9 de setembro de 2026

OS GONÇALVES DE XEXÉU X GRUPO DE EDUARDO CAMPOS

 

Thiago Gonçalves - Prefeito de Xexéu


Por Admmauro Gommes

 A disputa política entre a família Gonçalves de Xexéu e o grupo que foi liderado pelo ex-governador Eduardo Campos remonta o ano de 1998, durante a campanha pela reeleição do então governador de Pernambuco, Miguel Arraes. O cenário, inicialmente favorável ao governador, sofreu uma reviravolta quando Jarbas Vasconcelos, vencedor daquele pleito, conseguiu o apoio do vice-presidente da República, Marco Maciel, e do prefeito do Recife, Roberto Magalhães. Nesse contexto, entra em cena Eduardo Campos, à época secretário da Fazenda de Pernambuco.

Nas eleições de 1994, Campos contou com o apoio da tradicional família xexeuense, sendo o deputado federal mais votado no município, com 1.489 votos. Quando Marcos Gonçalves de Lima foi eleito prefeito de Xexéu, em 1997, pelo PSB de Eduardo, procurou estreitar laços com o político que ajudara a eleger, mas não obteve êxito. Diante da negativa de Eduardo Campos em atender às demandas municipais, Marcos Gonçalves rompeu com a aliança de Arraes e passou a apoiar Jarbas Vasconcelos. Determinado, percorreu quase todas as residências do município e utilizou os comícios para justificar a ruptura. Em seus discursos, reconhecia a relevância histórica de Miguel Arraes, mas argumentava que a postura de Eduardo Campos, ao negar ajuda à administração xexeuense, era o principal obstáculo para sua permanência no PSB, sigla que, anteriormente, fora apoiada por Floriano Gonçalves Lima, primeiro prefeito do município e amigo de longa data de Arraes.

Apesar de seu avô estar no governo, de ser o deputado federal mais votado em Xexéu e de exercer uma secretaria de Estado, em 1998 Eduardo Campos obteve apenas 368 votos no município. A queda na votação foi reflexo do embate direto com os Gonçalves. No início da campanha eleitoral, Arraes era unanimidade na Mata Sul pernambucana. Portanto, foi uma tarefa difícil para Marcos reverter o quadro, convencendo o povo a não votar em Arraes, considerado um mito da política nacional. No desfecho deste episódio, Arraes perdeu as eleições em cidades consideradas antes como seu reduto eleitoral: Catende, Palmares e Xexéu. Jarbas foi o vencedor no estado. Resultado em Xexéu (1998):

 

Jarbas Vasconcelos: .....1.966 votos

Miguel Arraes: ...............1.123 votos

 

Naquelas eleições, Xexéu derrotou Arraes.

 

Em 2006, Boaz Gonçalves era o prefeito, quando ocorreu o segundo embate com os Campos/Arraes. Mendonça Filho, vice-governador de Jarbas, apresentou-se como candidato ao governo. Como o município estava alinhado desde as eleições anteriores com Jarbas, José Mendonça e o vice-governador, era natural que Xexéu continuasse na mesma linha política. A chapa vitoriosa no âmbito municipal foi a apoiada por Boaz. No cenário estadual, Eduardo Campos derrotou Mendonça, e isso provocou uma penalização para o município, que não recebeu apoio do estado. Resultado em Xexéu (2006):

 

Mendonça Filho: .....3.396 votos

Eduardo Campos:... 1.997 votos

 

Naquele ano, Xexéu venceu o segundo round, mas ficou sem apoio da esfera estadual.

 

Mesmo sendo eleito, Eduardo Campos não se esquecera da recente derrota municipal, nem da histórica suplantação de Miguel Arraes, e buscava, por diversos meios, enfraquecer o grupo político dos Gonçalves. Entretanto, tal intento mostrava-se impraticável, dada a coesão da base local em torno dessa família, que consolidava união até mesmo com a antiga oposição local, encabeçada por Zé Leandro, xexeuense, ex-prefeito de Água Preta.

A estratégia adotada pelo governador para desestruturar a hegemonia dos Gonçalves consistiu em incentivar a fragmentação do grupo de Boaz. Para tanto, o PSB cedeu sua legenda a Gercino Gonçalves de Lima (Gel de Marcos), filho do ex-prefeito Marcos Gonçalves. Gercino disputou o pleito contra Boaz Gonçalves e foi vitorioso. Nesse cenário, o saldo político permaneceu ambíguo: embora o governador tivesse obtido êxito na campanha, a prefeitura continuava sob o controle da família Gonçalves.

A intenção do governador era clara: tirar a família Gonçalves do poder. Então, lançou a sua última carta. Em 2012, retirou o PSB de Gercino, e o entregou a Eudo Magalhães, que foi o vencedor do pleito contra Rivaldo Soares. Pela primeira vez na história de Xexéu, os Gonçalves não conseguiram sequer lançar candidato a prefeito. Parecia o fim de uma jornada na política. No entanto, em 2020, Thiago Gonçalves venceu o candidato a prefeito apoiado por Eudo e, em 2024, derrotou o próprio Eudo Magalhães, nas eleições municipais.

Agora, em 2026, a expectativa gira em torno do resultado de mais uma rodada desse confronto político. Após o descontentamento do atual prefeito de Xexéu, Thiago Gonçalves, com o candidato a governador João Campos, filho de Eduardo e bisneto de Arraes, todos os vereadores xexeuenses e o prefeito declararam apoio ao nome de Raquel Lyra, na reeleição da governadora.

Em outubro deste ano, vamos conhecer o início do próximo capítulo desta história.  

 

 

12 de maio de 2026

SETENTA ANOS DA BANDA MUSICAL IPIRANGA



Admmauro Gommes
Escritor, poeta e autor do Hino de Xexéu (em parceria com o maestro Nilton Rodrigues)
admmaurogommes@hotmail.com

A Banda Musical Ipiranga completa 70 anos de existência, em 13 de maio de 2026. Orgulho do município de Xexéu, ela tem sido fundamental na preservação das tradições musicais mais genuínas. Neste solo pernambucano, onde o Frevo é reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), como Patrimônio Imaterial da Humanidade, com certeza, a BMI colaborou muito, tocando o Vassourinhas, nos carnavais da Mata Sul, Recife e Olinda.
 É uma belíssima história que ultrapassa o campo da música. De caráter filantrópico, a Banda acolhe a juventude e a encaminha para um novo rumo, distante das drogas e da violência, realizando de modo pedagógico ações inclusivas. Com isso, reafirma os altos valores humanitários e forma gerações com arte, disciplina e respeito mútuo. Admirável também é a habilidade dos maestros, desde Sebastião Moraes, José da Justa, Nilton Rodrigues, Laudemir Francisco de Souza (Passa) e, atualmente, Cavalcante Mineiro, que possuem uma visão transculturadora.
Os mentores fazem com que os novos talentos aprendam a admirar e executar tanto clássicos regionais, a exemplo de Asa Branca de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e Aquarela do Brasil de Ary Barroso, quanto My Way e New York, canções imortalizadas pelo cantor norte-americano Frank Sinatra. Com isso, um mundo surpreendente se abre para cada adolescente, quando se inscreve e aprende mais do que melodias com esta senhora de setenta anos. Com ela, vivenciamos muitos momentos ligados à cultura local, em solenidades diversas, como inaugurações, desfiles cívicos, festividades de Natal e Ano Novo, comícios, procissões, casamentos e outras comemorações. É por isso que seu legado ficará como testemunho permanente deste povo.
 Sua composição atual conta com quarenta e quatro músicos e vinte e três aprendizes. É detentora de um longo e invejável repertório, muitas criações de autoria dos próprios maestros, indo do frevo, ao xaxado, hinos de clubes e estados, além do tradicional dobrado e MPB. A Banda tem sido uma festa toda vez que se apresenta em praça pública, realizando grande espetáculo. Ainda que não disponha de estrutura de palcos sofisticados, a sofisticação fica por conta da qualidade artística.
Um monumento deste nível não tem passado sem a admiração de seus conterrâneos. Percebendo isso, a Câmara Municipal de Vereadores  a condecorou como Patrimônio Cultural Xexeuense, pois artisticamente, indiscutivelmente, continua sendo unanimidade artístico-cultural por muitas décadas, no interior de Pernambuco. 
Por isso, este é um momento festivo para todos que se recordam dos dias memoráveis que começam com um sonoro desfile, convidando a todos para ver a banda passar numa inesquecível alvorada. Tudo isso dentro de uma atmosfera de beleza e encanto saudosista. Assim, a cidade acorda mais feliz! Sem dúvida nenhuma, a Banda Municipal Ipiranga, que sempre mereceu o reconhecimento popular, continuará a receber os aplausos dos amantes da boa tradição musical.


DEPOIMENTO 

Silvio Júnior: “Sinto-me honrado de ter passado pelas suas bancadas como músico e como um dos seus presidentes, e ainda hoje como sócio, e de ver que meus dois filhos estiveram no seleto grupo de instrumentistas dessa banda. Tenho o orgulho de ser herdeiro de um dos seus fundadores, o querido e saudoso avô Samuel Vasconcellos.”