27 de setembro de 2018

MUNICÍPIO DE XEXÉU

1º de outubro de 2018
27 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA












BANDEIRA DE XEXÉU

A Bandeira do Município do Xexéu foi criada em 1993, por Admmauro Gommes, a pedido do então prefeito Floriano Gonçalves de Lima. As suas três cores básicas (amarelo, branco e depois azul), formando três faixas verticais, foram baseadas nas cores da Bandeira Nacional. O azul representa o céu, numa profundidade que nos lembra o céu nordestino, sem nuvens, espelhado pelo sol sempre causticante; o branco simboliza a paz; e o amarelo as riquezas de um povo lembradas pela cor do ouro. No centro, estão os elementos muito significativos para o povo xexeuense: da esquerda para a direita, uma cana, ícone da agricultura que representou a base da economia municipal, fazendo referência às usinas de cana de açúcar da região, no meio, a esfera que nos traz a recordação da Bandeira Nacional, apenas mudando o lema de ORDEM E PROGRESSO para PAZ E PROGRESSO, sugerido pelo prefeito Floriano Gonçalves. À direita, ainda dentro do espaço branco, o desenho de um lápis, representando a educação do município. Em síntese, a ideia do autor da bandeira foi trazer o passado (cana-de-açúcar), o presente (ligação com o País, com o círculo azul, lembrando que estamos debaixo do mesmo céu brasileiro) e, finalmente, o futuro (considerando a educação como caminho a seguir por todos os xexeuenses).



HINO DE XEXÉU
             Admmauro Gommes e Nilton Rodrigues

Quem te vê, entre montes, surgindo
E teus raios tocando o véu
Não imagina que é o brio refulgente
Da estrela chamada Xexéu.

Uma pátria de berço heroico
De guerreiros, de paz e brandura
Essa luz te faz na alvorada
Como águia voando às alturas.

Meu Xexéu, no voo majestoso
Desafio não é uma quimera
Se há batalha me inscreve à luta
Que a vitória sorrindo te espera.

Elevamos a alma aos céus
Gratidão, com respeito e louvor
Que a bandeira hasteiem da paz
Da justiça, da crença, do amor.

Nossa gente feliz já na praça
Festejando emancipação
Seja sempre sagrado e suave
O teu canto de paz e união



Partitura do Hino de Xexéu - Transcrição do Maestro Nilton Rodrigues































MEU NORDESTE
                 Admmauro Gommes

 Eu vejo o meu Nordeste
com muita admiração
da pamonha e da canjica
na noite de São João
e da sanfona de Gonzaga
que foi o Rei do Baião.

O Nordeste produz tudo:
sal, açúcar, ferro e mel
do frevo ao maracatu
aos livretos de cordel.
Para mim, o meu Nordeste
começa aqui em Xexéu.


1- AS ORIGENS

(Do livro História do Xexéu, escrito por Admmauro Gommes, Bernardo Almeida e Marcos Gonçalves de Lima. Editora Bagaço. Recife. 2003.

 1.1. No tempo do rococó - Admmauro Gommes

Era uma vez... Na verdade, não era uma vez, porque isso é modo de se começar uma história inventada. Esta é uma história verdadeira.
Houve um tempo, não muito distante, que Xexéu ainda nem era Xexéu e as coisas andavam para trás, como caranguejo. Isso é maneira de dizer que a vida era difícil e atrasada, em relação aos dias de hoje.
Era muito difícil viver naquele tempo. Pois bem. Imagine você viver num tempo assim, onde não existia o computador. Nem a televisão. Nem mesmo o rádio. Um tempo sem lâmpadas, sem liqüidificador, sem video-game, videocassete, sem televisão, nem antena parabólica. Sem carro para viajar e sem escola. Não existia automóvel, nem telefone, nem geladeira. Nem mesmo energia elétrica e as casas eram cobertas de capim. As coisas eram precárias, pela hora da morte! Por falar nisso, a funerária só tinha um caixão para os que morriam sem deixar recursos para as póstumas despesas: chamava-se o caixão da caridade. Era muito difícil morrer naquele tempo.
As viagens eram feitas a pé ou nos lombos dos animais. Quem quisesse ir a Palmares a pé gastava em média três horas e uma viagem a Maceió, mesmo que fosse a cavalo, demorava, pelo menos dois dias. Os burros, em geral, transportavam também o açúcar dos engenhos de Xexéu até Rio Formoso e de lá o nosso doce era levado para a Holanda, de navio. Os engenhos moíam a cana-de-açúcar. Quando as usinas chegaram, eles deixaram de moer. É por isso que os nossos sítios e pequenas propriedades são chamados de engenhos, até o dia de hoje. O patrão, dono da propriedade, era o senhor de engenho.
Tudo era muito difícil. Depois, as coisas das facilidades foram aparecendo, como num toque de mágica. Isso já datava dos anos 50. Veio a BR 101, e com ela todo o Brasil começa a passar por aqui. Nessa época, a Usina Santa Teresinha já estava estabelecida e o comércio foi favorecido quando os primeiros moradores já serviam de apoio às pessoas que por aqui se destinavam às Alagoas.
A iluminação das casas era na base da luz de candeeiro, depois veio a marca Aladim. Com certo tempo, apareceu uma bomba que gerava energia e bem depois chegou a luz vinda da usina, para enfim, surgir a eletricidade da Cachoeira Paulo Afonso. A Usina Santa Teresinha fazia e acontecia na região, pois era a segunda em produção no Estado de Pernambuco: elegia prefeito, dominava o comércio, inclusive, onde atualmente funciona o supermercado Stillo, era a instalação das famosas Casas Santa Teresinha. Até uma moeda extra, chamada gabão circulava com o carimbo da usina.

Esses fatos parecem muito distantes, mas deles nos separam apenas 60 anos. É isso que os mais velhos chamam de o tempo do rococó. Parece um tempo distante mesmo, pois até a palavra rococó, não mais faz parte da nossa linguagem de hoje. Daí, reconhecermos o valor da pesquisa historiográfica: não só resgata o termo rococó, como também salva o nosso passado histórico.


1.2 Do século XVII aos nossos dias - Bernardo Almeida

Desde a nossa bandeira com uma esfera deslocada pelo azul do pavilhão nacional lembrando o céu da pátria e o verde das matas e dos canaviais, o amarelo áureo, principal riqueza dos primeiros séculos de colonização, elemento determinante da história pernambucana, o lápis que escreve uma história com tinta perene, lembrando da nossa cultura e do nosso povo, até a estrela elevada ao alto como traço marcante da presença da paz e do progresso, acima de toda e qualquer individualidade, assim contextualizamos em nossa bandeira a inspiração dos nobres ideais do povo brasileiro.
 Essa inspiração, que em meio a busca da liberdade e a perseguição dos senhores de engenhos, surge assim, num palco de lutas e buscas de um ideal nobre e de inigualável valor.  Por nossas matas, sendo agraciado pelo mavioso cântico do Xexéu, assim caminhava Zumbi dos Palmares e os escravos fujões pela sua rota favorita, como afirma o historiador Amaro Matias (1988).
Xexéu não foi apenas o caminho da liberdade de Zumbi e dos escravos, é também em nossas terras que fica localizado o engenho Macaco, que por volta de 1675 tornou-se um dos maiores núcleos de resistência negra organizada do Brasil, chegando a ter aproximadamente 15.000 negros. Lá se plantavam, colhiam, desenvolviam o artesanato. Os mantimentos que lhes faltavam eram trocados nas vizinhanças e formavam uma sociedade livre, onde a preservação da liberdade era o seu maior patrimônio.
Aqui em Xexéu o Brasil inquietou-se, com Macaco, que rotineiramente intercambiava, informações, homens e produtos com os irmãos de mesmos ideais pelas terras pernambucanas, que na época envolvia a Serra da Barriga, refúgio maior do Quilombo dos Palmares.
Tantos outros fatos marcaram a história do Xexéu, que territorialmente é demarcado a partir dos Venâncios, Camboins, Cavalcantes, Santos, Pereiras e Maciéis. Estes pertencentes à família de Marco Maciel.
Em meio a este mergulho cronológico de nossa história, constatamos a importante contribuição da sesmaria dos Maciéis, que forma os engenhos Pureza e Beleza, por volta de 1865 e uma década depois instala em sua propriedade uma fábrica de doces.  No início da década de 1870, o Major da Guarda Nacional Henrique Abreu Siqueira de Cavalcante compra a José Venâncio quatro hectares de terra e forma a propriedade do Jucá e os Santos se estabelecem em Ipiranga. Nessas três propriedades, havia algo em comum: o cântico belo e harmonioso do Xexéu. Cantando como um fiel intérprete das mais variadas aves impressionava a todos que por aqui passavam e aumentavam os comentários dos que afirmavam ter passado por aqui.
 O número cada vez mais crescente de feirantes, trabalhadores e senhores de engenho, tornava Xexéu um ponto de encontro obrigatório para as mais diversas comercializações regionais. Aqui eram definidos os preços do açúcar e das mercadorias mais importantes. A feira era realizada por caixeiros viajantes, biscateiros e feirantes do agreste de Pernambuco e Alagoas, iniciada no sábado, à tardinha, com o bacural e durante noite e madrugada se comercializavam diversos produtos, somente vindo a terminar no domingo à tarde.
Os primeiros habitantes já se encontrando em Xexéu, por volta de 1893 recebem João Pereira Sobrinho, comerciante do Recife, Domingos e Francisco Leandro para estabelecer as primeiras casas comerciais. Ainda no final do século XIX Xexéu recebe o nome de Aurora por ocasião da passagem das tropas do marechal José Semeão, que fica encantado com o nosso amanhecer e resolve render-se à grande beleza, e diz para todos que a partir daquele momento o lugar teria o nome de Aurora.  Mas, o canto na forma de grito inquietante do Xexéu foi maior do que as ordens do Marechal José Semeão e alguns meses depois nossa terra volta a ser definitivamente Xexéu.
Os Gonçalves chegam em Xexéu nas primeiras décadas do século XX, por volta de 1923. Nos anos 40, Floriano, Reginaldo e Gercino formam com os Maciéis e Vasconcellos os primeiros grupos políticos.
Em 1992, Floriano é eleito primeiro prefeito do Xexéu. Com o passamento desse, o vice-prefeito Severino Alves assume a prefeitura, em 1993. No ano de 1996 Marcos Gonçalves é eleito prefeito e reeleito nas eleições de 2000.


5.5 A emancipação política - Marcos Gonçalves de Lima

Todos acontecimentos têm uma certa importância, mas a data da emancipação política de Xexéu significa o marco da nossa liberdade, da nossa independência, é, com certeza, o fato mais marcante entre nós. Ela diz que nós estamos com o campo aberto para construir a sociedade, cada vez maior, acima de tudo mais justa e mais humana.
A luta para Xexéu emancipar-se foi muito longa, atingindo mais de 40 anos. Foi assim: o 1º projeto para Xexéu ser emancipado foi elaborado em 1952. Acontecendo a eleição de 1956 e depois de 1960, Floriano pediu a alguns companheiros, deputados na época, para fazer Xexéu emancipado. Mas tinha um grande problema: o domínio político e empresarial, o poder econômico que estava depositado pelos donos das terras. Eles não tinham interesse em ver Xexéu passar a cidade, até mesmo para não perderem uma grande porção de hectares de terra. Então, esse poder pressionava a política dominante, lá em Água Preta, para não permitir que fôssemos emancipados.
Hoje até que vemos o grupo empresarial com uma outra visão. Mas naquela época, era um poder esmagador, e só pensavam neles. Eles estando bem, com a pobreza não se incomodavam. Então havia essa pressão do poder econômico junto ao poder político dominante e a vontade de liberdade esbarrava sempre ali.
            Mas a luta foi se estendendo e muitas e muitas vezes foram apresentados projetos. (...) Aí o plebiscito foi marcado e Xexéu compareceu em massa quando mais de 98% disseram sim. Era um sonho! Aprovado o plebiscito, a Lei 10.621 de 1º de outubro de 1991 foi sancionada pelo então governador Joaquim Francisco Cavalcanti, dando-nos a emancipação.
A Lei dizia que a cidade tendo sido emancipada ficaria ainda sobre a responsabilidade do Município mãe, até que chegasse o período das eleições. Então nós ainda passamos um ano e três meses, na condição de município, governado por Água Preta. Foi quando aconteceram as eleições de 92 e no dia 1º de janeiro de 1993, de fato e de direito, Xexéu começou a ser governada pelos seus próprios representantes.
Assim, Xexéu tem duas datas importantes, a da Lei que cria o Município e a do início administrativo. Xexéu foi fundado em primeiro de outubro de 1991, como poder administrativo próprio. Em janeiro de 1993, o 1º prefeito, Floriano Gonçalves de Lima, assumiu o comando municipal.




2 comentários:

  1. Sou o 1º Sargento do Exército, Jocélio Andrade, servindo atualmente no Comando de Fronteira Amapá/34º BIS, em Macapá/AP.
    Estou desenvolvendo, desde 14 de maio de 2007, um estudo com levantamento do Inventário Heráldico e Vexilológico dos Municípios Brasileiros em sua totalidade de 5.565, por região geográfica, o qual fará parte de um “ANUÁRIO HERÁLDICO E VEXILOLÓGICO DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS”.
    Do encima exposto, queria solicitar a possibilidade de estar nos enviando às imagens dos vossos símbolos municipais (brasão das armas e bandeira), bem como cópia da Lei que os criou; nesta constará a descrição de cada um dos símbolos, descrição essa muito importante para entendermos o processo histórico de cada município.
    Algumas Observações:
    1ª. Não podemos esquecer que não basta só nos enviar as imagens, bem como cópia de cada lei, devem nos enviar as mesmas em boa qualidade, pois farão parte de um futuro documento histórico de âmbito nacional e porque não dizer internacional. O Mundo nos olhará em 2014 e 2016;
    2ª. Que cada município possa está nos enviando o seu melhor e assim ser representado a sua altura.
    3ª. O Formato das imagens podem ser: .jpg, .gif, .cdr (preferencialmente);
    4ª. O envio das imagens em muito boa resolução e qualidade é fator primordial para a descrição dos elementos do brasão e da bandeira; sem falar no envio da lei que os criou. Lei que descreve sucintamente, a bandeira e o brasão.
    Cordialmente,
    1º Sargento do Exército, Jocélio Andrade (jocelioandrade@gmail.com)

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  2. Percebemos ao analisar a história, o quanto nossa cidade é rica cuturalmente!
    Parabéns a todos envolvidos, nesta etapa recente de democratização do poder e também na contribuição literária cultural da nossa cidade.

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