPO em meio entre o pó que somos e o pó que havemos de ser, e que neste meio tempo não somos pó. mas a mesma verdade divina que disse: pulvis es.

      o tempo...

      Muitos se enganam no tempo de vida, o qual não se sabe, e esquece o verdadeiro valor das coisas ou sentidos da mesma, ou mesmo de si, não é porque não é sabido quanto tempo seremos pó levantado, segundo Vieira que devemos esquecer que o tempo vai passar e precisaremos ser e fazer coisas boas e agradáveis aos olhos de DEUS e de sua misericórdia, é necessários que velemos nossas ações pois o amanhã chegará e não sabemos como será.
      a única certeza é que nascemos e estamos vivos, mais o decorrer disso resulta de nossas ações e do querer divino, então fazemos disso o bem e aproveitemos o tempo para errar ou nos render ao bem. No mesmo parágrafo do sermão Vieira diz: "Esta nossa chamada vida não é mais que um círculo que fazemos de pó a pó: do pó que fomos ao pó que havemos de ser. Uns fazem o círculo maior, outros menor, outros mais pequenos, outros mínimo: DE ÚTERO TRANSÍATUS AD TUMULUM. Mas, ou a caminho seja largo, ou breve, ou brevíssimo, como é círculo de pó a pó, sempre e em qualquer parte da vida somos pó." O pó de hoje é uma questão de tempo ao pó futuro. Sendo que o orgulho do homem não deixa pensar ou entender que a cada manhã estamos ao caminho do pó caído.
      portanto homem abra os olhos, não se engane que viverás mais de 100 anos como seus antepassados (Moisés e Abraão), os tempos são outros, e o nosso só encurtou. Assim tiremos das nossas vivências bagagens que formem compartimentos e a cada estação do trem que é o tempo tiremos aprendizagens, pois ele passa e sem percebemos pode ser tarde demais e talvez o tempo não deixe tempo para o arrependimento.

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    4. obervação: professor já mudei do aparelho celular para o computador mais sempre ao publicar se transforma as margens,os parágrafos minha estilística de digitação não esta sendo perfeita pelo processamento do meu aparelho.

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    5. Na página 4, do segundo capítulo no primeiro parágrafo da página do sermão em estudo, VIEIRA nos possibilita tirar a frase "riqueza da vida?!" para análise do fragmento abaixo:

      " Eu bem sei que também há deuses da terra, e que esta terra onde estamos foi a pátria comum de todos os deuses, ou próprios, ou estrangeiros. Aqueles deuses eram de diversos metais; estes são de barro, ou cru ou mal cozido, mas majestade, deuses no poder, deuses na adoração, e também deuses no nome: ego dixi, dii estis. Mas se houver, que sum, olhe primeiro o que foi e o que há de ser."

      A RIQUEZA...

      Há quem pense que nome, conta bancária, ou família influente, possa mudar o que somos ou o que seremos, e então se enganam e se apegam a coisas que não poderão na hora da morte ter serventia alguma, como tem nas escrituras sagradas que será mais fácil um camelo passar na ponta de uma agulha do que um rico entrar no reino do céu( Marcos capítulo 10 versículo 25).E ai indagamos vale a pena riqueza terrestre? ser um deus na terra irá mudar meu estado de pó? rico não morrerá?.

      A resposta as indagações segundo Vieira é que fostes pó, és pó, será pó. Faz com que entendamos que nada de valor aos olhos do homem tem importância no olhar divino. Muitos deuses viveram e reinaram, os egípcios até se mumificaram e guardaram riquezas, para ainda serem majestosos ao "reviverem", mais até os dias atuais, e com certeza futuros não voltaram, são hoje pó pois cumpriram o caminho. Mais a avareza não os deixou compreender seu destino final, e talvez tenham morrido sufocados com o seu ouro sem a misericórdia de Deus, e ser deuses ter poder e dinheiro não pode jamais os reverter do pó atual.

      façamos então uma reflexão do ditado popular mais coerente e de encontro ao pensar de Vieira, cultivemos riquezas para os céus e não a terra, pensamos no próximo, ajudamos quem precisa e não sejamos humanos levados por falsas riquezas e sim por princípios, por amor. O dinheiro que foi dono de muitos não os impediu de ser pó e sim tiraram a dignidade. Tomemos como exemplo esses falsos deuses ricos e não deixemos a história deles ser a nossa.

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    6. fragmento: Por isso não diz: convertetis, converter-vos-eis em pó, senão: reverteris, tornareis a ser pó que fostes. quando dizemos que os mortos se convertem em pó, falamos impropriamente, porque aquilo não é conversão, é reversão: reverteris. (cap.3,pág. 5,parágrafo I)

      Não se converte quem já é pó...

      Muitos não aceitam ou não querem entender que seremos pó num futuro breve ou longo, muitos já foram e iram tornar a ser pó, isso mesmo tornar-se pois converter pode ser uma questão de querer, ou uma situação que a vida modifique, mais ao tornarmos a ser é porque somos.Isso não pode ser influenciado pode ser apenas compreendido e aceito. É onde se comprova o texto bíblico que viemos do pó e a ele voltaremos, fixado também no pensamento de vieira no pó levantado até o pó caído onde a questão é apenas o tempo do vento em deixar levantado ao não.

      A vida pode até amadurecer as pessoas, fazer com que mudem conceitos, jeitos e até pensamentos, mas tudo isso é uma questão individual, pois o corpo é mutável feito o pó, mais a condição de ser instrumento nas mãos de Deus, caminhando para tornar-se o que é de origem é incontestável.No sétimo capítulo da página 15 no último parágrafo Vieira ressalva novamente: " ...tomemos cada dia uma hora em que cuidemos bem naquela hora. De vinte e quatro horas que tem o dia, por que se não dará uma hora alma a triste alma?..." ele questiona o fato de não nos preocuparmos como o futuro, com que iremos reencontrar, é como se o homem fingisse não saber, como se o fato de tornar a ser pó fosse adiado. Falta tempo para cuidarmos do espírito, falta vontade, o pó será apenas uma condição do corpo mais nossa alma não pode sumir ou ser frágil como o pó, do contrário ela deve ser eterna.

      Logo está comprovado o que somos. Resta então pensar e agir para que nossa alma seja salvando pó que nosso corpo torna-rá a ser, então convertermos nosso ser para que não seja doloroso voltar ao princípio. É então a ação do livre arbítrio como Vieira expressa ao falar que " quem foi pó a de ser pó, seja o que quiser e quanto quiser, é pó: pulvis es". cabe a nós escolhermos se a nossa vida será apenas mais uma ou se a tornaremos prospera e guiada por Deus.

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    1. O padre Antônio Vieira tem uma autoridade absurda, tratando-se da história da arte Barroca em solo Brasileiro. Embora, seja Português, sua posição diante de todos os acontecimentos cruéis perante o Brasil, os índios, os quais tinham seu apoio, não era neutra. O enredo dos Sermões toca na ferida da teologia, da organização política e social. Um infinito número de questões apontadas para a descontinuidade da assombrosa historicidade da época. Com temáticas significativas, repletas de metáforas e linguagem única.

      O Sermão Quarta-Feira de Cinza, assim como todos os demais do escritor, tem o CONCEPTISMO, modalidade a qual, cuja a estrutura se dá pela lógica argumentativa, pela lógica intelectual. Ou seja, o argumento com fins de convencimento e também, com fins de meta linguagem. Nessa mesma obra, há a idealização da infinitude de Deus e da finitude do homem.

      Por isso, há um reflexivo levantamento, com a certa familiaridade de Vieira com os tempos atuais. A vivência do padre é atualíssima, conforme apresenta no capítulo 1 do sermão, correspondendo no início, a anunciação do tema sobre a figura presente e futura do homem como pó, com referência na citação bíblica do livro do Gênesis. O enunciado acompanha-se de outro dado objetivo, justificável, compreensível para todos, mas, com uma palavra incontestável (lê-se a palavra divina): "que me diga a igreja que hei de ser pó (...) não é necessário fé, nem entendimento para o crer. Naquelas sepulturas, ou abertas, ou cerradas, o estão vendo os olhos." Reforça a indicação da prova que nos outros vemos e prevemos o fim da vida selado pela morte.

      Em suma, todo o contexto desencadeou pensamentos sobre o tempo, a morte e a ruína como método de valorização da vida, com vista na conquista. Uma urgente correção do homem cristão - tema principal - em volta do profundo significado da quaresma, que antecipa e prepara a festa pascal.

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    3. O Sermão de Quarta-Feira de Cinzas de Padre Antônio Vieira desenvolve-se muito em torno do pó, da causalidade irreparável que é a morte e a ligação, sobretudo, as significações do homem x Deus.

      No capítulo I, na primeira página, inicia-se com a seguinte mensagem, "sois pó", consecutivamente "e em pó vos haveis de converter". Afirmação sem contrapartida, afirmando que, todos morrerão. Todos terão a mesma finalidade: sepultamento. O fim de um corpo vivo em um espaço. No entanto, ele afirma que não é necessário ter uma crença divina para acreditar na morte, na verdade, ela aguarda tudo e todos. "Que me diga a igreja que hei-de ser pó (...) não é necessário fé, nem entendimento para o crer. Naquelas sepulturas, ou abertas, ou cerradas, o estão vendo os olhos". A presença da morte será de alcance geral.

      No capítulo II, prossegue-se a oratória precisa diante do homem em vida, já sendo pó."Porque tudo o que vive nesta vida, não é o que é; é o que foi, e o que há-de ser". Argumentando sobre as consequências as quais o homem causou para todos em sua volta, diante da sua expulsão do Paraíso. Mais um argumento autoritário do orador. Além do mais, dá sequência a uma reflexiva condição mortal do homem, indagando da seguinte forma "se foi vara, e ha de ser vara, é vara; se foi terra, e ha de ser terra, é terra; se foi nada, e ha de ser nada, é nada; porque tudo o que vive neste mundo, é o que foi, e o que ha de ser. Só Deus é o que é". Relatando o começo, meio e fim.

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    1. SERMÃO DE QUARTA-FEIRA DE CINZA
      PADRE ANTÔNIO VIEIRA (1608 - 1697)


      Diante das palavras no texto exposto é possível perceber que os escritos de Padre Antônio Vieira demonstra um modo conceptista. Em sua modalidade barroca o mesmo tinha como base a argumentação onde ele utilizava para o convencimento dos fies. “Duas coisas prega hoje a Igreja a todos os mortais, ambas grandes, ambas tristes… Mas uma de tal maneira certa e evidente, que não é necessário entendimento para crer”.
      Vieira está extremamente vinculado as questões religiosas, onde defendia sue ponto de vista, sua argumentação. Com poder de persuasão, o mesmo mantinha um jogo de ideias fortes o suficiente para prender a atenção de quem o ouvisse. Durante a exposição de suas ideologias mantinha uma repetição de seu discurso em um vai e volta, e até mesmo uma reiteração de suas palavras. Mas também, é possível perceber que isso era proposital para que o receptor compreendesse a finalidade do seu sermão. Também é demonstrado as questões cruciais do homem, que é vida e a morte, como isso é conduzido diante da fé necessária.
      Como elemento em questão “Pulvis es, tu in pulverem reverteris: Sois pó, e em pó vos haveis de converter”, Vieira tenta insistentemente demonstrar em suas palavras que o homem não esqueça de que sua condição é, e sempre será a de pó. E foi por suas palavras que Padre Antônio como autor barroco e influente vai questionar, apontar, defender suas ideias conceptistas. Portanto O Sermão de Quarta-Feira de Cinzas dentro de seu contexto religioso e artístico-literário demonstra uma dualidade existencial do homem.

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    1. Afim de expressar a religiosidade de forma intensa e exortar as pessoas ao cristianismo, Padre Antônio Vieira, influente autor do Barroco e maior representante do estilo conceptista, escreveu no século XVII, o Sermão da Quarta-Feira de Cinzas. A obra nos traz um ponto de vista crítico sobre a condição do homem, seja no presente ou no futuro, baseado em uma temática: Finitude humana e Infinitude divina.
      O enunciador passa uma mensagem de repreensão por meio de seu discurso que apresenta uma citação importante, que diz que o homem veio do pó e que por essa razão ao pó voltará. O mesmo é esplanado de forma progressiva e repetitiva ao longo do texto, o que enfatiza que o homem precisa entender que a verdade está na sua origem e que a mesma reflete no que ele é e no que há de se tornar.
      Vieira visou convencer o público com uma variabilidade de ideias bem fundamentadas, salientando a necessidade das pessoas terem humildade e reconhecerem que Deus é maior e que elas são apenas pó. Um recurso utilizado de forma lógica é o paradoxo, através dele o autor dá ênfase à soberania de Deus por ser eterno, sem começo e sem fim.
      O missionário apresenta uma posição direta e com provas a respeito do que é abordado, faz perguntas e ele mesmo as responde com base em fatos contestados, faz comparações de acordo com o que diz, a respeito do pó que é pó na vida e que também será pó após a morte. O sermão prevê a redenção do homem, a manutenção da sua espiritualidade e faz o sustentamento de uma crença. Com uma linguagem compreensível, mostra que não passamos afinal do pó e que ser pó é tomar conhecimento de sua fraqueza, definindo o humano como um ser que tem uma breve passagem pelo mundo em seu período de vida, mas que após ela se desfaz e volta a ser o que era.
      Podemos considerar o sermão como uma obra de grande valor para a Literatura Barroca Brasileira, pois o mesmo possui uma importante técnica de analogia, que leva as pessoas a terem uma compreensão real do que é tratado. Padre Vieira trouxe em seu discurso a vastidão de seus conhecimentos humanísticos, o que trouxe para o texto mais confiabilidade ao ler e mais fundamento no que era abordado.

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    2. Ao analisar o Sermão da quarta-feira de cinzas, percebe-se que o autor utiliza a comparação para responder algumas perguntas, com essa técnica admirável, ele consegue explicar seus conceitos de forma persuasiva e expõe sua ideologia objetivamente. No início do Capítulo 4, Vieira tem a ideia de questionar a dessemelhança entre vivos e mortos no que diz a respeito de ser pó, tendo em vista que ambos possuem a mesma condição, independente de vida ou morte. Essa distinção acontece quando ligamos a vitalidade ao "pó levantado" e a mortalidade ao "pó caído".
      Observando o fragmento a seguir, temos uma indagação importante para o entendimento desse questionamento: "Se já somos pó, qual a diferença entre vivos e mortos? Os vivos são o pó levantado pelo vento e os mortos são o pó caído. Esse trecho frisa que o homem depende de Deus para poder existir, então, se esse pó foi levantado pelo vento e todo vento vem de Deus, daí vemos que se concretiza que Deus é o único ser que possue infinitude na terra e que o homem nada mais é que pó, soprado por Deus e que voltará a ser pó na morte por vontade do seu criador. Padre Vieira ressalta a conformidade da circunstância do homem estando em qualquer período de sua existência, enfatizando que o mesmo deve reconhecer que após a vida todos terão um mesmo fim.
      A parábola é uma das características centrais do estilo Barroco no Brasil, é nela que o autor faz perguntas que ele mesmo responde,dando importância ao sentido real de determinada expressão e explicando suas comparações através da arte de usar o cultismo e o conceptismo. Padre Vieira usa a razão e encontra uma maneira de ligar o homem a Deus e mostra quais os princípios a serem discutidos ao falar de dois seres totalmente diferentes um do outro.

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    3. Nem todo o contexto do Sermão está ligado a uma repreensão, há trechos importantes que nos trazem uma reflexão a respeito da vida, como vemos na frase a seguir: " Entre essas duas portas se acha subtamente um homem no instante da morte sem poder voltar atrás,nem parar, nem fugir, nem dilatar, senão entrar para onde não se sabe e para sempre". Nesse ponto, Viera quis retratar a vontade do homem de fugir da morte e o porque deste fato, o que acontece pelo motivo de não sabermos o que vem pela frente. O mesmo ainda consientiza que após a morte todo homem se tornará no mesmo pó e que não há pra que ter temência a isso. Outra questão tratada no Sermão é a interinidade do homem na terra, a partir disso pode-se destacar a passagem do tempo, uma das características do Barroco, onde o autor mostra que mesmo com vaidade,sem vaidade, com riqueza ou sem riqueza, ele incentiva as pessoas a valorizarem mais a vida, pois um dia ela terá um fim e todos seremos pó, independente de condições financeiras, de estar bem vestido ou não, de ter bronze ou prata, todos seremos pó.

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    1. O padre escreve verdades que pouco são capazes de entender. O sermão da quarta-feira de cinzas, nos leva a refletir o verdadeiro sentido da vida, porque a maioria dos seres humanos esquecem de que a vida não é eterna e, não devemos apegarmos as coisas materiais, mas sim cuidar da nossa alma. O sermão de padre Antônio Vieira, nos convida a lembrar do dever da conversão e da mudança de vida e recordar a passageira fragilidade da vida humana, sujeita à morte.
      Quando entendermos de verdade o significado das palavras proferidas pelo padre, que em determinado momento exalta a coisa humana e em outro a divina, veremos que com esses dois extremos ele nos mostra que a escolha é livre, porém as consequências das mesmas escolhas teremos que arcar.
      Vieira com essas circularidades de palavras vem engrandecer o sermão, que tinha como objetivo insistir na reflexão de um povo, quando ele dá ênfase de que do pó viemos e para o pó retornaremos, vem nos alertar de que a vida é apenas esse pequeno espaço e que tudo termina como começou pó.

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    2. Quando Padre Antônio Vieira no século XVII, vem nos trazer o sermão da quarta- feira de cinzas, vem sedimentar todo um pensamento de renovação e reflexão da nossa vida aqui na terra. Vieira tinha um intelecto além de sua era, por isso era admirado por todos. Vejamos que em 1672 o padre nos mostra a singularidade da vida e, que somos o que somos e nada vai mudar isso.
      Em seu sermão “se for vara, e há de ser vara, é vara; se for terra, e há de ser terra, é terra; se foi nada, e há de ser nada, é nada, porque tudo que vive neste mundo é o que foi e o que há de ser”. Com esse pensamento ele insiste a nos ensinar a valorizar à vida e ao próximo, vários seres humanos tentam se camuflar diante das dificuldades, até que muitas vezes passam-se despercebido pelo olhar humano, mas não o divino. Em (gên. 18.20) Abraão diz: Falar-vos-ei, senhor, ainda que sou pó e cinza, e Jó diz que foi pó e há de ser pó. Com essas colocações tanto Jó quanto Abraão define com perfeição o destino da humanidade, porque o único imutável é Deus, Deus é Deus, foi Deus, e há de ser Deus é o que foi e o que há de ser, é o que é.

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    3. Cuidar da vida imortal. As duas portas da mote. Opinião de Aristóteles. A escada do sonho de Jacó. No momento da morte não se teme a mote, teme-se a vida. Resolução.

      Interessante esse pensar de Aristóteles, que se casa bem com o sonho de Jacó, porque todos nós temos medo da morte, mas o que se vê na explicação do padre é que o medo não é da morte, e sim da imortalidade, porque em sonho Jacó vê duas escadas, uma levando ao paraíso e outra ao inferno, aí se assusta.
      Mais interessante ainda é no sermão de Vieira, que todo tempo nos convida a ser homem de bem, e que nessas duas escadas estão nossas escolhas, em quanto vida. Porque se não fizermos o bem, provavelmente a escada que iremos trilhar será a do inferno e essa nos assusta como assustou Jacó. Aristóteles disse que entre todas as coisas terríveis, a mais terrível é a morte; Vieira diz que ele disse bem, mais não entendeu o que disse. Não é terrível a morte pela vida que acaba, senão pela eternidade que começa, a incerteza do que iremos deparar e que caminho seguir, faz com que tenhamos medo da eternidade. Já nos diz as escritura que se seguirmos os passos do Cristo, teremos honra e glória, esse é o legado que o padre que nos deixar no sermão da quarta-feira de cinzas.

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    4. Retifico: onde se lê mote é morte.

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    1. Sermão De Quarta Feira De Cinzas Do Padre Antônio Vieira

      Antônio foi o maior prosador barroco, ele desde pequeno abrangia esperteza e manejos nas palavras. Sendo ele também o maior orador e prosador do século XVII.
      A melhor produção Barroca portuguesa encontra-se nas obras de Antônio, político e pregador de inteligência, sintetizou como pouco os conflitos do homem barroco com ideias teocêntricas e avanços culturais. Ele explora no Sermão a melhor retórica de sua época, era muito convincente e imaginativo. A essência do estilo Barroco está em seus sermões, pois quem realmente leva a sério a sua leitura desperta sua consciência a pensar, e seu espírito a agir.
      O sermão diz que Deus não é pó, mais o homem sim. Vieira trás uma infinita humildade onde ele transmite que grande só é Deus. Do começo ao fim do texto vieira cita a seguinte frase: Homem és pó e ao pó voltarás.
      Finalizando, este sermão rico em suas características, seja ela, sociais, politicas, religiosa, nos trás uma mensagem imensa de que ninguém é melhor que ninguém, vinhemos do pó e voltaremos ao pó. Muitos se preocupam com a vida na terra, bens materiais e não com a vida eterna, devemos cuidar da nossa alma.



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    1. Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul ( FAMASUL)
      Aluna: Láiza Minelly Moreira de Melo Silva
      Curso: Licenciatura Plena em Letras, 4° período
      Matéria: Literatura Brasileira
      Professor: Admmauro Gommes

      Sermão da Quarta-feira de Cinza do Padre Antônio Vieira

      O Barroco na Literatura, de um modo geral, trás caracteríscas que deixam em evidência o uso de jogos de palavras, da língua culta, o chamado cultismo, bem como a utilização de figuras de linguagem como a metáfora, a hipérbole, a antítese e alegorias.
      O Padre Antônio Vieira, embora tenha nascido em Lisboa, no ano de 1608, é considerado, junto a Gregório de Matos, um dos principais representantes do Barroco no Brasil, dando ênfase em suas obras, ao conceptismo que é uma das vertentes do estilo Barroco, caracterizado principalmente pelo uso de imagens de persuasão racional, pensamento agudo e logicismo , ou seja, Padre Vieira era um mestre na arte da argumentação.
      Vieira é criador de mais de 200 sermões. Sendo ele um eloquente emissor, conseguia com facilidade atrair a atenção dos fieis para si, comprovando assim sua excelência como orador. No sermão da quarta feira de cinza, Vieira utiliza textos e barábolas bíblicas para aproximar os homens de Deus e fazê-los refletir acerca da importância de nos preocupar-mos com a maneira que conduzimos nossa vida, pois é disso que depende a nossa eternidade.

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    2. No sermão da quarta-feira de cinza de 1672, o Padre Antônio Vieira, de um modo geral, faz uso em suas palavras da retórica e do encadeamento lógico de ideias e conceitos, emitindo de forma única seus pensamentos teológicos afim de mostrar aos fieis que os mesmos devem tomar conhecimento de sua fraqueza perante o Deus Criador. Pode-se observar ao longo de todo o texto a seguinte afirmação: '' Memento homo, quia pulvis es, et in a pulverem reverteris'', ou seja, sois pó, e em pó vos haveis de converter.
      A questão religiosa está presente ao longo do texto de Vieira. Podemos ver a frase citada por Vieira e presente em muitos momentos do sermão, também escrita em vários capítulos da bíblia sagrada. No livro de Gênesis 2:7: ''E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente''. Ainda no livro de Gênesis 3:19: '' No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás. E no livro de Eclesiastes 3:20: '' todos vão para um lugar; todos são pó e todos ao pó tornarão''.
      Vieira nos faz refletir quanto ao fato de que somos originalmente pó, estando nós vivos ou mortos, dependemos do sopro do Deus criador para ter vida. Todo homem vive um ciclo, e este ciclo se finda na morte, retornando pois o homem a sua condição original de pó.
      No capitulo V, Vieira trás a condição do pó levantado e do pó caído, sendo o homem vivo o pó levantado e o homem morto o pó caído. Dessa maneira o padre destaca de fato que estando vivo ou morto o homem é pó. Padre Vieira se utiliza do sermão da quarta-feira de cinza para advertir os fiéis, mostrando-lhes que os mesmos devem viver em santidade examinando seus próprios feitos na terra, pois o lugar para onde irão depois de lhes findar a vida (céu ou inferno), depende das obras realizadas em vida, ou seja enquanto ainda é pó levantado.
      A ideia de que todo homem é pó, revela-nos a igualdade dos homens aos olhos de Deus e a soberania de Deus sobre todos os homens.

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    1. Escrito pelo padre Vieira O Sermão de Quarta-feira de Cinzas desdobra-se na questão do pó ao po onde o mesmo utiliza-se de palavras rebuscadas para evidenciar o quão a humanidade e falha e salientar que os homens não são eternos mas vivem como se fossem, onde ambições e desigualdades tornaram-se mas importantes que a vida espiritual.
      Deus não e po mas o homem sim, e ao po voltará, Deste modo expressando a relação presente futuro onde o po levantado presente e o po caído morte futuro, assim estabelecendo nossa natureza, que do po viemos e ao po voltaremos.

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    2. O padre Antônio Vieira no sermão sintetiza suas concepções de forma a estimular as pessoas a refletirem sobre a vida na questão do pensar e agir. No trecho: Aos vivos, que direi eu Diga que se lembre o pó levantado que há de ser pó caído. Levanta-se o pó com o vento da vida, e muito mas com o vento da fortuna; mas lembre-se o pó que o vento da fortuna; nâo pode durar mais que o vento da vida, e que pode durar muito menos, porque é mais inconstante.
      Nesse trecho o Padre Vieira deixa bem claro que o homem pó levantado tem que esta ciente, que um dia tornara-se pó caído morrerá, Vieira utiliza metáforas para mostrar que a riqueza e bem menos importante que a vida e que devemos nos fortalecer espiritualmente invés de entregarmos nossas vida as tentações mundanas.

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    3. No fragmento abaixo Vieira externa acerca da ressurreição utilizando metáforas que é uma das características dos textos no período barroco. Vejamos: A Fênix desfeita em cinzas é fênix, porque foi fênix,e há de tornar A ser fênix. E tu desfeito também em cinzas és homem, porque foste homem, e hás de tornar ser homem.
      A fênix um animal mitológico que morre e ressurge das cinzas é comparada ao homem o mesmo ao morrer ressuscitara para ser julgado e condenado pelos seus pecados aqui na terra.

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    1. Maria Gorette Alves2 de junho de 2017 20:18

      O Sermão da Quarta-feira de Cinza é um sermão de advertência que leva o homem a questionar sobre o verdadeiro sentido da vida, por meio do símbolo do pó. Para o Padre Antônio Vieira, o pó representa a condição presente e futura do homem. Assim, inicia o sermão: “Tu és pó e ao pó voltarás”. Com argumentos fundamentados na bíblia, na teoria de alguns filósofos, na vida e nos escritos de alguns homens decretados santos pela Igreja Católica, Vieira apresenta o homem como um ser fraco, finito, imperfeito que dependente de Deus para alcançar a vida eterna. Nos seus argumentos, quer que o homem tome consciência de que ele sendo pó, para ganhar vida, dependeu do sopro do Criador. Podemos perceber no texto que o pó representa a condição presente - tu és pó- e futura – ao pó voltarás – do homem. Embora, tenha firmado isto, o Padre, apresenta uma ideia contrária ao dizer: “Como pode o pó ter vida?” Para ele, “tudo o que vive nesta vida não é o que é: é o que foi e o que há de ser”. Portanto, o que diferencia os vivos dos mortos, não é a substância e sim o estado do pó. Quer dizer, pó com vida e pó sem vida. Assim, Viera defende que a verdade está na origem, isto é, em Deus que criou o homem do pó, e esse mesmo homem voltará a sê-lo quando chegar a óbito. Por isso, aborda o tema da morte e do desengano, aconselhando seus ouvintes, a não buscar a vaidade. Vieira também dar ênfase na morte segura para alcançar a bem-aventurança dos que morreram em Deus. Isto significa, abandonar a vaidade e a tudo o que não condiz com a postura de um cristão. O homem ao fazer isso por vontade própria, desapega-se de sua própria vida, é o que ele chama de morte por eleição, para viver na vida eterna.

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    2. Maria Gorette Alves2 de junho de 2017 21:27

      Todo esse jogo de palavras e ideias muito elaboradas e paradoxas é uma das características do Barroco, também conhecida como conceptismo. E este, foi um dos conceitos que influenciou a produção barroca. É importante ressaltar que o contexto histórico do Século XVI era delicado devido a Reforma Protestante.

      Logo, se preocupar com a morte e com o fluir do tempo, qual corrente religiosa seguir: conservadora ou inovadora, foram as dúvidas e os conflitos que a sociedade enfrentou durante este período de crise. Por isso, que o sermão do Padre Antônio Vieira abordava temas que levavam seus ouvintes a refletirem sobre o verdadeiro significado da vida. Há de se considerar também que se travava de um sermão da quarta-feira de cinzas, ou seja, a celebração da liturgia deste dia, favoreceu ao tema do pó.

      Assim diz o texto: “... o remédio único contra a morte é acabar a vida antes de morrer...” e “(...) ser pó por eleição, antes de ser pó por necessidade”. Nestes fragmentos, percebemos as ideias contraditórias, pois, como é possível ser remédio para a morte, acabando com a própria vida?

      O autor não se refere ao suicídio e sim ao desapego das coisas terrenas e da própria vida. Este desapego para Vieira, é o remédio para alcançar o céu. É certo que o remédio é aquele que combate a enfermidade pela qual passamos. Deste modo, o apego a vida carnal e as suas vaidades serão combatidos com o desapego, isto é, o desprendimento. Trata-se de lembrar ao homem que tudo é vão, que a vida carnal é uma passagem e que ele deve preocupar-se com a vida eterna.

      Essa complexidade do texto faz parte do conceptismo, onde o autor, através de ideias paradoxas, que de imediato parecem ilógicas, aborda argumentos significativos para a vida espiritual do homem.

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    3. Maria Gorette Alves13 de junho de 2017 10:29

      O conceptismo “corresponde à organização da frase com uma lógica que visa convencer e ensinar”. Alfredo Bosi, no livro História Concisa da Literatura Brasileira, citando Grácian, Arte de Ingenio diz: “É o princípio mesmo do Conceptismo usar de palavra peregrina que velozmente indique um objeto por meio do outro”.

      No sermão, podemos observar que o Padre Vieira se utiliza de muitas metáforas para ajudar na compreensão dos ouvintes. Pois, no barroco também nos deparamos com a expressão da realidade através dos sentidos no “uso frequente de palavras que designam visão, olfato e sensações tácteis”. Esta expressão, é sobretudo, através do emprego de muitas figuras de estilo que são: a antítese, o paradoxo, a hipérbole, a prosopopeia e a metáfora. Por isso, que essa linguagem preciosa do barroco, destaca o valioso estilo deste movimento literário.

      De acordo com Grácian, notamos quão fabulosa é a maneira como o autor atrai a atenção do leitor e o impressiona com suas metáforas. Assim o texto diz: “Foi notar S. Judas Tadeu naquela sua admirável epístola, que as árvores morrem duas vezes... A primeira vez, morrem as árvores em pé, a segunda deitadas; a primeira, quando secam; a segunda, quando caem. Platão disse que os homens são árvores às avessas, e eu acrescento que, se morrem como árvores, serão homens às direitas. Na árvore, enquanto lhe dura a vida, ou a verdura, tudo são galas, tudo pompa, tudo novidades; morre finalmente a árvore com o tempo a primeira vez, e daquele corpo tão formoso e vário, que vestiam as folhas, que guarneciam as flores, que enriqueciam os frutos, não se vê mais que um cadáver seco, triste e destroncado”.

      Valendo-se da metáfora da árvore, o autor expõe no seu texto que, se o homem quiser morrer bem, é necessário que ele saiba morrer. Assim como a árvore que morre, mas permanece em pé mesmo estando seca, assim também o homem deve viver. Isto é, ser consciente de que mesmo tendo uma vida confortável, ela é passageira e ilusória. Portanto, ao morrer, o homem não passará de um cadáver seco, quer dizer, ele não passará de pó.

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    1. SERMÃO DA QUARTA FEIRADE CINZAS- PADRE ANTÔNIO VIEIRA.


      O sermão da quarta feira de cinzas, escrito por Padre Antonio Vieira refere-se a necessidade de análise espiritual por parte dos seus fiéis. Escritos no início da quaresma, tempo de arrependimento, penitência e transformação de vida onde o homem deve ter o pensamento que é mortal e não porta-se como imortal.

      Com o propósito convencer os seus seguidores a mudança de comportamento, ou seja distancia-se do pecado, passando a assumir a sua verdadeira promessa de cristão Assim o modo como Antonio Vieira faz questão de recordar com grandiosas palavras de um vocabulário de enorme riqueza, o quanto a ambição terrena é insignificante perante Deus, destacando que a vida é como brisa que eleva o pó que somos e a morte é o retorno a matéria que fomos, isto é, o que somos e o que seremos é fruto do que já fomos. Como ele diz: ..."O homem foi pó e há de ser pó, logo é pó, pois tudo o que vive não é o que é, é o que foi e o que há de ser..."

      O discurso de Vieira ressalta o sentido único de humildade perante a vida e a morte, onde todos se iguala diante da morte no mesmo pó, nivelando todos a mesma justiça.

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    2. O barroco surgiu devido a uma forte adversidade religiosa e as imposições ao catolicismo por conta dos ideais renascentista. Arte e literatura barroca é a resposta do embate dualista entre o homem e Deus,  o perdão e o pecado,  o terreno e o divino.
      A proposta inicial do barroco era conciliar essa antítese: viver uma vida na espiritualidade e dar-se a uma vida nos prazeres materialista humano. Mas ao quer que era impossível harmonizar essas duas direções o homem entra em conflito entre o corpo e alma.
      A apreensão desses elementos opostos causa no homem uma profunda crise: após lancar-se nos prazeres mais absolutos ele sente-se pecador e procura o perdão de Deus.
      Umas das principais obras do barroco,  Os de padre António Vieira destacou-se por levar o homem a reflexão dos seus atos mandamos,  levando-os a rever suas condutas através do jogo de palavras formidáveis,  recheado de metáforas,   induzindo seus fiéis a terem um porte mais religioso. 

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    3. FRAGMENTO I DO SERMÃO DA QUARTA FEIRA DE CINZAS. CAPÍTULO 3, PÁGINA 4.


      O pó futuro, em que nos havemos de converter, é visível à vista, mas o pó presente, o pó que somos, como poderemos entender essa verdade? 

      A fala de padre Antonio Vieira sobre o pó futuro e do pó presente é grandiosa,  em especial o pó futuro visível a vista,  que no caso é o po da morte,  que o home voltar a pro pó, voltará a sepultura,  então é uma coisa explícito a nossa vista,  sabemos qual será o nosso futuro. Já o pó que somos agora é a condição miserável do homem que está nesse mundo e carece de tantas coisas por conta do pecado das tribulações, aflições. Ou seja, é muito fácil conteplarmos e sabemos esse pó futuro que é o po da morte e pra onde iremos,  mas é difícil conteplarmos nossas próprias misérias que é a questão do pó  presente.

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    4. FRAGMENTO II DO SERMÃODA QUARTA FEIRA DE CINZAS. CAPÍTULO 2,  PÁGINA 2.


      Deus se definiu a Moisés como aquele que é o que é, porque só ele é o que foi e o que há de ser. Se alguém puder afirmar o mesmo de si próprio também é digno de ser adorado.


      Diante dessa questão da finitude da vida do homem;  Deus se apresenta a Moisés como aquele que é,  Deus é eterno,  ele foi, ele é e sempre será eterno,  Não é como o homem. Então só pode ser adorado,  digno de honra àquele que é como Deus,  Vieira afirma e nos mostra que o homem por ser finito,  pelo homem ser pó,  não não pode conparar-se a Deus que é eterno,  voltando a declarar a condição miserável do homem enquanto pó presente.

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    5. FRAGMENTO III DO SERMÃODA QUARTA FEIRA DE CINZAS. CAPITULO 1, PAGINA 1.


      O texto sagrado não diz: converter-vos-eis em pó mas tornareis a ser pó. O que chamamos vida não é mais que um círculo que fazemos de pó a pó.


      Vieira retrata que o homem sempre foi pó,  a questão da humildade,  do rebaixamento dizendo: O texto da bíblia não diz que vamos nos tornar pó,  mas que nos sempre fomos pó e retornaremos a essa forma, então o homem sempre é pó,  na vida do homem sempre vai ter essa condição decadente. Nessa situação comparado a Deus que é eterno o homem sempre será pó.

        Este sermão de padre Antonio Vieira mostra que a circunstância do homem sempre é pó,  não é que o homem vai se tornar pó,  mas que o homem já é pó,  por ser finito, por ser mortal,  É pó por ter suas fraquezas,  seus defeitos,  logo a condição do homem sempre é pó e essa condição comparada,  com a posição divina de Deus,  em que Vieira fala que Deus sempre é,  que é eterno, Assim Deus está acima do pó do homem,  É pode fazer o pó do homem vida e pode transformar esse pó  que é o homem e todas os seus delitos em vida.

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  13. Respostas
    1. Padre Antônio Vieira
      Resumo

      O período Barroco foi marcado pelo padre Antônio Vieira, o mesmo escreve de forma encantadora, no seu sermão Quarta-Feira de Cinza fala a cerca da criação, vida e morte comparando esse ciclo a pó, relatando sempre o passado, presente e futuro.
      Vieira tinha uma vocação que o diferenciava dos demais, se expressava de maneira tão sublime e dinâmica que ficou famoso, ele usava vários recursos de argumentação para o convencimento dos fies.
      O emissor faz uso do discurso repetitivo, vai ao pó e volta ao pó, a sua forma de expressão chega aparecer com o mote por ser tantas vezes proferida, para que os cristãos não venha esquecer de seus ensinamentos e para que eles tenham a convicção que são humildes a condição de pó, independente da classe social em que está inserido.

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    2. “Esta nossa chamada vida não é mais que um círculo que fazemos de pó a pó”
      Independente da sua posição social, conjugal e espiritual, devemos ter a convicção de que nada somos além de pó. No princípio criou Deus os céus e a terra. Gên.1.1
      Logo após ter criado animais, plantas, águas enfim todos os seres viventes criou Adão e disse que ele seria sua imagem e semelhança, Adão foi feito do pó da terra. “Do pó que fomos ao pó que havemos de ser”, foi feito da terra e vai para a terra. O nascimento, crescimento, as conquistas, os sonhos, esse percurso da vida tem um prazo, mas nesse meio tempo de reflexão não deixamos de ser o que no início fomos pó .

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    3. “Tudo da cor da terra”
      O rei Nabucodonosor construiu uma estátua querendo que o seu nome fosse exaltado, ele era rei, no entanto, muito rico e queria ser adorado pela imagem de ouro que o mesmo mandou erguer.
      A cabeça da estátua era de ouro fino, o seu peito e os seus braços de prata, o seu ventre e suas coxas de cobre. Dan. 2.32. O rei por sua vez não se via na condição de humilde, o que foi preciso ser mostrado em público para que todos visem que toda aquela estrutura não valia muita coisa, então veio uma pedra que desfez a estátua, como uma pedra fez isso com ouro? Não sei, mas vale apena ressaltar que ela era valiosa, tinha ouro, prata e cobre, elementos de muito valor. Mais quando foi destruída nenhum esforço valeu apena, nem por ter a construído nem tão pouco pela riqueza que havia nela, pois não restou nada além de pó. E não foi pó amarelo ou branco, foi pó da cor da terra, pó que Nabucodonosor veio, porém não tinha consciência do que era, por possuir bens. Não somos superior a ninguém, temos que reconhecermos que quem merece adoração é apenas Deus e mais ninguém. “ Todos ali são da mesma Cor”, rei e servos, ambos tem as mesmas características de onde foram criados o criador não separou o pó rico e o pó pobre são todos iguais.

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    4. “O que a natureza faz devagar Deus faz depressa, e nisto é que está o milagre”

      Estava Jesus em Caná da Galileia quando foi convidado junto com seus discípulos para irem a uma festa, e antes de acabar o casamento não tinha mais vinho, Jesus pede aos serviçais que encham os potes de água até as bordas e depois pediu para servi-lo. Foi considerado o melhor vinho da festa. Esse foi seu primeiro milagre.
      Segunda vez que foi a Caná da Galileia, onde da água fizera o vinho. E ali um oficial do rei, cujo seu filho estava enfermo em Cafarnaum. João 4.46. Quando o homem ouviu falar de Jesus foi ao seu encontro falar de seu filho que estava à beira da morte. Jesus diz a ele, vai o teu filho vive, e foi ao encontro da criança que já estava curado. “Esteve o milagre em que cristo fez em um instante” A cura do paralítico de Betesda, homem que esperava ser curado havia trinta e oito anos, sempre que as águas do tanque eram agitadas por um anjo, o primeiro que entrasse era curado, porém toda vez que ele ia, entrava outro em seu lugar. Vendo Jesus disse-lhe. Levanta-te, toma tua cama e anda. João 5.19. E aquele homem andou, causando dúvidas a sociedade.
      “Diz Santo Agostinho, porque quis que nos exemplos da natureza se facilitasse a fé das suas maravilhas’’. Os milagres sobrenaturais feitos por Deus, ultrapassando toda as leis da natureza foi para mostrar a grandeza dele, que não há ninguém que seja igual ou semelhante pra faça o que ele fez.

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  14. Respostas
    1. Vânia Karla de Oliveira Duarte29 de maio de 2017 18:19

      "Pois tu és pó, e ao pó retornarás.” — Gênesis 3:19

      É acerca desta passagem bíblica que o Pe. Antônio Vieira, grande nome da Literatura Brasileira e pai do início da nossa literatura, conduz o tão conhecido sermão da Quarta Feira de Cinza. Frisando sempre a origem do ser humano e afirmando contudo que fomos, somos e seremos pó, nada antes, durante ou depois disso mudará o que está predestinado ,pois esta é nossa essência.
      É de uma estrutura fantástica e de uma sabedoria esplêndida que este, bem como os outros sermões do tão afamado Pe. Antônio, deixa- nos uma mensagem de fé e boas ações, como resquícios de bastante criatividade.

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    2. Vânia Karla de Oliveira Duarte1 de julho de 2017 18:42

      O barroco é expecificamente uma expressão do conflito entre razão e fé, o material e o espiritual. No Brasil, o barroco ocorreu tardiamente, pois começou em Portugal durante a União Ibérica, e sofre forte influência da Contra-Reforma, onde a igreja católica tentou resgatar o poder político e social que havia perdido durante o Renascimento. Seus textos são sobrecarregados de figuras de estilo, que é o caso da metáfora, hipérbole e antítese, e suas artes são identificadas através da produção do artista que se dá de nível no cultismo e também do conceptismo. Principais autores da época são Gregório de Matos, na poesia e o Padre Antônio Vieira, na prosa.
      No fragmento do sermão da quarta feira de cinza: “Deu vento, levantou-se o pó; parou o vento, caiu. Deu vento, eis o pó levantado; esses são os vivos. Parou o vento, eis o pó caído; estes são os mortos(...), e por isso sem vaidade, esta é a distinção, e não há outra”.
      Fazendo a análise deste, observe que fica clara e objetivada a diferença entre o ser vivo e o ser morto, neste intervalo de tempo, como se não houvesse possibilidade de conciliar essa antítese, que no mais, quer fazer dizer que: ou foge dos prazeres humanos, terrenos, e se alcança a eternidade, ou se vive a vida sensualmente, atendendo ao que manda o mundo, gerando assim um conflito entre corpo e alma, salvação e condenação, que por vezes se ajoelha diante de Deus, em busca do perdão divino, e por outras vezes usufrui das delícias da vida. Durante todo o sermão, é claramente possível notar, que o Pe. Antônio Vieira, faz o uso de exemplos práticos, e que tem um direcionamento certo, sem risco de errar o alvo.

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    3. Vânia Karla de Oliveira Duarte1 de julho de 2017 19:08

      “Mortos, mortos, desenganai estes vivos. Dizei-nos que pensamentos que sentimentos foram os vossos quando entrastes e saístes pelas portas da morte?”


      No estilo barroco podemos também perceber a forma conturbada, devido a divergência entre os princípios renascentistas e a ética cristã. Decorrente dessa fragilidade e também incerteza das ações humanas, se coloca diante de uma situação tumultuosa, fazendo assim o uso de várias figuras de linguagem, e destacando-se no uso das frases interrogativas, que podemos aqui citar um trecho de Gregório de Matos em seus versos que diz:
      “Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
      Se tão formosa a lua é, por que não dura?”
      Então, tanto o fragmento referente ao sermão da quarta feira de cinzas, do Pe. Antônio Vieira, quanto o fragmento citado a pouco, servem para refletir a dúvida, insegurança e incerteza da existência humana no período barroco, e a inversão das frases é a tentativa da conciliação dos elementos.
      Vemos também a tentativa do Padre recorrendo aos mortos, de forma que fizeste os vivos enxergar qual a experiência de quem passa pela morte, e como devemos proceder para não nos acontecer o mesmo, nos redimindo dos pecados, e nos afastando do que é profano para alcançar a salvação.

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  15. Vânia Karla de Oliveira Duarte1 de julho de 2017 19:28

    Dentre os nomes que fazem parte do movimento artístico, marcado entre os séculos XVII e XVIII, o barroco brasileiro, o Padre Antônio Vieira, que foi o nome mais importante, destacando-se por seus sermões, intensamente característico do conceptismo, este que é denominado pelo jogo de idéias, segue um raciocínio lógico, e utiliza uma retórica eficaz e de conceito, tendo a objetividade de convencer e ensinar, por isso a frase segue uma ordem rigorosa.
    “ Julgue cada um de nós, se será melhor arrepender – se agora, ou deixar o arrependimento para quando não tenha lugar, nem seja arrependimento. Deus nos avisa, Deus nos dá estas vozes; não deixemos passar esta inspiração, que não sabemos se será a última”.
    Contudo, no fragmento a ser analisado, observamos claramente o quão objetivo e seguro o comentário do vigário, na intenção e pretensão de “amarrar” os seus ouvintes, para que os mesmos não vejam outra forma de obter a salvação, que não seja por meio dos princípios religiosos. Tendo sempre a concepção de que fomos pó, somos pó, e seremos pó, que nada, nenhuma condição social, nenhuma condição física, difere um do outro, e que o meio e o caminho de como ser salvo continua a ser um só, o destino é o mesmo para todos.

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  16. Agradecemos a participação de todos.

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